Quero votar contra!

Desde não sei quando fala-se em reforma eleitoral, todo mundo finge que quer uma reforma pra valer e por baixo do pano ninguém que tem poder para isso faz reforma nenhuma. Até simulam, fazem...

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Desde não sei quando fala-se em reforma eleitoral, todo mundo finge que quer uma reforma pra valer e por baixo do pano ninguém que tem poder para isso faz reforma nenhuma. Até simulam, fazem umas reforminhas mixurucas, como a que saiu do forno há pouco. Bom… eu também tenho algumas propostas, que vêm dos tempos da Constituinte mas que nenhum parlamentar, até hoje, ousou apresentar no Congresso.

Uma eu já divulguei bastante, escrevi muito sobre ela e continuo em sua defesa aqui. É a criação do voto contra. É uma alternativa que falta pra muita gente na hora de votar pra qualquer cargo, desde vereador até presidente da República. Hoje, podemos votar em um determinado candidato, podemos votar só no partido (no caso do legislativo), votar branco ou nulo. Não basta.

O voto contra seria para ser diminuído de um determinado candidato ou partido. Por exemplo: se o candidato a presidente X tiver vinte milhões de votos e três milhões de votos contra, sobrariam a ele 17 milhões de votos positivos. Se o candidato Y tiver 19 milhões de votos e um milhão de votos contra, lhe sobrariam dezoito milhões de votos, então ganharia do X.

Eu mesmo seria beneficiado por esse tipo de voto, pois nenhum(a) do(a)s pré-candidato(a)s me seduz, mas acho que um deles é pior, pode querer privatizar até o que FHC não conseguiu – a Petrobras e o Banco do Brasil – e além disso gosta de pedagiar tudo quanto é estrada e proibir, proibir, proibir um monte de coisas. É chegado em proibições. Então meu voto, desde o primeiro turno, seria simplesmente contra ele. Quem sabe, com muita gente embarcando nessa ele nem chegasse ao segundo turno!

Hoje, quando chegam dois candidatos ao segundo turno de eleição para presidente, governador ou prefeito, às vezes a gente é contra os dois. Mas é “mais contra” um deles, então se sente meio culpado de não votar em nenhum, temendo que vença aquele que somos “mais contra”. E os que são – por partidarismo, oportunismo, por terem interesses em jogo ou qualquer outro motivo – eleitores do tal que a gente é “menos contra” insistem com esse argumento e enchem o saco de quem acha os dois uma porcaria.

A possibilidade de votar contra alguém é a solução para acabar com essa história do voto útil, ou aquela que “se você votar nulo ou branco, vai ajudar a eleger o fulano”, como dizem uns pilantras fingindo horror. E é mentira, pois quem elege fulano ou beltrano é quem votou nele. Tentam nos impedir o direito de pensar e ser contra, nestes tempos de pensamento quase único.

Com a possibilidade de votar contra alguém, a coisa ficaria mais fácil para quem acha difícil engolir os “menos ruins”. Se voto contra o pior, faço a minha parte sem ter náuseas. Mesmo no segundo turno, quando o fato de votar contra um candidato significa na prática que você votou no outro, é mais fácil de engolir. E o candidato vencedor fica sabendo que não votamos nele, mas contra o outro. Ele não é o “melhor”, só é “menos pior” que o outro. Sua vitória não será motivo de orgulho, mas um alerta: cara, sabemos quem você é!

No caso de eleições parlamentares, se o eleitor optar pelo voto contra, descontaria do candidato e, logicamente, do partido. Tem uns deputados e senadores por aí altamente merecedores do voto contra. E acho que quase todos eles têm medo desse tipo de voto, pois nenhum topa nem pensar sobre o assunto.

Imagino desde já que, se esse tipo de voto fosse criado, surtiria efeito sobre certos parlamentares corruptos, safados e que prometem uma coisa e fazem outra. Ele tem seus eleitores (bobos, comprados ou também safados), então conseguem o mínimo de votos para se elegerem. Mas se a gente pegasse o cara mais simbólico da corrupção de cada estado e fizesse uma campanha pelo voto contra, talvez conseguíssemos que ele tivesse uma votação abaixo de zero, quer dizer, mais votos contra do que votos a favor. Que festa a gente faria!

Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum de novembro. Nas bancas.



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