Opinião: Dia 30, América Latina nas ruas contra a crise: Onde está o movimento da Economia Solidária?

Os movimentos sociais de toda a América Latina realizam, nesta segunda feira, 30 de março, um ato político continental contra a crise capitalista. Denunciando as consequências nefastas para os trabalhadores e ao mesmo tempo...

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Os movimentos sociais de toda a América Latina realizam, nesta segunda feira, 30 de março, um ato político continental contra a crise capitalista. Denunciando as consequências nefastas para os trabalhadores e ao mesmo tempo apresentando algumas propostas.

Nos chama a atenção que na pauta Latinoamericana o tema da Economia Solidária está contemplada na pauta dos movimentos, com referências às fábricas recuperadas e a produção autogestionária, o que infelizmente não vemos na pauta dos movimentos sociais no Brasil.

Por isso mais uma vez destacamos a ausência do Movimento da Economia Solidária do Brasil das mobilizações do movimento social, o que acarreta como consequência uma invisibilidade gritante de suas pautas.

Um movimento que congrega 27 fóruns estaduais, centenas de fóruns locais, ONGs, empreendimentos Econômicos Solidários em todo o país, mas que não consegue intervir em uma ato político desta magnitude, ficando ausente da luta dos trabalhadores é um problema muito sério que precisa ser enfrentado o quanto antes pelo movimento da Economia Solidária.

Na pauta de propostas dos movimentos sociais do Brasil para este dia 30 não se menciona o tema das alternativas a partir da autogestão, com o financiamento público para empresas de Economia Solidária. O incrível é que o Brasil é um dos países da América Latina onde a Economia solidária mais tem se desenvolvido, entretanto, a “Economia dos Trabalhadores está ausente do horizonte dos movimentos sociais, mesmo que a atual conjuntura possibilite um avanço de projetos deste tipo, contribuindo para solapar o próprio sistema capitalista.

Isso é um reflexo do que estamos apontando desde o ano passado como a falta de iniciativa política de mobilização e articulação do movimento da Economia Solidária, em especial o Fórum Brasileiro de Economia Solidária, com os demais movimentos sociais.

Se não for por ação do próprio movimento de economia solidária, a partir da iniciativa do Fórum Brasileiro de Economia Solidária-FBES, ninguém irá pautar a possibilidade da “Economia dos Trabalhadores” como alternativa ao capitalismo. Infelizmente essa é mais uma grande oportunidade perdida. Tanto para dar visibilidade para a sociedade das pautas da Economia Solidaria (Plataforma do FBES, Resoluções da I Conferência Nacional de Economia Solidária, Resoluções da IV Plenária), como para avançar no fortalecimento político do movimento.

Abaixo publicamos a convocatória continental da mobilização do dia 30, publicada na Kaosenlarede, onde em vários momentos o tema da autogestão e das fábricas recuperadas é citado. No banner abaixo, do site do MST, você acessa a convocatória do Brasil, que não faz alusão nenhuma vez ao tema da Economia Solidária e a autogestão.

NO VAMOS A PAGAR POR LA CRISIS, QUE LA PAGUEN LOS RICOS.

El 30 de marzo estaremos en la calle, al igual que miles de luchadores y luchadoras en toda América para decir: NO VAMOS A PAGAR POR LA CRISIS, QUE LA PAGUEN LOS RICOS.

Reclamamos:
– Salario y trabajo digno para todos los trabajadores/as ocupados/as, desocupados/as, autogestionados/as, rurales y urbanos.- La nacionalización de la banca sin indemnización y bajo control social.

– Basta de despidos. Reducción del tiempo de trabajo sin reducción del salario y mantenimiento de los puestos de trabajo. Fábrica Cerrada, Fábrica Recuperada.

– La estatización del comercio exterior con control social.

– Poner fin a las guerras, retirar las tropas de ocupación y desmantelar las bases militares extranjeras así como garantizar el cese del desplazamiento de las poblaciones producto de la guerra, especialmente mujeres y niños/as .

– Reconocer la soberanía y autonomía de los pueblos, garantizando el derecho a la autodeterminación.

– Garantizar el derecho a la tierra, a la vivienda, al territorio, trabajo, educación y salud para todas y todos reconociendo las experiencias de autogestión y cooperación que se vienen desarrollando como los bachilleratos populares, las experiencias de autogestión de construcción, las recuperadas y experiencias de trabajo autogestivo.

– Reforma agraria integral. Basta de desalojos a los campesinos/as.

– Efectiva titularidad de tierras en la ciudad de quienes deben recuperar espacios abandonados para garantizarse el derecho a la vivienda digna.

– No al pago de la deuda externa ilegítima, redireccionamiento de esos recursos para garantizar los derechos sociales. Auditoría de la deuda.

– Medidas para garantizar la soberanía alimentaria y enerética. Recuperación efectiva de las empresas privatizadas con el auge del neoliberalismo (comunicaciones, transporte, petróleo, gas, agua, energía).

Con la firme convicción de que es posible una nueva gesta de independencia latinoamericana, de los pueblos y para los pueblos, por una integración popular, por la vida, por la justicia, por la paz, por la soberanía, por la identidad, por la igualdad, por la libertad de América Latina, por una auténtica emancipación, que tenga en su horizonte el socialismo.

*PAULO MARQUES é colaborador, 35 anos, é pesquisador e militante da Economia Solidária. Atualmente realiza pesquisa de doutorado na Universidade de Granada/Espanha sobre a organização política dos trabalhadores da Economia Solidária. Paulo também colabora com o blogue Economia Socialista.

Originalmente publicado no blogue Outra Economia Acontece



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