Prefeitura investe em transporte mais no centro do que na periferia

Em dez anos, a prefeitura de São Paulo investiu no transporte da região que menos cresceu na cidade, o centro, e deixou de investir na periferia. O dado foi apresentado pela própria administração em...

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Em dez anos, a prefeitura de São Paulo investiu no transporte da região que menos cresceu na cidade, o centro, e deixou de investir na periferia. O dado foi apresentado pela própria administração em pesquisa da Secretaria de Transportes Metropolitanos apresentada ontem.

A pesquisa aponta que as sub-regiões norte e leste viram suas populações aumentadas em mais de 35% cada, enquanto o centro perdeu 3% de sua população. Paralela a essa descentralização da população da cidade, os empregos permanecem no centro (65% do total) o que, conseqüentemente, demanda um atendimento maior por transporte das periferias ao centro. Porém, essa demanda não tem sido atendida pela prefeitura, que pouco tem investido no transporte público para as regiões mais afastadas do centro.

Além do deslocamento interno da população, os paulistanos também começaram a usar mais transporte público do que antes. Os moradores da Zona Norte foram os que mais passaram a usar transporte público: em 1997 eram 182 mil usuários, e em 2007, 267 mil. Em toda a cidade, o número de viagens de trabalho cresceu de 13 mi para 17 mi de viagens. Os deslocamentos motorizados para o trabalho são realizadas por 55% dos paulistanos. Só em 2002 houve um registro de maior uso de transporte individual (52,3% do total de deslocamentos motorizados), sendo invertido logo depois. Já o número de carros permaneceu estável nos últimos 10 anos e acompanhou o crescimento populacional da cidade: 16%.

A pesquisa também revela que 32,9% do total de paulistanos se locomove a pé. Em números absolutos, isso significa que 12,3 milhões saem de casa todos os dias sem pegar qualquer meio de transporte motorizado. O número está um pouco abaixo do registrado em 1997, quando 34,9% da população (que antes representava 11 milhões de paulistanos) andava a pé. Grande parte desse universo é de estudantes, segundo a pesquisa. São 6,4 mi de estudantes que vão e voltam das escola a pé, enquanto operários, domésticas e trabalhadores de outras categorias somam 2,9 mi.

Os usuários de bicicletas se multiplicaram nos últios anos: hoje 300 mil viagens são feitas sobre o veículo, enquanto há 10 anos o número era de 160 mil.

Diferença de renda
A pesquisa também mostra que a população de menor renda é a maior usuária do transporte coletivo: enquanto 36% dos usuários têm renda familiar até R$ 760,00, para apenas 18% a renda corresponde a mais de R$ 5.700,00.

De acordo com recente pesquisa de Origem e Destino realizada pelo Metrô, as diferença na renda, no entanto, não mudam a quantidade de tempo que cada classe passa no trânsito paulistano. Enquanto a classe E passou a gastar 3 minutos a mais, na média, dentro do transporte coletivo (de 64 para 67 minutos), a classe A passou a gastar 9 minutos a mais dentro do coletivo (de 50 a 59 minutos).

A pesquisa Origem Destino abrangeu 92 mil pessoas nos 39 municípios da Grande São Paulo. Foram 214 dias de levantamento, em 431.658 endereços.

Investimentos
A maior parte dos investimentos em transporte público é nas linhas de metrô, que, segundo o governo, serão ampliadas para 240 km, alcançando o Butantã pela Linha Amarela, Vila Prudente e Oratório, pela Linha Verde, Campo Belo pela Linha Lilás da CPTM, Brasilândia e Vila Nova Cachoeirinha, pela Linha Laranja da CPTM.

Regiões mais periféricas como São Mateus, Itaquera e Parelheiros são as menos atendidas pelo transporte público, e não há planos de implantação de linhas de metrô ou ferroviárias nessas regiões.

Com informações do UOL e a Agência Estado.



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