Médicos confirmam necessidade de aborto na menina de Pernambuco

Ginecologistas e obstetras, por meio de nota da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), manifestaram amplo apoio à equipe médica que fez o aborto da menina de nove anos, vítima de...

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Ginecologistas e obstetras, por meio de nota da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), manifestaram amplo apoio à equipe médica que fez o aborto da menina de nove anos, vítima de abuso sexual pelo padrasto, em Pernambuco. Falando com conhecimento de causa, os profissionais médicos disseram que a menina, “de compleição física frágil, pesando pouco mais de 30 quilos”, não suportaria a gravidez até o fim, o que representaria risco de morte para a garota.

Na nota, os médicos também condenam as declarações de membros da Igreja Católica que, segundo eles, “demonstram insensibilidade e falta de respeito com o drama vivido pela criança de nove anos e por seus familiares, bem como para com toda a sociedade e com o Estado brasileiro.”

Os médicos apontam como razões para a antecipação do parto as questões de saúde da criança e as garantias previstas em lei. Quando a gravidez é resultado de estupro, assim como em casos que oferecem risco de morte materna, não é necessária nem mesmo autorização judicial para o aborto. O caso da menina em Pernambuco, contempla ambas as situações. “Não podia seguir outro curso que não o de antecipar o fim do sofrimento desta cidadã e evitar, o quanto antes, uma tragédia ainda maior”, explicam os médicos.

A entidade médica ainda descreve o caso clínico da menina, enumerando os riscos que ela corria com uma gestação gemelar (de gêmeos). “As chances de uma ruptura uterina, hemorragia, eclâmpsia e de um parto prematuro eram enormes. Sem contar todos estes e outros riscos à sua integridade física, havia as inimagináveis sequelas emocionais.”

Para a FEBRASGO, a equipe médica e multiprofissional do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM) agiu dentro dos preceitos ético-legais e tecnicamente adequados. “É nosso dever respeitar os princípios bioéticos e a legislação vigente, garantindo à população direitos humanos e dignidade, independentemente de raça, credo ou religião”, conclui.



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