OEA não consegue consenso sobre eleições de Honduras

Dividida, a Organização dos Estados Americanos (OEA), reunida nesta segunda-feira, 23, não conseguiu chegar a uma postrura comum frente às eleições presidenciais de Honduras, que foram convocadas para o próximo domingo. O pleito, que...

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Dividida, a Organização dos Estados Americanos (OEA), reunida nesta segunda-feira, 23, não conseguiu chegar a uma postrura comum frente às eleições presidenciais de Honduras, que foram convocadas para o próximo domingo. O pleito, que acontecerá sob o comando de um regime golpista, foi rechaçado pela grande maioria dos países latino-americanos. Apenas Estados Unidos e Panamá já anunciaram que reconhecerão o resultado das urnas oficialmente.

O novo secretário-assistente de Estado para o Hemisfério Ocidental dos EUA, Arturo Valenzuela, reafirmou o questionável apoio de seu país às eleições. "Essas eleições não foram inventadas pelo regime de fato em busca de uma estratégia de saída ou para encobrir um golpe de Estado. Pelo contrário, são eleições que respeitam o mandato constitucional de renovação do Congresso e da presidência e permitem ao povo hondurenho exercer sua vontade soberana", justificou-se Valenzuela.

Os EUA estão pressionando vários países a reconhecer as eleições de domingo, o que abriria o caminho para a readmissão de Honduras na OEA. Panamá, Canadá, Peru e Colômbia devem reconhecer a votação. A posição do Peru e da Colômbia irritou o Brasil.

Os dois países firmaram a declaração do Grupo do Rio no dia 5, em que diziam não aceitar as eleições hondurenhas sem o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya. "Isso mostra como eles são incoerentes e permeáveis às pressões externas", disse um diplomata brasileiro.

A grande incógnita é a posição do México. "Se o México reconhecer as eleições, apesar de sua chanceler (Patricia Espinosa) ser de esquerda, teremos uma grande divisão na região – de um lado Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) e Brasil; de outro, EUA, Colômbia, Peru, Canadá e México", disse ao Estado uma fonte do Congresso dos EUA.

"Temos visto um discurso duplo, uma dupla moral, que lamentamos e pedimos retificação", disse Patricia Rodas sobre a posição dissidente de alguns países. Segundo ela, EUA, Colômbia e Panamá estão cometendo "um erro ao apoiar um regime que chegou ao poder pelas armas". A chanceler fez um chamado "àqueles governos que estão tentando explicar o inexplicável", para que "se abstenham de ratificar um processo espúrio". Ela defendeu que as eleições sejam "reprogramadas quando recuperarmos a prdem e a democracia".

A OEA convocou uma assembleia extraordinária para o dia 4. Nela, a organização se posicionará sobre uma decisão que o Congresso hondurenho deve tomar no dia 2 – se e quando Zelaya será restituído ao poder.

Ontem, Valenzuela enfatizou que os EUA esperam que as eleições ocorram paralelamente à formação do governo de união e da comissão verificadora – prevista no Acordo San José-Tegucigalpa. Valenzuela também disse que o afastamento temporário do líder do governo de facto, Roberto Micheletti, da presidência é bem-vindo, pois "abre espaço para concessões".

Odorico Paraguassu
Representantes brasileiros voltaram a dizer ontem que consideram esse afastamento uma "fraude". O embaixador brasileiro na OEA, Ruy Casaes, comparou Micheletti ao personagem Odorico Paraguassu de O Bem-Amado, novela de Dias Gomes, e ao personagem Alberto, interpretado por Alberto Sordi, no filme Os boas-vidas, de Federico Fellini. "Não há condições para que haja reconhecimento das eleições", disse Casaes.

Com informações do Vermelho.



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1 comment

  1. Azarias

    Cara-de-pau o secretário estadunidense Sr.Valenzuela, ao dizer: “…são eleições que…permitem ao povo hondurenho exercer sua vontade soberana.“ Inúmeras pessoas estão sendo presas e torturadas, inúmeras desaparecidas, assassinadas. Motoqueiros encapuzados passam de madrugada dando tiros nos bairros populares. Intimidações sobre os funcionários públicos e professores. Está havendo recrutamentos obrigatórios para servir as forças armadas e os jovens trabalharem nas eleições. Isto é vontade soberana?

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