Pesquisa mapeia riscos que as meninas correm online

Os tempos mudaram, as mulheres se emancipam cada dia mais e a realidade se moderniza a cada minuto. As mudanças da realidade e as novas tecnologias vieram para ficar, o conhecimento está ficando mais...

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Os tempos mudaram, as mulheres se emancipam cada dia mais e a realidade se moderniza a cada minuto. As mudanças da realidade e as novas tecnologias vieram para ficar, o conhecimento está ficando mais acessível e a possibilidade das mulheres se aproveitarem disso para ganhar autonomia certamente cresceu com isso. Mas não necessariamente as meninas deixaram de ser um grupo especialmente frágil. A nova geração não veio geneticamente preparada para lidar com as dificuldades e perigos que essa modernidade traz: a superexposição de informações pessoais, o risco de sofrer invasão de privacidade e assédio de todo tipo.

Para descobrir como lidar com a vulnerabilidade das meninas num mundo cada vez mais conectado, durante o mês de março, uma pesquisa está disponível na internet para conhecer esses riscos do ponto de vista de adolescentes de até 19 anos. Os organizadores da pesquisa querem levantar quais são os pontos de vulnerabilidade para as meninas que utilizam as tecnologias de informação e comunicação (TICs), principalmente internet e celular.

A pesquisa pode ser encontrada no site da Parceria para a Proteção da Criança e Adolescente do Brasil (Child Protection Partnership – CPP Brasil) e é importante incentivar que o maior número possível de meninas e meninos, dos mais diferentes perfis socioeconômicos, respondam às perguntas e apontem o seu ponto de vista sobre as situações que vivenciam nos meios digitais.

A aplicação desse questionário online voltado para adolescentes é parte da frente de investigação “Adolescentes Brasileiras e sua Realidade no Mundo Virtual” que a Plan, organização internacional voltada para direitos da criança, escolheu este ano como tema de seu programa especialmente voltado para meninas, chamado “Because I’m a Girl” ("Porque Eu Sou Menina").

A CPP Brasil é a organização encarregada da execução de todo o levantamento, composto por essa pesquisa e por atividades “no mundo real” com grupos de adolescentes em São Paulo, além da aplicação de um outro questionário online, destinado a adultos interessados em colaborar, que está disponível no mesmo site. O trabalho segue a metodologia desenvolvida pelo Instituto Internacional para os Direitos e Desenvolvimento da Criança e Adolescente (International Institute for Child Rights and Development – IICRD), do Canadá, e envolve a elaboração de um relatório detalhado a respeito dos riscos identificados e das soluções de enfrentamento e prevenção encontradas.

“É difícil para os pais saber como lidar com essas novidades. Eles alertam para não falar com estranhos, como já é tradicional, mas no que diz respeito às TICs, tudo é uma novidade para os adultos, então eles muitas vezes nem sabem como orientar”, afirma Luiz Rossi, coordenador da CPP Brasil. É difícil medir as possibilidades, mas para a CPP, que realiza outros projetos, não só com meninas, está claro que o abuso de crianças e adolescentes é facilitado no meio virtual, porque é comum o anonimato ou mesmo a falsa identificação de pessoas mal intencionadas, o que engana os navegantes mais novos.

Para Rossi, para conhecer os detalhes dessa realidade é muito importante conversar com as próprias meninas. Ele participou das atividades nos chamados grupos focais, que reuniu as 350 garotas participantes várias vezes desde o começo de fevereiro para conversas a respeito do tema. Não é fácil dialogar francamente, mas a metodologia desenvolvida pelo IICRD para essa fase, chamada “círculo de direitos”, possibilita a criação de laços de confiança e sinceridade para que os e as participantes colaborem com a escuta profunda, porque é feita uma sensibilização honesta a respeito dos objetivos do trabalho. Com isso, as integrantes dos grupos focais desta pesquisa descreveram as situações e ajudaram a abrir os horizontes a respeito de como lidar com os riscos. “Ouvi todo tipo de história nos grupos”, conta Rossi. Respeitando a sinceridade e a privacidade das meninas, as histórias e as análises ficam para o relatório final, que deve ser publicado pelo “Because I’m a Girl” no segundo semestre. 

Publicado no Portal Pró-Menino.



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