Yeda escapa de perguntas sobre perseguição a movimentos sociais

A governadora do Rio Grande do Sul (RS), Yeda Crusius, escapou de perguntas sobre denúncias de perseguição a líderes e movimentos sociais no estado. A maior parte das perguntas dirigidas à tucana ontem, 5,...

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A governadora do Rio Grande do Sul (RS), Yeda Crusius, escapou de perguntas sobre denúncias de perseguição a líderes e movimentos sociais no estado. A maior parte das perguntas dirigidas à tucana ontem, 5, no Programa Roda Viva da TV Cultura, questionou-a sobre as denúncias de corrupção realizadas durante seu governo. Atualmente integrantes e ex-integrantes de seu governo estão sendo investigados por uma CPI por improbidade administrativa e desvio de recursos públicos.

Durante uma hora e meia de gravação, nenhuma dos cinco jornalistas que ocupavam a bancada do programa perguntaram sobre o fechamento das Escolas Itinerantes do Movimento Sem Terra (MST) pelo Ministério Público Estadual (MPE), que cumpria o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo governo do RS.

A ação retirou crianças das escolas do campo e obrigaram os pais a matricularem-nas em escolas públicas. As escolas itinerantes facilitavam o estudo das crianças que moram e trabalham no campo e ofereciam ensino específico para quem vive do meio rural.

Também não houve nenhuma menção sobre o assassinato do ex-trabalhador rural e ex-membro do MST do RS, Eltom Brum, pela Brigada Militar do estado em agosto deste ano. Na época o movimento emitiu nota acusando o governo estadual de ter responsabilidade no crime. O estado não respondeu à acusação.

Professores estaduais

Yeda Crusius disse que existe uma “radicalização da política no RS que é muito perigosa”. A governadora ainda afirmou que o braço sindical “radical” que quer a cabeça dela é “minoria”. A declaração foi dada em resposta à pergunta de Heródoto Barbeiro que a questionou sobre sua relação com os movimentos de professores da rede estadual. Foi a única pergunta do programa que a fez falar sobre os movimentos sociais no estado.

Um dos setores mais mobilizados contra o governo de Yeda Crusius tem sido o dos professores da rede estadual, que no ano passado entraram em greve contra a tentativa da tucana em não cumprir com o piso salarial nacional sancionado pelo presidente Lula neste ano.

De agosto para cá já ocorreram diversas manifestações de rua pedindo o impeachment da governadora por conta das denúncias de corrupção e de perseguição política. Na maior parte das manifestações, membros do PSOL, partido que tem feito maior pressão contra a governadora, estiveram presentes. Yeda rebate as acusações afirmando que a campanha “Fora Yeda” tem somente caráter eleitoreiro.

Participaram da bancada de entrevistadores Laila Dawa, apresentadora do Jornal da Cultura; Walter Nunes, repórter de Brasil da revista Época; Claudio Augusto, editor de nacional do jornal O Estado de S. Paulo; e Luiz Antônio Araujo, editor de política do jornal Zero Hora, além do jornalista e apresentador Heródoto Barbeiro.

Foto: Rodrigo Ferroni

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