Mais voz para as mais afetadas pela crise

Rosa Lizarde, integrante do Chamado Mundial à Ação contra a Pobreza (GCAP), disse à IPS, durante as sessões esta semana da comissão das Nações Unidas sobre o Status das Mulheres, que seu grupo cobre...

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Rosa Lizarde, integrante do Chamado Mundial à Ação contra a Pobreza (GCAP), disse à IPS, durante as sessões esta semana da comissão das Nações Unidas sobre o Status das Mulheres, que seu grupo cobre ser incluído nas soluções apresentadas para a crise financeira internacional, sobretudo considerando que constituem 70% da população pobre e são as principais fornecedoras de alimento para suas famílias e comunidades. O G-20 é uma aliança de países em desenvolvimento liderada por Brasil, Índia, China e África do Sul, que atua nas negociações de agricultura da Organização Mundial do Comércio.

IPS – No dia Internacional da Mulher, comemorado no último dia 8, você lançou pela Internet a campanha mundial “20 dias para o G-20”, destacando as ligações entre a feminização da pobreza e a crise financeira e econômica mundial. Quais são os impactos da atual crise nas mulheres?
Rosa Lizarde –
Bem, há muitos impactos nas mulheres. Em primeiro lugar, a exacerbação da crise de alimentos e de energia. Há uma grande porcentagem de mulheres no setor agrícola fornecendo alimento para as famílias, por isso o aumento dos preços dificulta a situação para elas e tem um impacto nas comunidades. Esta pressão cria uma tensão cada vez maior, o que por sua vez gera violência contra as mulheres.

Elas também tendem a ser as últimas a serem contratadas e as primeiras a serem demitidas em tempos de dificuldades econômicas. Particularmente, em torno das reduções no setor privado, há aquelas que impactam nas mulheres na hora de receber serviços como cuidados médicos e outros benefícios sociais. Portanto, a carga da crise financeira e econômica fica com as mulheres.

IPS – Como esta campanha espera poder mudar o resultado da reunião do G-20?
RL –
Uma das razões pelas quais a lançamos foi estabelecer esses vínculos entre a feminização da pobreza e a crise financeira, alimentar, de energia e da mudança climática. Além disso, a criamos para promover a inclusão de mulheres no diálogo e na tomada de decisões das cúpulas econômicas e financeiras, não apenas na reunião do G-20, mas também nas próximas conferencias sobre os impactos econômicos e financeiros no desenvolvimento. Queremos garantir que haja uma particular atenção às necessidades específicas das mulheres e das meninas, devido às dificuldades desproporcionais que enfrentam.

IPS – Quanto financiamento precisa estar disponível para a igualdade de gênero, o poder das mulheres e, particularmente, para a erradicação da pobreza?
RL –
Como disse Sylvia Borren, co-presidente do GCAP, os fundos que vão para o resgate financeiro não chegam às mulheres, ao contrário dos impactos da crise. Um dos temas é constatar como, durante este tempo de crise e de negociações entre os governos, as salvar de alguns dos problemas que enfrentam. Algumas pessoas dizem que o 0,7% de todos os fundos de resgate irão para os países em desenvolvimento, e que dessa porção uma parte irá para melhorar as condições das mulheres. Não pedimos uma cifra concreta, mas estamos dizendo que queremos ser incluídas em qualquer decisão sobre financiamento.

IPS – Quais são algumas políticas-chave que podem dar um alívio imediato e a longo prazo para as mulheres afetadas pela atual crise financeira?
RL
– Alguns dos pontos-chave que destacamos no documento plataforma de políticas dirigido à próxima reunião do G-20 giram em torno de temas de justiça, responsabilidade, emprego e mudança climática. Pedimos a erradicação da pobreza e a desigualdade. Queremos assegurar que as necessidades das mulheres e das meninas sejam tratadas, porque estima-se que representam 70% dos pobres. Em termos de responsabilidade, queremos assegurar a governabilidade democrática da economia mundial, e pedimos o apoio da Organização das Nações Unidas para que seja o coração das soluções para a crise.

Na área de empregos, pedimos trabalho decente e serviços públicos para todas, como particular atenção em identificar e responder às necessidades especificas das mulheres e das comunidades sem direito a representação. Quanto ao clima, queremos que os governos se comprometam a investir em mulheres como uma das formas mais efetivas para avançar o desenvolvimento sustentável e para ajudar a combater a devastação da mudança climática.

IPS – Como as mulheres estão representadas no diálogo e nos processos de tomadas de decisões das cúpulas econômicas e financeiras?
RL –
Creio que se vemos os membros do G-20 e dos chefes desses governos, bem com os membros da Comissão Stiglitz (Criada pela ONU para dar recomendações sobre a crise), vemos que as mulheres não estão representadas apesar de constituírem 50% da população. Portanto, creio que enquanto não atingirmos 50% de representação não poderemos dizer que as mulheres estão incorporadas equitativamente. Na mesa do G-20, na ONU e em outras comissões, sabemos que as mulheres não estão representadas equitativamente. Isto é um fato. (IPS/Envolverde)



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