Editorial: A cultura, as identidades e o preconceito

Talvez o leitor de Fórum tenha estranhado a capa da edição deste mês. Gabi Amarantos é um dos ícones do que se convencionou chamar “tecnobrega”, ritmo que faz enorme sucesso na região Norte do...

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Talvez o leitor de Fórum tenha estranhado a capa da edição deste mês. Gabi Amarantos é um dos ícones do que se convencionou chamar “tecnobrega”, ritmo que faz enorme sucesso na região Norte do país, mas é quase nada conhecido no Sul do país.

Por Revista Fórum

 

Talvez o leitor de Fórum tenha estranhado a capa da edição deste mês. Afinal, Gabi Amarantos que é um dos ícones do que se convencionou chamar “tecnobrega”, um ritmo que faz enorme sucesso na região Norte do país, em especial no Pará, mas é quase nada conhecido no Sul do país.

Até porque cultura popular em geral merece pouco crédito ou reconhecimento de parte da mídia comercial. Em parte, porque um pedaço significativo de suas pautas tem relação direta com o jabá ou com interesses nem sempre muito claros de conglomerados midáticos que fazem de conta que jornalismo cultural e entretenimento são a mesma coisa.

Assim, com um tratamento superficial, perdem-se chances preciosas de se entender a vastidão do Brasil. Goste-se ou não de um ritmo ou de um tipo de música, é preciso ver e analisar aquilo que ele representa. O tecnobrega, por exemplo, não só é uma evidência daquilo que Mário de Andrade cunhou como antropofagia, ou seja, a capacidade do brasileiro assimilar e reinventar o que vem de fora, como também diz respeito às múltiplas identidades do povo amazônico. É esse o canal que muitos músicos e letristas quase anônimos têm para fazer sua voz chegar ao resto do país, ainda que tantos se façam de surdos e se recusem a ouvir.

Aliás, falando em olhos e ouvidos fechados, o imbróglio das Malvinas está sendo tratado como algo menor pela mídia comercial brazuca. O preconceito com tudo que diga respeito à afirmação dos países latino-americanos em relação às grandes economias do Norte é algo doentio. Em nome dessa subserviência, esconde-se a realidade. No caso das Malvinas, como o leitor poderá perceber na boa reportagem de Antonio Martins, a razão está completamente ao lado dos hermanos. E por isso, parte da mídia britânica se coloca à favor da demanda do governo de Cristina Kirchner. Mas por aqui, o que vale é o preconceito. E em nome dele, a razão nunca estará ao lado de um governo mais nacionalista e de centro-esquerda.



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