Planejamento integrado para uma mobilidade sustentável

Os sistemas de mobilidade das cidades com rápido desenvolvimento atualmente não são sustentáveis, e a situação está se deteriorando, embora as oportunidades estejam aumentando e sejam um importante motor do desenvolvimento econômico. Esta é...

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Os sistemas de mobilidade das cidades com rápido desenvolvimento atualmente não são sustentáveis, e a situação está se deteriorando, embora as oportunidades estejam aumentando e sejam um importante motor do desenvolvimento econômico. Esta é a conclusão do relatório “Mobilidade para o Desenvolvimento”, do WBCSD (sigla em inglês para Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável).

A Área de Atuação de Desenvolvimento do WBCSD uniu forças junto aos principais membros da indústria de transportes para produzir o relatório, que resume as conclusões de um estudo de dois anos sobre o estado da mobilidade em cidades de rápido crescimento no mundo em desenvolvimento. O estudo mede o estado da mobilidade em quatro cidades de rápido desenvolvimento – Bangalore (Índia), Dar es Salaam (Tanzânia), São Paulo (Brasil) e Xangai (China).

O relatório baseia-se em trabalhos anteriores do WBCSD, resumidos na publicação “Mobilidade 2030: Reunião dos desafios para a sustentabilidade”, que define mobilidade sustentável como “a capacidade de satisfazer desejos e necessidades da sociedade para mover livremente, obter acesso, comunicação, comércio e estabelecer relações sem sacrificar outros valores fundamentais humanos ou ecológicos, hoje ou no futuro”.

O que aprendemos com isso

“As conclusões gerais em torno da sustentabilidade estão em conformidade com as cidades que estudamos, e na verdade estão muito claras”, observa Ricarda McFalls, diretora-gerente do grupo de desenvolvimento do WBCSD, “há o reconhecimento das empresas na mensagem de que deve ser feito algo mais para proporcionar um equilíbrio integrado nas opções de transporte público, privado e de pedestres”.

Em geral as oportunidades em mobilidade em todas as quatro cidades estão se expandindo, mas para comunidades com menor renda a situação está piorando. Pedestres, ciclistas e passageiros de ônibus têm de circular por ruas cada vez mais congestionadas e calçadas cada vez piores. Os riscos relacionados ao transporte nos setores de saúde e segurança continuam a ser um grave problema. O mau estado das estradas e dos veículos, cruzamentos mal controlados e condutores inexperientes são as principais causas de acidentes relacionados ao transporte.

Moradores das cidades que participaram de diálogos organizados pelo WBCSD, associados locais e instituições acadêmicas informaram que não estão confiantes de que a mobilidade sustentável será alcançada em suas cidades, e muitos temem que a situação se deteriore ainda mais. Para eles, os principais desafios são uma consulta pública adequada nos processos de planejamento, consulta e coordenação entre as autoridades municipais e falta de capacidade para financiar e manter os investimentos.

Para atingir níveis maiores de sustentabilidade, as recomendações contidas no relatório chamam para a liderança e colaboração no sentido de um maior planejamento integrado, uma abordagem integrada e abrangente para o uso urbano da terra e planejamento de transportes e melhor acesso à mobilidade através da integração dos transportes público e privado.

Soluções inovadoras, como a implantação de sistemas inteligentes de transporte, estão ganhando terreno e podem ajudar a mitigar os impactos negativos dos transportes, além de conectar o transporte alternativo. Finalmente, os usuários de transportes individuais precisam ser educados e empoderados de forma a fazer escolhas mais seguras e eficientes.

As conclusões do relatório “Mobilidade para o Desenvolvimento” apresentam um retrato da situação da mobilidade nessas cidades atual, mas acreditamos que os diálogos organizados em cada cidade não terão sido em vão, apenas parte de um debate contínuo através do qual os progressos serão avaliados ao longo do tempo.

Com informações da Envolverde/Mercado Ético.



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