Os eco-crimes da indústria florestal

Um pouco por todo o lado, encontram-se bancas informativas, petições e exposições das mais diversas causas, desde os direitos dos indígenas ao vegetarianismo, passando pelos direitos dos trabalhadores. Um grupo da ActionAid, uma ONG...

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Um pouco por todo o lado, encontram-se bancas informativas, petições e exposições das mais diversas causas, desde os direitos dos indígenas ao vegetarianismo, passando pelos direitos dos trabalhadores. Um grupo da ActionAid, uma ONG de combate à pobreza, veste-se de cor-de-rosa e óculos de sol. São os cobradores da dívida ecológica e andam atrás dos mais ricos para os forçar a compensar os mais pobres pela destruição do seu ambiente.

O debate sobre capitalismo e alterações climáticas tem a sua sequência hoje, com a apresentação dos vários grupos envolvidos nas mobilizações pela justiça climática. O Climate Justice Action (Ação pela Justiça Climática) formou-se no ano passado como uma rede de movimentos com o fim de preparar as manifestações para esta Conferência das Partes. O esforço é complementado pelo Climate Collective (Colectivo pelo Clima), uma rede de movimentos dinamarqueses.

Na apresentação das ações de protesto foi constante o tom crítico em relação às tentativas da parte dos países ricos para minar qualquer acordo vinculativo e para expandir o comércio de carbono. Na mesma linha de pensamento, a campanha Hopenhagen foi catalogada como greenwash. Esta campanha junta várias empresas, incluindo a Vattenfall, que opera várias centrais a carvão, a Siemens e a Coca-Cola, e pretende vender a ideia de que estas empresas estão muito interessadas em que um acordo justo e eficaz seja assinado na reunião.

Noutra sala, o Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais denuncia como a indústria ligada às florestas está conseguindo que as negociações climáticas tratem monoculturas de árvores como florestas. O que isto implica é que uma empresa que arrase uma floresta virgem para plantar uma monocultura de eucaliptos ou de palma pode receber créditos de carbono pela suposta redução de emissões. Por outro lado, as incertezas relativas à quantidade de dióxido de carbono sequestrado pelas florestas (a margem de incerteza pode ir até 500%) têm sido ignoradas.

Este movimento tem estado também ativo na denúncia da forma como questões relacionadas com os direitos dos indígenas têm sido ignoradas nas discussões sobre florestas. Como consequência, empresas ligadas à compensação de emissões podem expulsar das suas florestas as pessoas que lá vivem, como se fossem eco-criminosos.

A conversa conta com vários indígenas de todo o mundo na plateia, vestidos com as suas coloridas roupas tradicionais. À medida que os dias passam, o Klima Forum tem cada vez mais gente e apresenta uma amostra cada vez mais representativa dos povos do mundo.

O debate continua com uma sessão sobre os limites de crescimento. Tim Jackson falou do seu já famoso relatório “Prosperity without growth”. Trata-se de um estudo realizado ao abrigo da Sustainable Development Comission, um órgão de aconselhamento do governo britânico, que defende a reformulação da economia, de forma a que possamos viver bem dentro dos limites impostos pela escassez de recursos naturais. Sem entrar num discurso negativista, Tim defendeu o fim da cultura individualista e materialista e a recuperação do sentido dos bens públicos e dos espaços públicos.

Mais prático foi o discurso de Sophy Banks, do Transitions Towns Movement. As cidades de transição são locais onde as pessoas encontram em conjunto formas de reduzir o consumo de energia e de recursos de forma a ter mais resiliência, abundância e uma vizinhança mais agradável. O exemplo que Sophy deu, de Totne, Reino Unido, mostra como uma comunidade pode ganhar o poder para conseguir uma mudança real.

No fim do dia, chega a comitiva da Caravana da Justiça Social e Climática. Esta caravana juntou 60 ativistas de movimentos sociais na ligação entre os protestos contra a OMC em Genebra e os atuais protestos em Copenhague. A sua chegada foi motivo de aplauso.

Fora do Klima Forum, nada de novo. A Organização Meteorológica Mundial avisou que esta será a década mais quente de sempre, sendo o ano de 2009 o quinto ano mais quente desde que há registros. Mas não é de prever que isto tenha qualquer efeito nas posições dos negociadores internacionais.

Continua também a repressão policial. Durante a noite, às 3 da manhã, cerca de 200 polícias invadiram o centro Ragnhildgade, onde é dado alojamento gratuito aos ativistas, confiscando vários materiais e ferramentas com os quais se tentava criar melhores condições de alojamento.

Mais notícias sobre o que se passa aqui podem ser vistas no segundo número do Climate Chronicle , onde se encontram também um artigo da Naomi Klein e uma entrevista com Annie Leonard, realizadora do “The story of cap and trade”.

Publicado por Esquerda.net.



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