A floresta e o parâmetro humano

Editorial de Novembro Por   Nesta edição, iniciamos uma série de reportagens sobre a Amazônia. Mais precisamente sobre alguns cantos da região, já que seria uma tarefa...

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Editorial de Novembro

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Nesta edição, iniciamos uma série de reportagens sobre a Amazônia. Mais precisamente sobre alguns cantos da região, já que seria uma tarefa impossível descrever a complexidade de um lugar como este, diverso não apenas na sua flora e fauna, mas também no aspecto humano. E é nesse último que pretendemos nos deter.
A próxima edição do Fórum Social Mundial, em Belém (PA), promete ser histórica. Não só porque trará à tona questões ambientais e relacionadas à maior mata tropical do planeta, mas por constituir uma oportunidade importante de mobilização global sobre mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável. No entanto, é preciso chamar para o debate aqueles que são os maiores interessados em praticamente todas as temáticas do FSM: as populações, movimentos indígenas e outros povos da floresta que secularmente foram alijados da possibilidade de decidir seus próprios destinos.
Por onde passa, o Fórum Social Mundial deixa sua marca. Em Porto Alegre, seu berço e casa durante tanto tempo, organizações não-governamentais, movimentos e associações de diversas origens e linhas ideológicas passaram a consolidar seu poder e juntar forças para afirmar que um outro mundo é possível. A oposição ao modelo neoliberal de globalização deu unidade a um movimento marcado por sua diversidade.
Na Índia, a crítica ao patriarcalismo, ao fundamentalismo religioso e às sociedades que mantêm resquícios mais ou menos intensos da organização em castas ganharam destaque. Na África, ganharam importância temas ligados ao combate à pobreza e multiplicaram-se as ações para conter a epidemia do vírus HIV, incluindo a preocupação com as condições de sobrevivência das vítimas da doença.
Agora, existe a possibilidade de chamar a atenção do planeta para a floresta e, principalmente, para as mulheres e os homens que vivem nela. Porque são eles, há tempos, os grandes guardiões do meio ambiente, mesmo que às vezes não saibam disso. E nem sempre sua opinião é levada em conta para assegurar a sustentabilidade. Em tempos de crise econômica global, é preciso discutir e formular alternativas, que tenham como prioridade a preservação do meio ambiente, a distribuição de renda, a justiça social e igualdade entre os povos. Resumidamente, aquilo que o escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo chamou de parâmetro humano, na primeira edição do FSM. E vamos, sem dúvida, continuar reescrevendo a nossa história.



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