E a blogosfera se move

Encontro de blogueiros mostra a força da internet e as possibilidades abertas para trocas de informação entre pessoas de todo o Brasil Por Glauco Faria e Moriti Neto...

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Encontro de blogueiros mostra a força da internet e as possibilidades abertas para trocas de informação entre pessoas de todo o Brasil

Por Glauco Faria e Moriti Neto

 

“O mais interessante é encontrar o sujeito que você conhece só por nome na internet. Às vezes, ele nem é blogueiro e sim comentarista. Na blogosfera, a informação se faz também por quem comenta e alguns deles vieram para o Encontro e pudemos conhecê-los. Acho que um dos pontos centrais foi a aproximação entre essas pessoas. É restabelecer uma rede que já existe.”

Dessa forma, o jornalista Rodrigo Vianna, do Escrevinhador, e também um dos organizadores do I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, definiu a importância do evento, realizado nos dias 21 e 22 de agosto, em São Paulo. Entre aqueles que participaram – 330 inscritos vindos de 19 estados – essa era uma sensação comum. “A blogosfera não se conhecia, só pelo mundo virtual. Um está falando com outro, reproduz o que o outro escreveu, mas ninguém se conhece. Então a ideia foi inverter: ao invés de terminar com uma festa, a gente começou com uma festa”, conta Altamiro Borges, do Centro de Mídia Barão de Itararé.

Aberto com um show de chorinho do conjunto musical do jornalista Luís Nassif, o evento teve, no dia seguinte, sábado, 21, mesas de debates durante todo o dia. Pela manhã, uma visão mais geral sobre a internet e o papel da blogosfera e, no período da tarde, uma maior ênfase na discussão de questões práticas, como a assistência para solução de problemas jurídicos, alternativas de sustentabilidade financeira e maneiras de aproveitar melhor as redes sociais. Já no domingo, 22, foram feitas discussões em grupos de trabalho, com todos os relatórios sendo aprovados por unanimidade na plenária final.

Em todo os dias, além da possibilidade de encontrar presencialmente pessoas que já conheciam os trabalhos dos outros pela internet, ficou evidente a importância dos blogues para o acesso à informação. Aliás, quem ratificou tal fato foi o candidato tucano à presidência da República, José Serra que, na semana em que foi realizado o Encontro, discursou durante reunião da Associação Nacional de Jornais (ANJ) acusando o governo federal de financiar “blogues sujos”. Mesmo de forma ofensiva, pode-se dizer que o pessedebista reconheceu a importância da internet e de sua horizontalidade.

“Em algumas empresas de comunicação tradicionais, gente como o José Serra pede cabeças de jornalistas. Na internet, a gente rompe as regras, gera discordância, existe visibilidade onde antes não havia”, aponta Paulo Henrique Amorim. “Antes, havia primeira e segunda divisões na mídia. Depois de 2005, da história do mensalão, alguns veículos fizeram um pacto para desestabilizar o governo, queriam o impeachment do Lula. O Globo, a Abril, com a Veja, a Folha e o Estadão – este, mais na inércia – criaram um bloco contra o governo. Aí, surge um movimento de reação, de circulação da informação contra-hegemônica na internet. Então, todos os veículos, mesmo os maiores, são contra golpeados, e passam a ter que rever muitos de seus conceitos”, explica Luís Nassif.

O resultado desse crescimento da blogosfera – em quantidade e qualidade – é a possibilidade de o internauta, que não é mais um receptor passivo, ter acesso a inúmeras fontes de informação. “Para o leitor é possível compor um leque de colunistas, ao contrário dos times prontos que vem nos veículos tradicionais, isso traz mais poder de informação e formação”, argumenta Nassif. “A internet tem diferenças destacadas em relação aos grandes grupos de mídia, até porque se trata de um ato voluntário para fazer circular a informação. Quem quer se destacar na rede tem que abrir o leque, sair da toca, não pode ficar preso à concentração de informação”, aponta.

