A educação no FSM

“Muitas Lutas, um Movimento” Por Moacir Gadotti   Nos Estados Unidos, os movimentos sociais e populares ligados ao FSM utilizaram, no Dia de Mobilização Global (26 de...

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“Muitas Lutas, um Movimento”

Por Moacir Gadotti

 

Nos Estados Unidos, os movimentos sociais e populares ligados ao FSM utilizaram, no Dia de Mobilização Global (26 de janeiro de 2008), o lema “Muitas Lutas, um Movimento”. Este lema não se refere apenas às lutas específicas do FSM, mas a todas as lutas que, de forma autônoma, se agregaram ao Fórum Social Mundial. Pode-se discordar daqueles que caracterizam o Fórum apenas como um movimento ou um movimento de movimentos. O FSM é, acima de tudo, um espaço aberto em rede. Mas não há como negar que, pelo seu método de autoaglutinação, ele acabou provocando movimentos e processos transformadores.
Entre esses movimentos e processos está o Fórum Mundial de Educação (FME). No primeiro semestre de 2007 dois Fóruns Mundiais de Educação mobilizaram milhares de pessoas, um, na Baixada Fluminense (Nova Iguaçu) e outro no coração do Rio Grande do Sul (Santa Maria). Esses eventos do FSM são utilizados pelos participantes para formar novas alianças, articulando lutas comuns. A sexta edição do FME será realizada em Belém, no final de janeiro de 2009, na mesma época em que se realizará a sétima edição do Fórum Social Mundial.
O Fórum Mundial de Educação, na mesma perspectiva do FSM, busca, de forma pluralista, construir alternativas ao projeto neoliberal de educação. Nesse processo, não prescinde da contribuição de todas as tendências e vertentes progressistas do campo educacional, praticando intensamente o diálogo/conflito, a escuta atenta e a denúncia/anúncio, bases de uma nova cultura política de entendimento, radicalmente democrático.
Fruto desse trabalho, novas práticas e experiências já são visíveis, no Brasil, em iniciativas de diferentes partidos políticos democrático-populares, que estão criando novas relações, formas de gestão, espaços de negociação e estimulam a re-apropriação das cidades e do campo por seus cidadãos. A Plataforma Mundial do FME aprovada em Nairóbi, em janeiro de 2007, está se transformando, aos poucos, em um elemento inspirador de novas políticas públicas.
O FME, com sete anos de existência, conquistou um espaço próprio, defendendo uma educação integral e intersetorial. A integralidade, como princípio orientador da educação, vem sendo defendida desde a antigüidade. Toda a educação precisa ser integral. Não se trata apenas de estar na escola em horário integral, mas de ter a possibilidade de desenvolver todas as potencialidades humanas que envolvem o corpo, a mente, a sociabilidade, a arte, a cultura, a dança, a música, o esporte, o lazer etc. Por intersetorialidade entende-se a articulação das várias secretarias ou ministérios, integrando saberes e experiências de planejamento e de ação de cada setor, para convergir numa educação integral.
Treze municípios da Baixada Fluminense uniram-se para realizar a terceira edição do FME sobre o tema Educação Cidadã para uma Cidade Educadora. A educação cidadã é uma educação que valoriza a diversidade. A diversidade já foi considerada como uma anomalia e hoje é reconhecida como uma grande riqueza da humanidade e um fator diferenciador para a educação. Ela exige da escola respostas integradoras e capazes de atender às necessidades específicas de cada um.
O Fórum Mundial de Educação Temático realizado em em Santa Maria (RS), de 28 a 31 de maio de 2008, teve por tema geral “Educação, economia solidária e ética planetária”. É o primeiro Fórum centrado na economia solidária. Na América Latina, a economia solidária sempre esteve associada à educação popular e representa algo novo e esperançoso para uma nova ordem econômica mundial. Ela envolve pessoas comprometidas com um mundo mais solidário, ético e sustentável e por isso está estreitamente ligada à educação transformadora e à democracia econômica. Em Santa Maria, no final de maio, esse tema foi desdobrado, debatendo-se sua relação com a cidadania planetária, a diversidade cultural, o trabalho, a ética e o desenvolvimento sustentável.
A economia solidária, como uma forma cooperativa e não competitiva de produzir e reproduzir nossa existência no planeta, tem um componente educativo extraordinário. A educação para a cooperação e para a autogestão é necessária para formar as pessoas envolvidas em empreendimentos solidários. Como um significativo espaço de aprendizagem, o FME apresenta-se hoje como um lugar de construção de novas alianças, livre e autoorganizado, sem preconceitos, aberto aos que sonham com um outro mundo possível. É a partir desse novo paradigma inclusivo, desse novo quadro de referência, que o FME pretende influenciar as políticas públicas e já está influenciando, principalmente na defesa de uma visão mais intersetorial da educação.
No próximo número falaremos do tema da próxima edição do FSM de Belém: a Amazônia. F

III Fórum Social da Tríplice Fronteira – Foz do Iguaçu, 5 a 7 de junho. comitelocaltriplicefronteira@hotmail.com
Fórum Social Regional de London. Ontário, Canadá – de 12 a 15 de junho. www.rsflondon.ca
Fórum Social Mundial 2009 – Belém, 27 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009. http://belemjaneiro2008.blogspot.com
Leia mais: www.forumsocialmundial.org.br
Movimentos sociais lançam campanha por tarifa social de energia
Desde maio de 2007, uma liminar expedida pelo Tribunal Regional Federal (TRF) garantiu que todas as famílias que consomem até 220 kWh/mês de energia elétrica podem receber os descontos referentes à Tarifa Social Baixa Renda na conta de luz, sem precisar estar cadastrado em algum programa social do governo. Para isso, basta entregar uma autodeclaração na distribuidora de energia elétrica da região. “Com o processo de privatização do setor elétrico brasileiro, a energia foi transformada numa grande mercadoria e quem passou a controlá-la foram as grandes empresas multinacionais”, afirmou Marco Antônio Trierveiller, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), sobre o preço da energia.
A Campanha Nacional pela Redução da Tarifa de Energia conta com materiais para fortalecer os debates e articulações em torno do tema. Um deles é o vídeo, disponível no site da Fórum, dedicado a denunciar o alto preço pago pela população brasileira para ter acesso à energia elétrica, classificando-o como “um roubo”.
Os interessados em mais informações, ou cópias do vídeo, devem escrever para o e-mail: plebiscitoalcasp@yahoo.com.br.

Além do jejum… O documentário Além do jejum… as verdades sobre o Velho Chico, de Carlos Pronzato e Stefano Barbi Cinti foi realizado em Sobradinho (BA) no final do ano de 2007. O documentário parte de cenas do segundo jejum realizado pelo Frei Luiz Flavio Cappio, bispo de Barra (BA), como protesto contra o projeto do governo de transposição das águas do rio São Francisco e dá voz à população local. “Termino aqui meu jejum, mas não minha luta”, afirmou o frei no dia 20 de dezembro de 2007.
Mais informações pelo e-mail: pronzato@bol.com.br ou pelo telefone: (71) 9214-4402



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