“Não queremos volta ao passado”

O secretário internacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) falou à Fórum sobre a atual edição do FSM e qual a contribuição do processo do Fórum para os movimentos sociais de todo o mundo. confira trechos...

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O secretário internacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) falou à Fórum sobre a atual edição do FSM e qual a contribuição do processo do Fórum para os movimentos sociais de todo o mundo. confira trechos da entrevista abaixo:

Contribuição do FSM

Hoje os movimentos sociais têm um protagonismo muito maior. do que há dez anos, quando o FSM teve início. E acho que essa é a principal conquista do Forum. Aqui no Brasil, já tínhamos as centrais sindicias, o MST, sempre com uma presença política muito forte. Sempre tivemos um diálogo intenso, mas a partir do Fórum pudemos contar com um espaço pra dialogar com os outros movimentos, não só daqui como de outras partes do mundo. É o mais belo espaço que se construiu na História para a construção de políticas, mas infelizmente a imprensa brasileira e outros atores sociais não querem divulgar isso.

Integração dos movimentos

No caso do movimento sindical é diferente porque já existem organizações internacionais que promovem essa integração. E o que o Fórum ajuda na luta dos movimentos sindicais? Justamente na interlocução com os outros movimentos e isso que é espetacular. Antes tinhamos essa interlocução com os movimentos sociais brasileiros, mas não com os de outras partes do mundo. Há dez anos nem todas as centrais atuavam no Fórum, mas passaram a
atuar de alguns anos pra cá porque  perceberam que, para
formjular uma pauta política ampla, não adianta apenas conversar oom o mundo sindical, é preciso debater com a juventude, mulheres, movimentos ambientais.

Eleições 2010
Pela primeira vez na História, as seis principais centrais podem optar
por uma candidatura que não implique na volta ao passado. Todas reconhecem que no atual governo se avançou muito na questão
trabalhista, da participação política e não querem o retorno ao passado. E quando se fala de volta ao passado, não é simplesmente por uma questão partidária, mas sim de auto-defesa. Queremos partir do projeto atual e avançar, não está na nossa pauta apoiar uma candidatura que represente o retrocesso como, por exemplo, a de José Serra. 

Política econômica

Vamos continuar reinvindicando que o Banco Central diminua a taxa de juros, que o superávit primário não seja tão elevado, embora tenha diminuído recentemente. Precisamos discutir urgentemente a questão do câmbio porque a forma como os produtos chineses, coreanos, entram no Brasil, esfacelam a indústria nacional. Temos nosso projeto de desenvolvimento e queremos conversar com a candidata Dilma e podemos conversar com outras candidaturas também.

Grande imprensa

Critico muito a grande imprensa brasileira porque a forma como ela tem se comportado é um atentado à democracia. Não vejo problema em criticar a CUT, sua posição política, mas a crítica é sempre preconceituosa. Chego aqui e a primeira pergunta que fazem é: quem está financiando o Fórum Social Mundial? A Petrobras financia o Flamengo, a Caixa Econômica Federal patrocina a seleção de basquete porque não pode com o Fórum? Inclusive as estatais patrocinam e financiam os grandes veículos de comunicação brasileiros.



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