Editorial – As tragédias não deveriam deixar apenas marcas

Tragédias como a vivida pelo Japão no último mês não podem ser compreendidas apenas a partir dos seus resultados diretos. Não basta contar os mortos e fazer o balanço dos desafios econômicos que o...

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Tragédias como a vivida pelo Japão no último mês não podem ser compreendidas apenas a partir dos seus resultados diretos. Não basta contar os mortos e fazer o balanço dos desafios econômicos que o país vai ter de se impor para retomar seu percurso.

Por Revista Fórum

 

Tragédias como a vivida pelo Japão no último mês não podem ser compreendidas apenas a partir dos seus resultados diretos. Não basta contar os mortos e fazer o balanço dos desafios econômicos que o país vai ter de se impor para retomar seu percurso. É preciso ir além. Fazer o que os EUA, por exemplo, não foram capazes após o 11 de setembro de 2001. E não só este país como o mundo estão pagando o preço disso.

É evidente que são tragédias diferentes. Uma tem componente natural, outra não. Mas talvez o Japão e os EUA sejam ícones de modelos que precisam ser debatidos à exaustão para que o mundo se transforme.

O país americano é quase um quartel-general. Lá se pensa o planeta a partir das relações bélicas. E da dominação. Não há respeito aos recursos naturais ou minerais, que a pátria de Bush e Obama pensa sempre em se adonar.

O Japão também é um país imperialista, mas nos últimos tempos, muito por conta das imposições aos derrotados da II Guerra Mundial, apostou em se tornar um grande centro de produção e também de consumo. E se tornou um grande, gastando toda a energia possível para alavancar seu desenvolvimento.

Não é à toa que um terço da produção de energia do Japão provém de usinas nucleares, mesmo o país estando encravado em uma região onde historicamente há terremotos. Para dar conta da lógica capitalista que se impôs, o país precisa produzir muito, tornar obsoleto o que ainda é novo e desperdiçar o que for possível.

Esta edição da Fórum debate a tragédia japonesa também a partir desta perspectiva. Qual é o modelo de desenvolvimento que precisamos para ter uma vida compatível com as possibilidades do planeta?

A entrevista com Ricardo Abramovay é bastante elucidativa neste sentido. Merece ser lida, mas não somente isso. Merece ser pensada. Enquanto mulheres e homens não se derem conta de que as nossas tragédias não são apenas destino, vai ser muito difícil melhorar nossa condição de vida. E evitar outras tantas tragédias previsíveis.



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