Pecuária representa metade da emissão de gases de efeito estufa no Brasil

Um estudo lançado hoje no Brasil e que será apresentado no próximo sábado (12) na Conferência do Clima, em Copenhague, estimou a quantidade de emissões de gases de efeito estufa associada à pecuária no...

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Um estudo lançado hoje no Brasil e que será apresentado no próximo sábado (12) na Conferência do Clima, em Copenhague, estimou a quantidade de emissões de gases de efeito estufa associada à pecuária no Brasil. De acordo o documento, o setor é responsável por metade das emissões de gases do efeito estufa no Brasil.

O estudo, intitulado de "Estimativa de Emissões Recentes de Gases de Efeito Estufa pela Pecuária no Brasil", foi elaborado por dez pesquisadores, entre eles Mercedes Bustamante (UnB), Carlos Nobre (Inpe) e Roberto Smeraldi (Amigos da Terra – Amazônia Brasileira).

O relatório buscou estimar a emissão de gases de efeito estufa vinculada à pecuária bovina no Brasil entre 2003 e 2008, de três fontes principais: desmatamento para formação de pastagens; queimadas de pastagem; e fermentação entérica do gado.

As emissões no período de 2003 a 2008, medidas em toneladas de carbono equivalente (ton CO2e), variam entre 813 milhões a 1090 milhões de toneladas de CO2e. Se considerarmos o inventário de emissões brasileiras, divulgado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), todas as emissões do Brasil somariam cerca de 2000 milhões de toneladas de CO2e. Ou seja, apenas a pecuária representa aproximadamente a metade de todas as emissões do Brasil.

O estudo procurou calcular apenas as emissões de desmatamento associadas à pecuária. Com isso, descobriu que cerca 3/4 do total desmatado na Amazônia e 56% do total desmatado no Cerrado resultaram em implantação de novas pastagens.

A pecuária da Amazônia emitiu entre 449 e 775 milhões de toneladas de CO2 e, e a do Cerrado, entre 229 e 231 milhões de toneladas . No resto do país, foram emitidos entre 84 e 87 milhões de ton CO2 pela pecuária.

De acordo com o estudo, os valores devem ser considerados conservadores, já que não calcula emissões complementares da atividade, como as oriundas do transporte de gado, por exemplo.

Recomendações

Os pesquisadores também indicam algumas políticas públicas para reduzir o impacto da pecuária brasileira nas mudanças climáticas. Segundo o estudo, opções de mitigação no setor não implicam em diminuir a produção atual, e podem ser compatíveis com um aumento moderado da produção.

"O Brasil deve caminhar para uma agricultura integrada ao ambiente tropical, científica e tecnológica, que, ao mesmo tempo em que aumenta sua eficiência, diminui seu impacto ambiental, inclusive quanto às emissões", defende o climatologista Carlos Nobre.

As principais opções para diminuir esse impacto seriam a redução do desmatamento, a eliminação do fogo no manejo de pastagens, recuperação de pastagens e solos degradados, a regeneração da floresta secundária, a redução da fermentação entérica, integração lavoura-pecuária, entre outros.

"O potencial de redução de emissões de gases estufa oferecido pela pecuária no Brasil é muito expressivo. Por representarem aproximadamente 50% das emissões totais brasileiras de gases de efeito estufa concentradas em um único setor, constituem assim a mais importante oportunidade de mitigação brasileira", diz o estudo.

Os pesquisadores defendem que a criação de grandes frigoríficos deve estar vinculada a um zoneamento adequado, já que trata-se do principal motor para a expansão descontrolada e sem precedentes da atividade pecuária.

Além disso, o documento considera que é importante que as políticas de fornecimento sejam baseadas em critérios transparentes e que contemplem devidamente o objetivo de melhorar o balanço de gases de efeito estufa dos produtos, em vez de meros critérios negativos de exclusão, como simples listas negras.

"Com base no estudo, constatamos que o custo das emissões de carbono por unidade de produto supera o próprio custo do produto no atacado", avalia Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, co-autor do estudo. Segundo ele "a sustentabilidade econômica da indústria da carne requer drástica queda em carbono-intensividade, e as recomendações do estudo mostram que isso seria perfeitamente possível".

Por Envolverde.



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1 comment

  1. Walter

    Já li muitos artigos a respeito penalizando a agropecuária pelo efeito estufa. Evidentemente, como agrônomo (não pesquisador ) não tenho como comprovar ,com números, mas ,não aceito. Isto porque os números divulgados variam muito.(de 18%-50%),e, porque sómente mostram os números da agropecuária. Não mostram os demais causadores. Por que será? Alguns dados são meros chutes sem nenhum embasamento.Portanto,gostaria que o SENGE publicasse matéria onde todas as fontes apareceriam. Provávelmente os autores deste trabalho tem estes números,já que calcularam o percentual da agropecuária.Gostaria,tambem que fossem divulgados as bases de cálculo. Para terminar.AFaep publicou artigo de meteorologista (Lazinski) que afirma que o CO2 não é responsável pelo efeito estufa.Portanto se a comunidade cientifica nem sabe ao certo o causador ,em quem acreditar? Walter jark Filho

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