Editorial – A necessidade de reinventar

Na entrevista principal desta edição, Zé Celso Martinez Côrrea, um dos maiores nomes do teatro nacional, fala sobre arte, cultura, mas também faz observações importantes a respeito de política, principalmente no que diz respeito...

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Na entrevista principal desta edição, Zé Celso Martinez Côrrea, um dos maiores nomes do teatro nacional, fala sobre arte, cultura, mas também faz observações importantes a respeito de política, principalmente no que diz respeito à esquerda. Para ele, há uma necessidade de reinvenção contínua, para que o discurso e a prática não fiquem apenas centrados na resistência, no endurecimento, mas também consigam propor alternativas que de fato possam ser diferenciadas, trazendo algo de novo e consistente ao debate

Por Revista Fórum

 

Na entrevista principal desta edição, Zé Celso Martinez Côrrea, um dos maiores nomes do teatro nacional, fala sobre arte, cultura, mas também faz observações importantes a respeito de política, principalmente no que diz respeito à esquerda. Para ele, há uma necessidade de reinvenção contínua, para que o discurso e a prática não fiquem apenas centrados na resistência, no endurecimento, mas também consigam propor alternativas que de fato possam ser diferenciadas, trazendo algo de novo e consistente ao debate.

E às vésperas de um emblemático Fórum Social Mundial que completa dez anos de seu processo, temos o que comemorar no sentido “criativo”. Os governos do campo progressista na América Latina estão seguindo um pouco da receita “antropofágica” de Oswald de Andrade: devorando conhecimento, tendências e ideologias para adaptá-las à realidade local. Com isso, avanços sociais significativos foram conquistados e o cenário hoje é bem distinto daquele que se apresentava na primeira edição do FSM, em 2000.

Mas é necessário continuar reinventando. Isso fico claro, por exemplo, com a premência da discussão sobre meio ambiente, que ainda não foi incorporada de forma plena pela esquerda, permitindo que haja um debate aparentemente técnico, mas que é na prática carregado de interesses econômicos que não os mesmos da sociedade.

O Fórum de 2010 será sem dúvida um espaço para se discutir essa reinvenção. E as eleições no ano que vem também serão outro momento importante em que as forças progressistas terão que discutir não só a consolidação de conquistas mas também os novos desafios que já se impõem, como a já citada questão ambiental e os que ainda não foram vencidos como o combate à homofobia e à discriminação, a efetivação da igualdade de gênero, a luta pela justiça social, entre tantos outros. Que a antropofagia de Oswald inspire a todos.

Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum 81. Nas bancas.



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