Elas são mais corajosas

Entre os segmentos mais excluídos da sociedade, travestis e transexuais se organizam para enfrentar as inúmeras violências que sofrem no dia-a-dia

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Entre os segmentos mais excluídos da sociedade, travestis e transexuais se organizam para enfrentar as inúmeras violências que sofrem no dia-a-dia

Por Brunna Rosa e Glauco Faria

“Em nenhum momento eu soube que era travesti. Eu sou completamente heterossexual e acho que isso não tem dúvida.” Era assim que o jogador de futebol Ronaldo justificava, no programa Fantástico, da Rede Globo, o fato de ter ido a um motel com três travestis. O foco de discussão da mídia se concentrava justamente na questão do atleta ter supostamente tido relações homossexuais. Uma forma velada de homofobia que escancara um dos segmentos mais excluídos da sociedade brasileira: as transgêneros.

Embora haja controvérsias sobre o tema, pode-se dizer que, de forma geral, transgêneros são pessoas que não se identificam com o seu sexo biológico. Isso se expressa desde o hábito de usar roupas do gênero oposto, fazer tratamentos hormonais e cirurgias estéticas ou mesmo operações de mudança de sexo. Neste último caso, estariam as transexuais, que rejeitam ou não sentem prazer com seus órgão genitais, enquanto com as travestis isso não necessariamente ocorre.

O fato é que ambas enfrentam o estranhamento e a intolerância no seu dia-a-dia, sendo muitas vezes discriminadas, até mesmo por homossexuais. “De modo geral, muitas transexuais e travestis são postas para fora de casa pelos seus próprios familiares, por volta dos 13 ou 14 anos. Normalmente, neste período é que começa a busca pela nossa verdadeira identidade sexual”, explica a transexual pernambucana Aleika Barros, representante e coordenadora da Articulação e Movimento de Transgêneros em Pernambuco (Amotrans-PE). “Este ato de exclusão já contribui bastante para que estas pessoas sintam na pele a intolerância”, garante.

Estudos e pesquisas vão ao encontro da realidade contada Aleika. É nos dois ambientes mais importantes para crianças e adolescentes, o próprio lar e a escola, que travestis e transexuais sentem pela primeira vez o estigma e a discriminação que em geral as acompanham pelo resto da vida. Com isso, a saída de casa e o precoce contato com a prostituição acabam se tornando algo comum a muitas delas, com o quase simultâneo abandono da vida escolar. De acordo com o estudo Travestis profissionais do sexo: vulnerabilidades a partir de comportamentos sexuais, que coletou dados por meio de entrevistas individuais com cem travestis profissionais do sexo da cidade de Uberlândia (MG), 53% têm até o ensino fundamental incompleto e nenhuma possuía ensino superior.

“A baixa escolaridade deste segmento é enorme. E mesmo quem consegue ultrapassar essa barreira, acaba excluída devido ao preconceito”, conta Majorie Marchi, presidente licenciada da Associação de Transgêneros do Rio de Janeiro (Astra-Rio), organização que conta com 1.300 associadas em todo o estado. “A escola é o lugar das primeiras rejeições vividas na infância, mesmo as que não usam trajes, quando emanam um sinal de sexualidade fora dos padrões, acabam saindo, não há o reconhecimento da identidade”, relata ela, que é travesti desde os 13 anos e viveu da prostituição dos 14 aos 28. Atualmente, participa da Câmara Técnica de Elaboração do programa estadual Rio sem Homofobia.

Majorie tem sido uma das vozes mais ativas do movimento GLBT na contestação ao tratamento que a mídia deu ao caso Ronaldo. Em nota oficial da associação, ela reivindica que “as travestis e transexuais sejam respeitadas na sua identidade de gênero, que é feminina, e que sejam identificadas por seus nomes sociais, e não pelos nomes de registro”. E prossegue: “Infelizmente, a maior parte da mídia não tem observado esse princípio, que faz parte de um direito humano fundamental, preservando a dignidade das pessoas, que têm o direito de ser tratadas como se reconhecem.” Em outra nota, ela protesta contra a apresentadora Ana Maria Braga, que teria dito em uma entrevista com o “Fenômeno”, que ele “deveria dormir mais cedo em vez de se envolver em situações como essa e com esse tipo de gente”.

