Militante da ALN, que sequestrou embaixador dos EUA, obtém visto

Conforme o agendado, Paulo de Tarso Venceslau chegou na sede da embaixada americana pontualmente ás 8:30. Sem muita convicção foi tentar pela quinta vez – nos últimos 40 anos – tirar o visto para...

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Conforme o agendado, Paulo de Tarso Venceslau chegou na sede da embaixada americana pontualmente ás 8:30. Sem muita convicção foi tentar pela quinta vez – nos últimos 40 anos – tirar o visto para entrar nos EUA. Apesar de gostar de jazz e ter vontade de conhecer os clubs de Chicago, topou tentar de novo apenas para cumprir a promessa feita aos editores da Fórum, que fez um especial sobre temas ligados a ditadura, entre eles o sequestro do embaixador americando no Brasil, Charles Elbrick, em setembro de 1969. Infelizmente a entrevista foi agendada tarde demais e a revista foi para a gráfica sem o final da história. Mas vamos a ele.
Paulo de Tarso Venceslau nunca conseguiu o visto porque era considerado até ontem um terrorista para o governo norte-americano. A Casa Branca nunca o perdoou por ter sequestrado, em 4 de setembro de 1969, o embaixador Charles Elbrick. Nenhum dos parceiros de Venceslau na ação, entre eles Fernando Gabeira e Franklin Martins, conseguiu tirar o visto até hoje. Gabeira até tentou em 2007. Queria ir a Los Angeles assistir a cerimônia do Oscar, na qual o filme “O que é isso companheiro?” concorria como melhor longa estrangeiro. O filme, como se sabe, conta justamente a história do sequestro. Já Franklin nem tentou, ainda mais depois que virou o mais influente ministro de Lula. Afinal, como ele mesmo contou a Fórum, seria um constrangimento diplomático receber um “não” dos agentes de Obama.
Sempre que o presidente viaja aos EUA, Franklin é substituído no Aerolula por Nelson Breve, seu sub. Na terça feira, PT (abreviatura de Paulo de Tarso, como é conhecido pelos amigos até hoje) ficou surpreso quando passou do primeiro guichê. Preencheu alguns formulários e respondeu perguntas: “Tem parente lá? Sabe onde vai ficar?”. Disse não duas vezes, mesmo assim seguiu em frente. No último guichê, aquele que carimba sim ou não, respondeu novas perguntas. Se o visto fosse negado, o passaporte seria devolvido ali mesmo. “Vai fazer o que nos EUA?”. “Ouvir jazz em Chicago e passear em Nova York”, respondeu. O moço do guichê checou algo no computador, olhou a papelada e não quis mais saber de mais nada. “Parabéns, o visto foi concedido. O sr. pode entrar nos EUA. O passaporte carimbado chegará em sua casa dentro de seis dias”. A divulgação dessa notícia certamente vai gerar reações. Se ir a Chicago fosse realmente tão importante, o ideal seria que PT ficasse na miúda e viajasse discretamente. Mas sua decisão de tentar o visto foi, na verdade, parte de uma pauta para Fórum, que queria testar na prática na nova doutrina Obama. Se tudo der certo, a viagem acontecerá no começo de 2010.
Como diria o presidente de lá, agora "yes, he can…"



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2 comments

  1. Rodrigo Brand&atilde

    só uma retificação: o filme “O que é isso, companheiro?“ (essa pérola que alça o “camadas médias“ Fernando Gabeira à condição de um Che Guevara brasileiro) é de 1997 visitem o blog ‘EDUCOM – Aprenda a ler a mídia‘. E por favor comentem http://www.brasileducom.blogspot.com

  2. Rodrigo Brand&atilde

    só uma retificação: o filme “O que é isso, companheiro?“ (essa pérola que alça o “camadas médias“ Fernando Gabeira à condição de um Che Guevara brasileiro) é de 1997 visitem o blog ‘EDUCOM – Aprenda a ler a mídia‘. E por favor comentem http://www.brasileducom.blogspot.com

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