Editorial – O momento oportuno da democracia direta

Períodos eleitorais são – ou deveriam ser – momentos propícios para que se discuta não apenas o embate de candidaturas, projetos ou propostas, mas também a própria efetividade daquilo que chamamos de democracia. Não...

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Períodos eleitorais são – ou deveriam ser – momentos propícios para que se discuta não apenas o embate de candidaturas, projetos ou propostas, mas também a própria efetividade daquilo que chamamos de democracia. Não que a dita democracia esteja restrita apenas à representação, mas é justamente nessas épocas que tais questões vêm à tona com mais força e se pode perceber a fragilidade do nosso sistema atual.

Apenas periodicamente, tratamos de assuntos que deveriam ser discutidos no dia a dia. A transição realizada na ditadura militar garantiu uma relativa continuidade da tradição de distanciamento entre a população e as esferas do poder. A participação, restrita aos momentos de encontro com a urna eletrônica, manteve sua estrutura praticamente inalterada, e o povo continua apartado das principais decisões do país.

O jurista Fábio Konder Comparato, na entrevista desta edição, atenta para os limites da participação popular que encontramos no Brasil, e constata que outros países, tanto os do Norte como os vizinhos, são muito mais elásticos e permeáveis. E toca em um ponto fundamental para a efetivação da democracia no país: a educação política.

Nada que se assemelhe à Moral e Cívica ensinada nas salas de aula de outrora, que tentava infundir nos alunos conceitos duvidosos de patriotismo e defesa de governos autoritários. Mas fala-se aqui de uma educação que torne possível o convívio mais próximo das pessoas com o poder decisório, que permita que possamos ter uma relação mais horizontal e nos dê mesmo o direito de errar e poder consertar o erro depois, o que é normal em qualquer escolha que se faça.

Passados 25 anos da escolha, por um colégio eleitoral, do primeiro presidente civil pós-regime militar, ainda temos entulhos autoritários que só servem à classe dirigente. É hora de saber quem são os candidatos que se colocam para representar a sociedade que estão dispostos a abrir mão do próprio poder que possuiriam depois de eleitos para partilhá-lo com a sociedade. Aí será possível distinguir quem são os verdadeiros homens públicos e quem subestima a capacidade do povo em tomar o destino em suas mãos.



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