Mesmo após fraudes, Karzai se elege no Afeganistão

Apesar da gigantesca fraude confirmada e dos casos de corrupção que pesam sobre Karzai, a chamada Comissão Eleitoral Independente do Afeganistão declarou nesta segunda-feira que o atual chefe de Estado, Hamid Karzai, venceu a...

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Apesar da gigantesca fraude confirmada e dos casos de corrupção que pesam sobre Karzai, a chamada Comissão Eleitoral Independente do Afeganistão declarou nesta segunda-feira que o atual chefe de Estado, Hamid Karzai, venceu a eleição presidencial, depois da desistência no domingo do outro candidato, Abdullah Abdullah, antes do segundo turno. 

"Declaramos que Hamid Karzai, que obteve a maioria dos votos no primeiro turno e é o único candidato no segundo, é o presidente eleito do Afeganistão", afirmou o presidente da Comissão, Azizullah Ludin. Ele disse que a decisão foi tomada de acordo com a lei eleitoral e a Constituição afegãs, e "em acordo com o interesse supremo do povo afegão".

No anúncio da retirada da sua candidatura, Abdullah afirmou que não convocava os seus apoiantes a um boicote. "Não saiam às ruas, não façam manifestações. Deixo a decisão para meus fiéis e meus apoiantes." Disse, no entanto, que a sua decisão era definitiva. "Esta decisão não foi tomada em troca de nada e por parte de ninguém".

Ontem, o próprio Karzai chegou a dizer que participaria de um segundo turno como candidato único para que o processo eleitoral fosse "completado". "Quero dar ao povo do Afeganistão o direito de votar", disse.

Para realizar um segundo turno em 7 de novembro próximo, o Afeganistão teria de lidar com problemas como a segurança na votação; a falta de motivação dos eleitores; e as fraudes – o motivo pelo qual a nova votação seria necessária. No primeiro turno, que foi realizado em 20 de agosto passado, Karzai obteve 54,6%, mas viu a sua percentagem baixar a menos de 50% – 49,67% – depois de investigações sobre fraudes, o que o forçou a aceitar uma segunda volta.

Tanto as denúncias de fraude quanto a retirada de Abdullah da disputa presidencial colocam sérias dúvidas sobre a legitimidade do próximo governo Karzai. Uma gestão enfraquecida seria um duro golpe contra o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que planeja ainda assim enviar mais de 40 mil militares para o país.

Ontem, apoiadores de Karzai descartaram a hipótese de ele formar um governo de coligação com Abdullah, possibilidade que permanece aberta para o rival.

Por Esquerda.net.



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