Mulheres estão sub-representadas no espaço público, avalia ativista

Ainda que correspondam a 51% da população brasileira, as mulheres estão sub-representadas no espaço político. A avaliação é da coordenadora do Instituto Feminista para a Democracia (SOS Corpo) Carmen Silva. Para encontrar soluções que...

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Ainda que correspondam a 51% da população brasileira, as mulheres estão sub-representadas no espaço político. A avaliação é da coordenadora do Instituto Feminista para a Democracia (SOS Corpo) Carmen Silva.

Para encontrar soluções que alterem o quadro atual, movimentos feministas discutem, desde a última quarta-feira, 3, em Recife (PE), a luta das mulheres para a democratização da gestão pública. O evento, organizado pelo SOS Corpo e pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), reúne gestoras municipais, estaduais e mulheres engajadas na luta por políticas públicas e nos conselhos de controle social.

"Estamos fazendo um balanço de como é o Estado brasileiro em relação à democracia. Democracia pra gente não é apenas eleição. Democracia implica em um estado de trabalho para superação das desigualdades existentes na sociedade”, observa a coordenadora.

O objetivo do evento é mobilizar prefeituras municipais, que irão tomar posse a partir do ano que vem, a implantar planos de ações políticas voltadas às mulheres. “É um momento que o movimento feminino vai a campo exigindo das novas prefeituras a elaboração de planos municipais coerentes com o Plano Nacional de Políticas Públicas para Mulheres”, diz.

Balanço elaborado pelo Cefmea mostra que a participação política das mulheres, seja como candidatas ou eleitas, continua a evoluir a passos lentos. Em alguns casos, verifica-se até uma diminuição, como neste ano, em que 12,52% dos eleitos para as câmaras municipais foram mulheres, em contraste com 2004, quando elas representaram 12,65% das eleitas. No casos das prefeitas, de um total de 5.558 eleitos, apenas 9,08% são mulheres.

“É claro que paulatinamente essa participação tem aumentado, o que para nós é uma satisfação, mas ainda estamos completamente sub-representadas nesses espaços de poder”, aponta Carmen.

Segundo ela, existem dois fatores que dificultam a presença feminina em cargos públicos: as interdições ligadas às desigualdades que existem na sociedade e a forma como é organizado o sistema político brasileiro.

“A questão que define a participação das mulheres no espaço da política é exatamente a estrutura de dominação masculina que está em todos os âmbitos da vida. Outro aspecto é que as mulheres não tem, como os homens, consistência na carreira política.”

Ela argumenta que faltam ações afirmativas que incentivem a participação feminina, como recursos partidários e horário em campanhas eleitorais. “O que ocorre é o contrário, não há prioridade para as candidatas”, critica.

Como solução a coordenadora do SOS Corpo sugere mudanças no sistema político, criando leis que favoreçam a participação das mulheres. Ela destaca também a importância do dever do Estado brasileiro em enfrentar a situação da pobreza, desamparo e desemprego, já que a dupla jornada de trabalho e a falta de emprego enfrentada pela maioria das mulheres são exatamente as interdições do acesso feminino à vida pública.

“Enquanto isso não acontecer temos que exigir das novas prefeituras municipais que tenham obrigação de fazer planos de políticas específicas para as mulheres”, destaca Carmen.

(Originalmente publicado na Agência Brasil)



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