Toda essa diversidade representada na blogosfera se incrementa justamente no momento em que os veículos da mídia comercial perdem credibilidade. “Já existe um entendimento de que a mídia tradicional está falida, não só do ponto de vista financeiro como também na sua capacidade de transmitir de fato as informações verdadeiras sobre o que ocorre no Brasil. O grau de manipulação e o descolamento da realidade, que para mim é o elemento mais grave que existe na mídia, não só das empresas midiáticas como também de seus jornalistas, já está sendo captado pelo cidadão comum, que está cada vez mais recorrendo à internet para obter informação”, pondera Leandro Fortes, da Carta Capital e do blogue Brasília, eu vi. “Esse fenômeno [da blogosfera] não para de crescer e está tomando conta dessa questão da comunicação no Brasil”, acredita. “Eles [a mídia comercial] vão sobreviver como grupo econômico, mas não serão mais formadores de opinião”, reflete Luís Nassif.

Débora Silva, do movimento Mãs de Maio, que luta até hoje pelo esclarecimento sobre a morte de 505 vítimas civis entre os dias 12 e 21 de maio de 2006, após os ataques do PCC em São Paulo, falou sobre a importância que a internet teve para a causa do grupo. “Em nosso movimento, graças à rede de blogues, quebramos um bloqueio grande da mídia. 22 policiais que assassinaram inocentes foram denunciados. Isso só foi possível porque não começamos as denúncias pelos veículos tradicionais. Ao contrário, foi depois das denúncias na rede que os jornais vieram nos procurar e compraram a nossa briga. A blogosfera é pressão popular”, conta Débora, que completa. “A banda larga tem que estar na casa de toda a população brasileira, precisamos nos mobilizar, pois hoje a internet não é de todos.”

Pontos-chave da blogosfera

“Concordamos em alguns pontos chaves, que são a questão do Plano Nacional de Banda Larga, da neutralidade na internet e das políticas públicas para se democratizar a informação no Brasil”, descreve Luiz Carlos Azenha, do Viomundo. Nesse sentido, o Encontro também foi importante para aproximar dos participantes alguns conceitos que nem sempre estão claros para aqueles que fazem blogues. Assim, a neutralidade da rede ocupou um papel de destaque nos debates. “Estão quebrando um princípio que norteia a internet até hoje, que se chama princípio da neutralidade da rede, onde quem controla uma camada não pode interferir na camada superior ou inferior. Mas, quem controla a infraestrutura não pode discriminar o conteúdo, nem controlar os pacotes de informação baseados nos IPs de origem e de destino”, explica o sociólogo Sergio Amadeu.

Rodrigo Vianna concorda que este pode representar um dos principais obstáculos para o uso da rede como meio para a democratização da comunicação no Brasil nos próximos anos. “O risco é, tecnologicamente, que o site ou blogue de uma grande empresa provedora tenha uma velocidade muito maior do que a sua. Isso criaria uma desigualdade brutal na internet, não ideológica e sim técnica. Por isso vamos batalhar pra que todos os blogues tenham uma neutralidade técnica na rede e a mesma velocidade em relação aos outros. Existe espaço para todo mundo”, sustenta Vianna. “Temos que defender a internet sem dono, sem controle, sem mediador. O que está acontecendo hoje é que as operadoras de telefonia, que são os controladores da infraestrutura da internet, decidiram tornar o ciberespaço uma grande via controlada: quem pagar anda, quem não pagar não anda”, argumenta Amadeu. “Precisamos de uma grande pressão no Brasil, que é apoiar esse movimento que já existe nos Estados Unidos, é preciso criar uma consciência na opinião pública em defesa da internet livre.”

Outro dos pontos consensuais entre os participantes foi a necessidade de difundir conhecimentos a respeito das ferramentas utilizadas em blogues e também o uso das redes sociais, já que nem todos os blogueiros possuem o mesmo nível de conhecimento técnico na área. A ideia é realizar oficinas nos estados e também elaborar uma cartilha sobre software livre, para tornar o conceito mais próximo das pessoas. “Devemos fazer oficinas que nos ajudem a domar a tecnologia que está à nossa disposição e que se tornou universal”, acredita Paulo Henrique Amorim. “Estamos aqui para aprender a usar a internet e defender a liberdade de expressão”, completa.

