O debate a respeito do FSM

Ainda faltava a batida de martelo, mas ao fim do Fórum era quase dado como certo que em 2008, em vez de um evento, ele se organizaria como movimento Por Renato Rovai   É incrível a...

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Ainda faltava a batida de martelo, mas ao fim do Fórum era quase dado como certo que em 2008, em vez de um evento, ele se organizaria como movimento

Por Renato Rovai

 
É incrível a capacidade que o Fórum tem de superação em si mesmo. Quando esta sétima edição se iniciou no Quênia, em meio a uma desorganização generalizada por conta da forma um tanto autoritária que o comitê organizador local se comportou, parecia que ali poderia se começar o que um dos seus mais entusiasmados colaboradores chamou de uma “inflexão do movimento”. Ao final, mesmo a organização não tendo melhorado em quase nada, a maioria parecia convencida de que ter conseguido realizar um FSM na África foi um marco para o movimento altermundista.
No Conselho Internacional do FSM existem duas vertentes bastante claras de compreensão do que deve ser o papel do Fórum. Uma defende um papel mais dirigido das suas ações. Outra entende que ele deve se manter da forma como é, sendo um espaço aberto para todas as lutas e que elas, em função de sua capacidade organizativa, construção de militância etc., vão ocupando espaços na sociedade. Nesta edição, esse debate não se deu de forma tão intensa como em Caracas (Venezuela) e em Bamako (Mali), edições policêntricas de 2006. Talvez porque de algum jeito algumas construções já estejam sendo realizadas e podem ir aproximando as duas posições.
Ainda faltava a batida final de martelo, mas ao fim do Fórum era quase dado como certo que em 2008, em vez de um evento, ele se organizaria como movimento. Nas datas em que estivesse ocorrendo o Fórum Econômico Mundial, organizações de todos os pontos do planeta fariam grandes atos com temas locais que estariam inseridos nos dias de luta do movimento altermundista mundial. Esse seria o FSM em Movimento. Em 2009, seria realizado o evento. E assim permaneceria o calendário daqui em diante.
Mas então não haveria FSM evento em 2008? Como FSM, não, mas diferentes fóruns regionais, temáticos e nacionais acontecerão ainda neste e no próximo ano, alguns, inclusive, intencionando ser de grande porte. No ano que vem, a Guatemala, por exemplo, seria sede de um Fórum Latino-Americano, e a Bahia é cogitada para realizar um grande encontro que poderia ser algo como um Fórum da Libertação dos Povos e da Construção de Alternativas por Um Mundo Possível, por exemplo, já que em 2008 completam-se 120 anos da promulgação da lei que deu a liberdade aos negros brasileiros ainda escravizados.

Contra a Guerra
Há também algumas datas que pedem grandes manifestações, que organizações participantes deste FSM já começam a organizar. No dia 19 de março, data que marca quatro anos da invasão ao Iraque, deve-se trabalhar numa série de atos contra a guerra e a ocupação daquele país. Na mesma época da reunião do G-8, deve-se tentar fazer um grande encontro das organizações que participam da Assembléia dos Movimentos Sociais que acontece no FSM para apontar outros caminhos ao planeta e, simultaneamente, definir uma agenda de mobilizações e ações para o resto do ano.
Uma outra data – que pode ganhar força a partir do chamado dos latino-americanos que vivem nos EUA e agora também a partir da convocação de entidades do movimento rural africano, que pretendem realizar manifestações contra o acordo de livre comércio entre a África e Europa – é o dia 1o de maio. Mesmo entidades brasileiras já imaginam fazer algo além das tradicionais mobilizações relacionadas ao universo do trabalho.



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