Releia a entrevista de Yasser Arafat à Fórum

Desde 26 de novembro de 2001, um chefe de Estado permanece confinado e não pode sair para nada. Não é figura de linguagem. Naquele dia, o exército israelense cercou o local onde o presidente...

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Desde 26 de novembro de 2001, um chefe de Estado permanece confinado e não pode sair para nada. Não é figura de linguagem. Naquele dia, o exército israelense cercou o local onde o presidente da Autoridade Nacional Palestina eleito em janeiro de 1996, Yasser Arafat, estava e de lá ele não saiu mais. Hoje, mesmo sem o cerco, permanece preso e é apontado abertamente por autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Ariel Sharon como alvo de assassinatos seletivos . Israel não negocia com ele.
A Muqata, escritório de Arafat, era um complexo grande, mas agora só restam dois prédios para seus seguranças e assessores. Ele recebe todas as visitas em uma mesma sala, no terceiro andar. Ao lado dela, dois cômodos servem de quarto para assessores e seguranças do presidente durante a noite, com duas camas sem lençol por quarto. 

As janelas do terceiro andar estão lacradas com placas de metal. Nos outros andares, sacos de areia formam barricadas nas janelas com pequenas frestas suficientes apenas para o cano de uma arma, permitindo alguma reação em um eventual novo cerco. Do lado de fora, escombros e restos de construção formam um cenário de pós-bombardeio. Ferragens contorcidas, pilhas de detritos, rombos em paredes, carros destruídos amontoados, tudo isso é mantido também para dificultar o acesso.

Na entrada do prédio onde Arafat despacha e faz suas reuniões, três soldados controlam a entrada. Ao redor da sala de encontro, uma dúzia de guardas fica de plantão, monitorando câmeras instaladas nos arredores do local. Em uma de nossas visitas à Muqata, próximo à entrada, cerca de 40 soldados perfilados em treinamento militar podiam ser vistos. A Palestina não pode ter exército e nem a polícia pode andar armada. Mas os seguranças de Arafat carregam fuzis automáticos, comprados clandestinamente. Vestem-se de verde e cuidam precariamente da proteção do líder. Nada que impeça helicópteros Apache ou caças F-16 de promoverem os tais assassinatos seletivos (realizados extrajudicialmente).

Diferentemente do que pregam o governo Sharon e alguns “especialistas” no conflito, Arafat é reconhecido como líder e admirado pela quase totalidade do povo palestino, incluindo militantes e seguidores de movimentos extremistas, mesmo discordando da opção dele pela paz e convivência amigável entre dois Estados. Por isso, matá-lo seria suicidar qualquer possibilidade de paz na região. Ele é o único interlocutor com respaldo junto aos diversos setores da sociedade palestina.

Para entrar na Muqata, a senha é ser de confiança. Não há nem detectores de metal ou revista apurada. A confusão reina e a tensão é permanente, o que provoca pequenas e freqüentes discussões entre os guardas.

Arafat está preso, mas isso não significa que haja soldados israelenses guardando as redondezas. Mas caso ouse desafiar a ordem e sair do prédio, sabe que estará se condenando à morte. Por isso, sua pele está mais clara do que nunca e a saúde, abalada. Suas mãos tremem continuamente.

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