Outra das preocupações dos participantes foi pensar em formas de assegurar auxílio jurídico aos blogueiros, por meio da formação de uma rede de operadores do Direito. Isso, tendo em vista que já existem notificações e mesmo ações judiciais promovidas por veículos da imprensa comercial feitos com a intenção de cercear a liberdade de expressão de blogueiros que nem sempre têm condições financeiras de arcar com sua defesa. Tudo sempre tendo em vista a perspectiva de colaboração por meio da formação e consolidação de redes.
“Existe a possibilidade, ainda, de se criar uma sinergia, de somar, sem tirar a identidade de ninguém e sem se meter em nenhum desses veículos. Acho que saímos daqui não com uma perspectiva de consolidar uma organização e sim um movimento, que tenha todo ano seu encontro”, garante Altamiro Borges. A carta aprovada na plenária também ratificou o caráter suprapartidário do evento e a proposta é que o próximo Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas aconteça em um local que não seja São Paulo. Ele deve ocorrer em agosto de 2011, mas, antes, encontros estaduais devem ser realizados em todo o Brasil.

Entrevista – Emir Sader: Mídia antiga não representa mais a maioria

Presente no encontro, o sociólogo falou à Fórum. Confira abaixo trechos da entrevista

Diversidade dos blogues

Acho que existe um problema estrutural que é positivo: o jornal está em decadência e montar um blogue requer menos investimento. Eles abrem um horizonte de participação muito grande. Por outro lado, é uma grande verdade que os investimentos que possibilitam multiplicar a qualidade da investigação e técnica acabam elevando os grandes blogues.

Acho que o que superará um pouco a dificuldade dos menores terem mais acessos é fazer um portal onde todos os blogues progressistas estejam representados. Mas a existência de um portal não quer dizer que teremos pautas únicas.

Derrota política

Eles vão considerar a eficácia dos blogues diante da derrota político-eleitoral que estão tendo. Se eles ganhassem, até continuariam fazendo; agora essa derrota é brutal. Batem e escrevem o tempo todo contra o governo e só conseguem 3% de rejeição em relação ao governo Lula, é uma baixíssima produtividade por parte deles. Então acredito que eles vão reconsiderar pela derrota política.
O fato de o Otavinho (Otavio Frias Filho, publisher da Folha de S. Paulo) apelar para o Tocqueville, que o “refúgio dos canalhas”, acaba confessando que eles (a grande mídia) não são maioria. Eles terão os mesmo dilemas de hoje: como vão se reinserir depois das eleições? Radicalizaram de tal maneira que é difícil agora dar uma cara plausível, diante da ineficácia das táticas que utilizaram.

Influência da internet

Certamente a influência dos blogues aumentou, mas a maioria dos votos que nós vamos ter são votos claramente populares na sua composição. Acredito, então, que essa maioria de votos majoritários não seja influenciada pela internet.

Os blogues têm condições básicas de recursos de pesquisa. A velha imprensa não pesquisa mais, ela é editorializada do começo ao fim. Acho que nós temos capacidade de pesquisa. Temos que dar voz para as massas e beneficiá-las, dando voz às políticas sociais para que essa massa vire um sujeito político.

Confira o vídeo da entrevista completa.

Entrevista – “Nós somos pós-progressistas”

Sérgio Amadeu, militante do Software Livre e professor de pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero, fala sobre a importância da internet para enfrentar os grandes grupos econômicos da área da comunicação

Fórum – Como fazemos para romper o bloqueio dos grandes grupos econômicos que agem na internet?

Sérgio Amadeu – É muito difícil na internet fazer rapidamente uma grande mobilização de interesse público. Mas se soubermos utilizá-la, temos como enfrentar esses ”players” e esses grandes grupos econômicos. Hoje uma das coisas que está na moda é o famoso “analista de mídia social”, que é pago para ficar defendendo empresas dentro da rede. Mas a rede tem os seus antídotos: a reputação e a história de quem está falando, por exemplo. Nós temos condição de fazer uma grande alavancagem. E quanto mais se reduzir a exclusão digital e as camadas populares virem para a rede, nós vamos estar em condições de fazer um debate esclarecedor sobre isso. Digo isso porque hoje, infelizmente, nós temos um processo muito difícil dentro da internet, segmentado por classes A e B, que dominam a rede.

Fórum – É possível então, a partir da internet, revelar as cabeças pensantes do conservadorismo atual?

