Mais de 90% das crianças e adolescentes acessa a internet

Adolescentes das comunidades do Complexo do Alemão, Santa Cruz e Copacabana/Leme, do Rio de Janeiro, apresentaram, no final de dezembro passado, a pesquisa "Ser Criança e Adolescente no Rio de Janeiro". Baseando-se nos resultados...

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Adolescentes das comunidades do Complexo do Alemão, Santa Cruz e Copacabana/Leme, do Rio de Janeiro, apresentaram, no final de dezembro passado, a pesquisa "Ser Criança e Adolescente no Rio de Janeiro". Baseando-se nos resultados obtidos, os 46 adolescentes pesquisadores, de 14 a 17 anos, contribuem com recomendações para que seus direitos sejam respeitados.

Com o objetivo de entender melhor como as crianças e os adolescentes vivem e percebem a comunidade e a cidade onde moram, a pesquisa, promovida pelo UNICEF e coordenada pelo Centro de Promoção da Saúde (Cedaps), entrevistou 887 crianças e adolescentes. A metodologia aplicada tinha como finalidade conhecer, valorizar e compartilhar o "olhar do adolescente" como fio condutor central do processo e mediador fundamental.

A maior parte dos entrevistados se caracterizavam como de pele negra ou parda: 79,1% (Santa Cruz); 74,7% (Complexo do Alemão); 56,3% (Copacabana/Leme). Apesar da violência, a maioria das crianças e adolescentes dessas comunidades se sente bem ou muito bem estando em casa: 76,7% (Santa Cruz); 75,1% (Complexo do Alemão); e 82,8% (Copacabana/Leme).

A família é apontada pelos jovens como o motivo que mais os deixa felizes, seguida das amizades e dos relacionamentos amorosos. O maior exemplo para eles é a mãe e, posteriormente, o pai. A maioria deles respondeu que está estudando atualmente. Em Copacabana/Leme, esse índice chega a 96,2%; em Santa Cruz, 95,5%; e no Complexo do Alemão, 88,5%.

A mãe é também a pessoa que mais cuida deles quando estão doentes. Em relação à participação em oficinas de educação sexual, o resultado não é tão abrangente: 32,5% em Santa Cruz; 26,4% no Complexo do Alemão; e 27,8% em Copacabana/Leme. O acesso à camisinha está disponível para 39,1% em Santa Cruz; 54,4 no Complexo do Alemão; e 58,8% em Copacabana/Leme.

No quesito diversão, a maior parte respondeu que usa a rua/esquina como forma de lazer. A maioria deles também possui acesso à internet: 91,3% em Santa Cruz; 88,9% no Complexo do Alemão; 94,5% em Copacabana/Leme. O ônibus é o meio de transporte mais utilizado por eles.

Levando em conta os resultados obtidos pela pesquisa, os adolescentes pesquisadores indicaram recomendações em diversos aspectos: escola, cultura e lazer, saúde, direitos da Criança e do Adolescente e transporte. Eles aconselham a organização de um plebiscito para que possam escolher a cor e o símbolo do uniforme escolar, apontado como a primeira coisa que mudariam em suas escolas.

Além disso, recomendam que os espaços escolares sejam limpos, principalmente o banheiro. Apontam ainda a necessidade de mais oficinas de educação sexual, organizadas não somente pelo professor, mas por equipes do PSF e por jovens. Querem a ampliação do Programa Saúde do Adolescente, além do fortalecimento do programa Saúde e Prevenção nas Escolas.

Em relação ao transporte, afirmam a necessidade de um transporte escolar gratuito dentro das comunidades, para que muitos problemas enfrentados pelos alunos para ir à escola sejam reduzidos. Pedem também que o passe livre seja estendido para além do horário escolar, para o acesso a bibliotecas, centros culturais e espaço de lazer, fazendo parte do processo de uma educação continuada.

Com informações da Adital.



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