Movimentos organizam manifestação contra expulsão de Geyse da Uniban

Cerca de 700 estudantes do campus São Bernardo da Uniban se mobilizaram há três semanas para xingar, humilhar, fotografar, filmar e ameaçar de estupro a estudante Geisy Arruda, em um dia em que ela...

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Cerca de 700 estudantes do campus São Bernardo da Uniban se mobilizaram há três semanas para xingar, humilhar, fotografar, filmar e ameaçar de estupro a estudante Geisy Arruda, em um dia em que ela foi à faculdade com um vestido curto. Ontem, a universidade publicou nos jornais que expulsou a garota do curso de Turismo. Hoje (9), movimentos feministas, sindicais e estudantis estão se mobilizando para realizar um ato às 18h, nas portas da mesma universidade.

A decisão da universidade surpreendeu a estudante, a opinião pública e teve inclusive forte repercussão internacional. Segundo Maria Cristina Pechtoll, do movimento de mulheres de Santo André, alguns movimentos feministas estavam tentando conversar com a reitoria da universidade para organizar um seminário sobre questões de gênero e propor outras ações de socioeducação “para enfrentar a situação de machismo positivamente”.

Para Pechtoll, a decisão da universidade de expulsar a estudante demonstra a existência de um machismo institucional e corrobora a manifestação machista dos estudantes. O ato foi organizado entre os movimentos neste domingo, assim que saiu um anúncio publicitário da Uniban noa jornais anunciando a expulsão de Geyse.

“O machismo é uma prática constante e exige da gente uma militância ininterrupta. Todo tempo a gente tem que combater e se colocar contra isso”, diz Fabiola Paulino, diretora de Mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE), que também está participando da organização do ato. “O que aconteceu com ela não pode ser individualizado, ela é mais uma vítima de uma prática que existe”.

Na avaliação de Pechtoll, o debate sobre as questões de gênero sofreu um retrocesso a partir de meados dos anos 1990 para cá. “Essa nova geração não viveu a época da ditadura, a repressão aos costumes, não lutou por liberdade sexual. É uma geração que não tem formação cidadã necessária que dê valor à questão da diversidade e da valorização dos direitos da mulher”, diz. 

Ela defende que disciplinas sobre a questão de gênero tornem-se obrigatórias no currículo escolar. “Tem tantas outras disciplinas que tem a formação cidadã como foco. Os direitos humanos também são das mulheres.”



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