Amadeu – Acho muito interessante que o que “eles” falavam às mesas nos seus jantares à luz de velas, eles falam agora no Facebook, no Twitter, e eu tenho pena. Não sou contra o Serra porque ele é gordo, baixo, careca ou alto, e sim por conta da política que ele defende e do grupo de que ele faz parte. E enquanto faço o debate político, fazem o que fizeram com o Lula em 1989, e em outras eleições também, chamando-o de “ignorante”, “operário”, “sem dedo”. Mas qual o problema de você ter sofrido um acidente de trabalho? E o Lula, por sua vez, desmoralizou esse preconceito, mostrou uma pessoa que nasceu numa situação completamente pauperizada, veio para uma cidade grande, violenta, e conseguiu arrumar um emprego com dignidade e se destacar usando a inteligência que todos nós temos. Então ele trouxe uma dignidade pra todos nós que estava perdida nesse país. A postura do presidente Lula deixa a elite muito irritada. Quem imaginou que o Brasil um dia falaria que os caminhos do Oriente Médio estão errados? Perguntam quem é o Lula para se meter em assuntos internacionais? E nós somos a oitava economia do mundo.

Fórum – Nesse caso, a internet também serviu para discutir o preconceito…

Amadeu – Acho que está servindo pra gente avançar. Estamos usando este espaço para colocar coisas que estão acontecendo no mundo e para defendermos as nossas posições. Eu acho que a internet não é a solução de tudo, mas ela permite que nós possamos aparecer e nos articular. Antes eles tinham os grandes canais de comunicação e nós não os tínhamos. Agora, com a internet, nós também temos nossos canais. Estamos em vantagem, pois não tínhamos canal nenhum.
Começamos a nos articular, e esse encontro é uma tentativa disso. Vou dizer a você: não gosto do nome “progressista”, nós somos “pós-progressistas”, subversivos. Então acho que a partir desse encontro podemos ser muito mais fortes, estamos avançando nesse sentido.

Veja o vídeo da entrevista completa.

Entrevista – “Hoje as mentiras que saem nos jornais são desmentidas três segundos depois pelos blogues”

O jornalista da Carta Capital, titular do blogue Brasília, eu vi, analisa o impacto dos blogues no cenário político e a decadência da mídia antiga

Fórum – Qual o peso da blogosfera no cenário político atual?
Leandro Fortes – O peso político da blogosfera para mim é um elemento palpável. Hoje as pessoas podem ter acesso a uma avaliação crítica da informação como nunca tiveram antes. Sou jornalista há 25 anos e nunca tive na minha vida um retorno sobre o meu trabalho como eu tenho hoje por causa da blogosfera.
Não sou favorável a se criar um portal para unificar os blogues. Uma das vantagens da blogosfera é justamente a sua pluralidade e capacidade de abrigar interesses difusos, mas o que eu acho correto é que esses encontros gerem agendas unificadas. Falamos há pouco sobre a questão do financiamento, e porque os sindicatos, os trabalhadores e agregados não estacam esse financiamento à mídia tradicional e se voltam para a blogosfera. Aí nos teremos um grupo que pode captar esses recursos e dividir entre todos.

Gosto de ir a vários blogues, vou até nesses malucos da direita para ver o que eles estão pensando, a maneira como eles atuam, e para me divertir um pouco porque eles fazem o humor do absurdo. Você pega um blogue como o do Reinaldo Azevedo, e é um blog do humor do absurdo. Isso é bom para entender como funcionam as muitas cabeças dentro da blogosfera, e isso é interessante: eu, como jornalista, já fiz algumas matérias que me foram enviadas por internautas, por comentaristas do meu blogue, que veem meu e-mail e me mandam pauta. Essas pessoas geram boas pautas para matérias sobre os movimentos sociais.

Fórum – Você acha que parte da esquerda ainda não compreendeu a importância da blogosfera?

Fortes – Às vezes há uma visão muito idealizada do que é ser de esquerda. Existem pessoas de esquerda que são abomináveis, políticos que são autoritários, de baixo nível. O fato de você estar alinhado ao espectro político da esquerda não te dá nenhuma santidade nem aspecto de democrata. E, no caso dos políticos, eles levam pau da Veja e da Globo, e quando aparece um repórter desses veículos, só querem saber deles. Para esses, a visibilidade é uma questão de sobrevivência política. E eles não têm consciência que, fazendo isso, estão azeitando essa máquina de moer gente e reputações que é a mídia tradicional. Então a preocupação dessas pessoas com a democratização da informação ainda é muito pequena e rasteira, não há vontade de se levar adiante ideologicamente essa questão.

