Editorial – A atualidade de Florestan

Esta edição de Fórum mostra um pouco da trajetória de um dos maiores pensadores da realidade brasileira, o sociólogo Florestan Fernandes. No mês em que se completam 15 anos da sua ausência, coincidentemente estamos...

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Esta edição de Fórum mostra um pouco da trajetória de um dos maiores pensadores da realidade brasileira, o sociólogo Florestan Fernandes. No mês em que se completam 15 anos da sua ausência, coincidentemente estamos em um período próximo às eleições, e uma pessoa como ele, assertiva, mas não dogmática, com princípios e reflexões que permanecem atuais até hoje, faz evidenciar o vazio da discussão de ideias que permeia o processo político brasileiro.

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Esta edição de Fórum mostra um pouco da trajetória de um dos maiores pensadores da realidade brasileira, o sociólogo Florestan Fernandes. No mês em que se completam 15 anos da sua ausência, coincidentemente estamos em um período próximo às eleições, e uma pessoa como ele, assertiva, mas não dogmática, com princípios e reflexões que permanecem atuais até hoje, faz evidenciar o vazio da discussão de ideias que permeia o processo político brasileiro.

Florestan se definiu certa vez desta forma: “não me preparei para ser um universitário, mas fui universitário no sentido pleno da palavra. A tal ponto que, quando deixei de ser universitário, fiquei desarvorado”, referindo-se ao período em que foi aposentado compulsoriamente. Quando ele se refere a essa plenitude, também entende-se o porquê da educação ter ocupado uma posição tão central em sua vida. Foi envolvido por ela e percebeu todo o seu real poder de transformação e como pensar de forma ampla o processo educacional brasileiro era fundamental para que uma sociedade mais justa fosse efetivada.

Essa centralidade da educação transpareceu em todas as fases de sua vida, no exercício da sua atividade docente, como tema de pesquisas e investigações científicas, e em sua trajetória de publicista, inclusive em seus dois mandatos como deputado federal. Na Câmara, também foi um dos pioneiros na proposição de políticas afirmativas para a população negra, mas sua proposta de emenda sequer chegou à votação na revisão constitucional de 1993.

Hoje, pode-se notar a importância de sua vida e obra, que se confundem e se complementam. Mas também há pontos para se lamentar a partir da leitura do que nos deixou Florestan. Perceber a sua atualidade não denota somente o brilhantismo do intelectual em suas análises e propostas, mas também uma grande dificuldade para que o país consiga avançar em diversas áreas, como a da própria educação, tema que parece só ter certa importância e época de campanhas eleitorais, quando se torna bandeira etérea de candidatos.

Ainda sofremos do mesmo modo para que se reconheça a importância das ações afirmativas, mesmo que os traços de nossa herança escravocrata saltem aos olhos de qualquer um. É preciso trilhar um longo caminho para que, daqui a outros 15 anos, não tenhamos novamente que perceber os problemas da realidade vivida por Florestan como atuais, quando não mais deveriam ser.

No Twitter: @revistaforum.



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