Morte de garoto pela polícia leva a protesto no Rio de Janeiro

A escadaria da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro amanheceu com cruzes pretas no Dia Internacional dos Direitos Humanos, na quarta-feira, 10. Elas foram colocadas por um grupo de manifestantes que protestavam contra a...

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A escadaria da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro amanheceu com cruzes pretas no Dia Internacional dos Direitos Humanos, na quarta-feira, 10. Elas foram colocadas por um grupo de manifestantes que protestavam contra a violência policial que levou, no começo do mês, à morte do garoto Matheus Rodrigues, na Baixa do Sapateiro. Todos vestiam camisetas brancas com uma charge do cartunista Carlos Latuff denunciando a violência policial. As informações são da Rede de Jornalistas Populares.

Além dos familiares e moradores da região em que morava o menino de oito anos, militantes de movimentos sociais e entidades em defesa dos direitos humanos acompanharam o protesto. A caminhada partiu da Praça Mahatma Gandhi, onde ocorria uma vigília pelos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A ação policial tem sido alvo freqüente de denúncias de abusos, como no caso de outro garoto assassinado pela polícia, José Roberto. A revolta contra o abuso de poder levou uma moradora da Maré, Mariluce Nascimento, também amiga da família do garoto, a protestar no microfone: "Não podemos aceitar que a polícia continue matando na favela. Isso não é normal. Na semana passada Matheus morreu porque a polícia o confundiu com traficante. Isso é absurdo, é desumano. Precisamos dar um basta nessa política de extermínio".

Uma esquete montada pelo grupo teatral Armazém de idéias e Ações Comunitárias (Aiacom) questionou o Estado e reivindicou o cumprimento de políticas públicas que atendessem aos direitos humanos nas áreas de segurança, saúde, educação e moradia.

"Estamos comemorando o aniversário de uma carta que infelizmente continua sendo apenas uma carta”, protestou Sabine Mendes, do Movimento Humanista e Marcha pela Paz e Contra a Violência. “Quando nos manifestamos em praça pública é porque só nos resta este espaço. Estamos completamente desamparados", afirmou. De acordo com Sabine, estudos já comprovaram que com apenas 10% do que se gasta com armamentos seria possível acabar com a fome no mundo.



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