Esse encontro é histórico em vários sentidos, mas, sobretudo para criar uma consciência nova sobre o poder da blogosfera. Tirá-la dessa existência na internet para que ela exista no mundo real. Somos uma força e precisamos trabalhar para que essa força gere novas regras. É nisso que eu acredito e por isso que participei desse encontro. Temos que mostrar nossa força. E já estamos conseguindo fazer isso.
Só o fato de, na semana do encontro, o Serra ter falado dos blogues sujos demonstra que ele está preocupadíssimo. Há dez anos o Serra seria eleito, pois não haveria nenhum contraponto crítico. Hoje as mentiras que saem nos jornais são desmentidas três segundos depois em 200 mil blogues, com fotos, imagens, vídeos, documentos, e a mídia tradicional fica sem saber o que fazer e passam a chamar os blogueiros de sujos e dizer que eles recebem dinheiro do governo e do poder sindical.

Nós, da blogosfera, conseguimos desmontar essa máquina de moer reputação rapidamente. Conseguimos ser mais rápidos que eles, e é isso que está liquidando essas pessoas que utilizam a mídia tradicional como manipulação e como forma de se perpetuar no poder.

Cloaca denuncia o “jornalismo de esgoto” (Por Adriana Delorenzo)

Já na abertura do Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, na subsede paulista do Sindicato dos Bancários, Cloaca roubou a cena. No momento em que se anunciou pelo microfone que o senhor Cloaca estava presente, todos queriam saber quem, afinal, era o blogueiro. Ele acenou para os presentes, se deixou fotografar, mas não revelou o nome.

“Resolvi que não colocaria o meu nome no blogue, porque não sou famoso e isso não faz diferença nenhuma. Além do que, não quero me promover”, afirmou na entrevista para a revista Fórum, quando contou que é jornalista e ex-redator publicitário. Segundo ele, o blogue Cloaca News (http://cloacanews.blogspot.com) nasceu com outro objetivo: “desmascarar a máfia midiática que infesta nosso país.”

A inspiração veio de outro blogueiro: Luís Nassif. “Sempre fui leitor de blogue, acompanhava vários deles, como comentarista. Começou a me dar uma coceira de fazer o meu.” Foi quando Nassif postou o Dossiê Veja, denunciando que a revista praticava o que chamou de “jornalismo de esgoto. Eu gostei e pensei: se eu for fazer o meu blogue, vai ser para tratar disso, para esculhambar essa prática”.

O nome surgiu daí. “Nas tubulações de esgoto há o esgoto cloacal e o esgoto pluvial. O nome do blogue veio para dar vazão ao jornalismo de esgoto. Apesar de ser um nome escatológico, a prática de jornalismo de esgoto também é”, brinca.

Além disso, segundo o senhor Cloaca, a palavra remete à primeira rede de esgoto de Roma, do século VI a.C. O news é uma homenagem às redes, como a Globo News. Ou como prefere:  “A Golpe News”.

A primeira postagem do Cloaca News foi no dia 31 de outubro de 2008. “Não sabia o que ia dar. Comecei a divulgar deixando o endereço nos comentários nos blogues que eu lia.” Hoje o Cloaca News tem, em média, 120 mil acessos por mês. São aproximadamente cinco mil por dia.

O número de acessos triplicou no início de janeiro, quando o senhor Cloaca postou uma reportagem da revista O Cruzeiro, de 9 de novembro de 1968. A reportagem apresentava Boris Casoy como membro do Comando de

Caça aos Comunistas

A nota foi publicada depois que Boris Casoy disse no jornal da TV Bandeirantes, sem saber que o áudio estava sendo transmitido: “Que merda, dois lixeiros desejando felicidades, do alto de suas vassouras. Dois lixeiros, o mais baixo da escala de trabalho”.

“Durante duas semanas o blogue atingiu picos de 14 mil acessos por dia. O mais legal é que não é só o acesso no blogue, tem muita gente que copia o texto e envia para listas. Isso se reproduz de uma forma absolutamente incontrolável. Quantas pessoas leram aquilo? Não tenho noção.”



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