Professores do ensino privado carioca indicam paralisação

Em assembléia no sábado 9, o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (SinproRio) estabeleceu o dia 23 como data limite para o cumprimento de suas reivindicações. Caso não entrem...

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Em assembléia no sábado 9, o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (SinproRio) estabeleceu o dia 23 como data limite para o cumprimento de suas reivindicações. Caso não entrem em acordo até a data, uma nova plenária será realizada, já apontando a paralização. A decisão vale tanto para o ensino básico quanto superior. O sindicato também vai realizar dois protestos, em Madureira e na Zona Sul, com data a ser definida.

A principal reivindicação dos professores é a reposição salarial completa, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulado em 5,92%, somado a um ganho real de 2%. A proposta dos patrões, após três reuniões paritárias, é a de utilizar um reajuste parcelado, com base no INPC. Oferecem um aumento próximo a 4,5% em abril, com complemento em outubro, e ganho real nulo.

O sindicato vai se reunir novamente, no próximo dia 18, com as escolas para negociação. “Nós vamos levar até eles a fragilidade do argumento patronal em relação às reivindicações, que são extremamente enxutas nesse momento”, diz Wanderley Quedo, presidente do SinproRio.

Para o ensino básico, também se reivindica a unificação do calendário de férias dos professores durante o mês de janeiro, com descanso mínimo de 20 dias em junho. Segundo os professores, algumas escolas dão férias aos professores no final de dezembro, incorporando o recesso de fim de ano ao período de férias.

“Por que não colocam nossos direitos no papel? Dizem que é legislar sobre aquilo que já existe. Mentira. Na verdade, quando nós colocarmos as férias em janeiro, eles vão ter que pagar antecipado. E hoje não pagam”, explica Wanderley. Segundo ele, os professores recebem o salário das férias apenas no retorno, assinando a comprovação do pagamento retroativo, o que seria ilegal.

A diferença de calendários entre as escolas também seria um problema, já que os baixos salários obrigam os profissionais a trabalhar em várias instituições, tendo distintos períodos de descanso em cada uma delas. “A grande massa de professores acaba não tendo férias”, denuncia Francilio, vice-presidente do sindicato.

Os patrões alegam que a crise financeira internacional afetou o planejamento das escolas privadas em 2009. Entretanto, já teria havido um reajuste de 8% a 10% nas mensalidades, desde outubro. “Não dá para as escolas elevarem assim seus lucros, e querer nos dar aumento 5,92%”, protesta Afonso Celso Teixeira, 2° secretário do SinproRio. O professor lembra que as escolas se beneficiam do ranking do Enem para angariar mais alunos. A boa colocação atrai pais de estudantes, e justifica o aumento das mensalidades, que não é repassada ao professor.

A manutenção das cláusulas sociais – série de direitos como plano de carreira e adicionais legalizados–, já foi acordada com as escolas de ensino básico privado. Entretanto, na educação superior ainda não se tem um acordo. “Nós não podemos agora pensar, de maneira alguma, em recuo”, aponta Wanderley.

Com informações da Agência Brasil de Fato.



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