Zelaya desiste de acordo para não encobrir golpe

O presidente deposto das Honduras anunciou este domingo que não aceitará qualquer acordo para regressar ao poder "encobrindo o golpe de Estado que teve um efeito negativo sobre os direitos humanos no meu país"....

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O presidente deposto das Honduras anunciou este domingo que não aceitará qualquer acordo para regressar ao poder "encobrindo o golpe de Estado que teve um efeito negativo sobre os direitos humanos no meu país". Refugiado na embaixada brasileira em Tegucigalpa, Manuel Zelaya considerou ilegais as eleições convocadas pelos golpistas para dia 29 de novembro e apoiadas por Washington.
As negociações para formar um governo de união nacional antes das eleições previam o regresso de Zelaya ao poder, mas até agora o governo golpista do antigo presidente do parlamento, Michelletti, recusava-se a dar qualquer passo nesse sentido.

Zelaya divulgou uma carta enviada ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. "Na minha condição de presidente eleito pelo povo hondurenho, reafirmo a minha decisão segundo a qual, a partir de agora, qualquer que seja o caso, não aceito nenhum acordo de retorno à presidência, para encobrir o golpe de Estado", escreveu.

No extenso documento de cinco páginas dirigido a Obama, Zelaya explicou que o acordo assinado em 20 de Outubro que deixa nas mãos do Congresso Nacional a sua restituição, "fica sem valor nem efeito por não cumprimento unilateral do governo de fato".

O Acordo Tegucigalpa/San José Diálogo de Guaymuras visava à formação de um governo de união e reconciliação nacional e deixava nas mãos do Congresso Nacional a restituição de Zelaya à presidência, de onde foi expulso em 28 de Junho por um golpe de Estado. Este documento, lembrou Zelaya, "tinha um único propósito, restaurar a ordem democrática e a paz social e, com isto, reverter o golpe de estado, o que implica o retorno seguro do presidente eleito legitimamente por voto popular".

Zelaya culpou, em parte, do fracasso do acordo, os mesmos funcionários do Departamento de Estado americano que conseguiram que as duas partes no conflito o assinassem, com o então responsável da diplomacia para a América Latina, Thomas Shannon, à frente. "Estes funcionários modificaram sua posição e interpretam o acordo unilateralmente", lamentou Zelaya.

Para Zelaya, os Estados Unidos admitiram que as eleições gerais previstas para 29 de Novembro seriam reconhecidas pelos EUA com ou sem o regresso de Zelaya à Presidência, pelo que o regime de facto acabou por não cumprir o acordo.

"Nestas condições, este processo e, portanto os seus resultados, serão sujeitos de impugnação e não reconhecimento, o que coloca em grave risco a estabilidade futura das relações entre Honduras e as demais nações que reconhecerem seus resultados", acrescentou Zelaya na carta.

Por Esquerda.net.



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2 comments

  1. Artur

    Zelaya tem razão não podemos abaixar a cabeça para o Império a eleição tem que ser limpa e nada de interferências desse governo golpista, injusto, sujo, anti-ético e anti-democrático.

  2. Artur

    Zelaya tem razão não podemos abaixar a cabeça para o Império a eleição tem que ser limpa e nada de interferências desse governo golpista, injusto, sujo, anti-ético e anti-democrático.

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