Rebelião Cultural visa humanizar espaço penitenciário no Rio de Janeiro

Muros altos. Cercas. Isolamento. Essas são algumas, entre tantas realidades vividas pelos detentos do sistema carcerário. A vida de reclusão, além de privar a liberdade como forma de pagamento de pena por uma infração...

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Muros altos. Cercas. Isolamento. Essas são algumas, entre tantas realidades vividas pelos detentos do sistema carcerário. A vida de reclusão, além de privar a liberdade como forma de pagamento de pena por uma infração cometida, priva também o acesso à cultura, esporte e educação. No Rio de Janeiro, há menos de um mês, um projeto vem tentando mudar essa realidade através de várias ações.

Trata-se do Projeto Rebelião Cultural – resultado do F-4, uma junção das organizações não governamentais AfroReggae, Observatório de Favelas, Nós do Morro e Cufa, – que tem como objetivo humanizar o espaço carcerário, além de dar aos detentos, a oportunidade de viver a arte e o esporte, propiciando o estímulo da criatividade cultural. O projeto é realizado nas cinco unidades do Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, e atende em média 650 detentos.

Desenhado há cerca de dois anos, a ideia inicial do Rebelião Cultural era realizar um trabalho de acompanhamento para aqueles presos que estivessem próximos a obterem a liberdade, mas a falta de recursos permitiu apenas a realização de oficinas sócio-educativas.

Para dar consistência ao projeto, os idealizadores realizavam visitas aos presídios para analisar a estrutura do espaço físico e, junto com coordenadores, profissionais e agentes, pensarem a melhor forma e oportunidade de difundir as novas atividades.

Ao todo, nove cursos são oferecidos: Audiovisual, Fotografia, Música, Teatro, Percussão, Capoeira, Grafite, Informática e Basquete. Os professores são ex-alunos de cursos ofertados pelas instituições e são, também, moradores de favelas. As aulas acontecem uma vez por semana e têm duração de duas horas.

De acordo com Elionalva Sousa Silva, uma das coordenadoras do Observatório de Favelas, o F-4 foi bem recebido nos presídios em que atua. "Essa é a primeira vez que 4 ONGs da sociedade civil entram no sistema penitenciário brasileiro para realizar um trabalho como esse", diz.

Os detentos receberam com muita expectativa a iniciativa e é possível perceber a dedicação e a entrega com que eles realizam as atividades, "Eles parecem criança", afirma a coordenadora. E diz ainda: "Nós não temos a pretensão de formar profissionais, mas dar oportunidade de fazer exercer a criatividade, através dessas ações".

De acordo com a coordenadora, há pouco investimento social nessa área e poucas oportunidades. "Existe um discurso negativo em torno desta questão", afirma. Mas mesmo com as adversidades, Elionalva avalia como positivo os resultados até agora apresentados.

O projeto tem o apoio da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro (Seap) e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos do Governo Federal, e é financiado pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

A duração dos cursos é de 1 ano, e ao final, será feito um levantamento apresentando os resultados das atividades. Futuramente, o F-4 pretende ampliar a atuação do Rebelião Cultural e fazer com que este programa seja incorporado como Políticas Públicas do Governo Federal.

Para saber mais sobre o projeto, basta acessar o site das instituições integrantes do F-4:
Observatório de Favelas: www.observatoriodefavelas.org.br
CUFA: www.cufa.org.br
AfroReggae: www.afroreggae.org.br
Nós do Morro: www.nosdomorro.com.br

As matérias do projeto "Ações pela Vida" são produzidas com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CF 2008.
Com informações da Adital.



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