Viver em regiões urbanas não inviabiliza sustentabilidade

Ao mesmo tempo em que, muitas vezes, constituem um problema, as cidades podem indicar soluções para um modelo de desenvolvimento sustentável. É o que defende Marc Weiss, presidente da Global Urban Development. “A vida...

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Ao mesmo tempo em que, muitas vezes, constituem um problema, as cidades podem indicar soluções para um modelo de desenvolvimento sustentável. É o que defende Marc Weiss, presidente da Global Urban Development. “A vida urbana é importante por vários motivos e um deles é porque oferece o espaço ideal para inovações capazes de nos ajudar a viver de maneira mais sustentável”, ressalta.

Atualmente, um quinto do PIB mundial é gerado nas dez cidades economicamente mais importantes. Para se ter uma idéia, a cidade de Tóquio, que abriga 28% da população do Japão, responde por 40% do PIB do país, segundo estudo da Munique Re.

Historicamente, as cidades tendem a ficar ricas primeiro para depois buscar o equilíbrio do meio ambiente e do bem-estar de seus habitantes. Mas esse modelo de desenvolvimento reaplicado, sobretudo, no mundo dos países emergentes seria um desastre no contexto de mudanças climáticas.

De acordo com o relatório “South American Cities: Securing An Urban Future”, da organização Urban Age, a América do Sul é uma das regiões mais urbanizadas do mundo, com 83% das suas populações nacionais vivendo em cidades. Por volta de 2050, esse índice estará perto de 90%, próximo dos padrões de urbanização norte-americano. A reprodução desse modelo resultaria em uma nova geração de megacidades com significativas conseqüências econômicas, ambientais e sociais.

Combinar competitividade econômica, respeito ao meio ambiente e qualidade de vida é o grande desafio para o desenvolvimento sustentável das cidades. Os caminhos para tanto precisam ainda ser traçados com base em algumas experiências de sucesso que podem e devem ser reaplicadas. Para Weiss, no entanto, é preciso atentar-se a realidade de cada região.

“Os países emergentes têm vantagens, pois conhecem os erros cometidos no passado por países desenvolvidos. Por isso, devem buscar novas formas de desenvolvimento de suas cidades ao invés de continuar reaplicando os modelos adotados pela Europa e Estados Unidos”, ressalta.

Novos modelos de governança
A discussão da sustentabilidade nas cidades passa por assuntos tão diversos quanto governança, planejamento, infra-estrutura, transporte, emprego, tecnologia, cultura, desenvolvimento comunitário, meio ambiente, saúde e segurança. E uma agenda tão ampla pede, obviamente, o engajamento de diversos atores.

No entanto, os sistemas de governança não têm evoluído no mesmo ritmo em que avançam os limites das regiões urbanas e as atividades econômicas. As cidades não só estão maiores, como também mais interdependentes, o que acaba por exigir estruturas descentralizadas. “A cidade sustentável não pode ser gerida por modelos macros, mas sim por meio de estruturas descentralizadas que proporcionem, por exemplo, a gestão regional dos mananciais de água urbanos e a geração de energia localmente, minimizando impactos e conferindo maior autonomia às cidades”, ressalta Maurício Waldman, geógrafo e sociólogo da Universidade de São Paulo (USP).

A necessidade de governos locais mais fortes foi uma das tendências identificadas pelo estudo “Desafios das megacidades”, encomendado pela Siemens à GlobeScan e MRC McLean Hazel.

Segundo Laura Valente, diretora regional do Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade na América Latina e Caribe, para fortalecer os governos municipais é preciso desenvolver e disseminar metodologias que ajudem a construir capacidades, compartilhar conhecimentos e dar suporte na implementação do desenvolvimento sustentável. “No Iclei, estimulamos a atuação em rede que proporciona a troca de experiências, assim como o aprendizado a partir dos erros e acertos de outras regiões que convivem com os mesmos problemas. Além disso, reforçamos a importância de trabalhar com metodologias de avaliação de desempenho, estabelecendo metas a cumprir no médio e longo prazos”, explica.

Por Juliana Lopes, da Revista Idéia Socioambiental .

Confira a íntegra da matéria no site Envolverde.



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