Somos felizes por ter Paulo Freire

Editorial da edição da revista Fórum nº 50 – especial sobre o educador Quando morrem, intelectuais importantes costumam deixar obras que são estudadas, analisadas, reinterpretadas. Em geral, aqueles que se dedicam a elas, tratam-na no...

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Editorial da edição da revista Fórum nº 50 – especial sobre o educador

Quando morrem, intelectuais importantes costumam deixar obras que são estudadas, analisadas, reinterpretadas. Em geral, aqueles que se dedicam a elas, tratam-na no tempo passado ou buscam transportar para o presente o tipo de avaliação que, caso vivo fosse, o intelectual faria.
Com Paulo Freire e seu legado isso não ocorre. Pela amplitude e qualidade da produção e, principalmente, pela atualidade de seu pensamento, ele continua a ser discutido no meio acadêmico e aplicado do ponto de vista prático como algo do presente, do hoje.
Deve haver muitos outros motivos para que isso aconteça, mas talvez o principal seja o fato de o educador ter tido a coragem de não construir um método simétrico ou uma teoria que se resolvesse em si mesma. E ter unido teoria à prática tendo como foco principal que seus estudos contribuíssem para transformação social a partir da educação.
Para construir suas formulações Paulo Freire buscou ler o mundo e quando fazia esse exercício, indignava-se como poucos. Como tipo humano, ele se reconhecia insatisfeito. E avaliava a insatisfação como algo fundamental para se buscar a mudança e a transformação.
A partir disso, redefiniu a palavra esperança, não mais ligada a “esperar”, mas a “esperançar”, voltada a uma postura ativa na construção de uma outra realidade. De um outro mundo possível, que ainda não existia como slogan e palavra de ordem de cidadãos de todas as partes do planeta, mas que já estava presente como conteúdo central de todo o seu trabalho.
Esta é a segunda vez que Fórum destaca Paulo Freire em uma de suas capas. E isso acontece também num feliz acaso. Neste mês de maio, Fórum chega à sua 50ª edição. E, ao mesmo tempo, faz 10 anos que Paulo Freire nos deixou. Em uma edição tão importante para uma revista que luta por suas idéias, nada melhor do que destacar o legado e as histórias de um dos maiores e mais autênticos intelectuais que o Brasil produziu.
Somos felizes por ter Paulo Freire em mais uma de nossas capas. Esperamos que o leitor também se agrade disto e deste nosso trabalho.
Três notas:
1 – Obrigado ao Instituto Paulo Freire pela contribuição editorial fundamental para o ineditismo desta edição.
2 – Obrigado ao amigo Marco Frenette que foi o responsável pela coluna Baião de Dois até a última edição.
3 – Obrigado a Altamiro Borges, que aceitou o convite para tratar apenas de América Latina, na coluna Continente, que estréia neste número 50.



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