“O senso comum não vê a transexualidade como uma visão possível de sexualidade”, aponta a cientista social Larissa Pelucio, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade de Campinas (Pagu/Unicamp). Para ela, a imprensa tem dificuldade em reconhecer a travesti como um tipo de expressão de gênero distinto da caricatura usual que se faz delas. Larissa realizou um trabalho etnográfico com travestis, em especial da cidade de São Carlos (SP), e, segundo ela, um dos pontos mais importantes desse trabalho foi “ver a dimensão humana e as estratégias que elas têm que desenvolver para enfrentar o preconceito.”

Durante o período em que conviveu com travestis, Larissa conta que presenciou não somente as agressões físicas, algo tristemente normal para aquelas que trabalham nas ruas, mas a violência velada, só visível para quem é alvo dela. “São atos como impedir que a travesti entre em algum lugar. É um mal-estar constante. Nem sempre a violência física é o ato mais brutal, mas o riso no supermercado, os olhares na fila do banco, no circular”, observa. “A travesti desafia os catálogos identitários, não é homem, nem mulher, nem gay, segmentos que ainda têm um grau de aceitação maior na sociedade”, analisa o psicólogo Marcos Garcia, autor da tese de doutorado Dragões: gênero, corpo, trabalho e violência na formação da identidade entre travestis de baixa renda. Ele ressalta a dificuldade que elas enfrentam para sair da condição de profissional do sexo, em especial as que ganham menos. “Uma mulher que trabalha na prostituição, quando envelhece, tem a oportunidade de mudar de profissão e esconder seu passado. Já a travesti tem muito mais dificuldade por conta do estigma”, esclarece.

Agressões corriqueiras

“É uma vida difícil. Assim, difícil porque a gente não tem outro jeito. Então é melhor arriscar. Aí, põe Deus na frente e vem. A violência continua do mesmo jeito. Eu tô achando que tá até piorando mais ainda.” Esse era um trecho de um depoimento da travesti Gleice, no filme Basta um Dia, do documentarista Vagner de Almeida. Tristemente profético, já que ela foi assassinada depois, em novembro de 2007, por um cliente, conforme depoimento de Almeida, que tem muitas outras histórias como esta.

Episódios de agressão são corriqueiros, em especial para aquelas que fazem programas nas ruas. “São filhinhos de papai que passam tacando ovos, extintores, urina em sacos plásticos, fezes, pedras, isso quando não vêm grupos que espancam todas que encontram pela frente”, descreve Cris Stefanny, coordenadora-geral da Associação das Travestis de Mato Grosso do Sul (ATMS) e que também faz parte do Conselho Nacional de Combate à Discriminação. Ela ressalta que boa parte da violência sofrida pelas travestis é resultado da relação com os próprios clientes. “Quando não querem pagar pelo preço combinado com as travestis e transexuais profissionais do sexo, começam a dar escândalos e chamam a polícia com a mesma conversa da Carochinha de que foi ver o coelhinho da páscoa e dar volta na mula sem cabeça quando deparou com uma travesti que queria lhe roubar”, ironiza. “Como entre homens e mulheres, no meio também existem travestis boas e ruins, mas na maior parte dos casos que param na delegacia tudo não passou de desentendimento comercial. E sempre o cliente vem com o papo de que não sabia que se tratava de uma travesti, como se sair com travesti fosse ato anormal e elas não fossem pessoas merecedoras de direitos e dignidade”, completa.

Mesmo aquelas que conseguem se fazer notar pelo ativismo e pela defesa da diversidade, saindo do gueto, estão sujeitas a humilhações. A travesti Marcelly Malta, servidora pública da prefeitura de Porto Alegre e militante na área dos direitos das travestis e transexuais, foi homenageada pela prefeitura de Porto Alegre no Dia Internacional da Mulher deste ano. Malta recebeu um diploma oferecido a quem se destacou nas ações de parceria com o município, em prol do desenvolvimento da cidade e da melhoria das condições de vida das comunidades onde estão inseridas. Mas nem este reconhecimento vence o preconceito. No dia 13 de maio, Malta denunciou ter sofrido uma agressão no complexo hospitalar onde trabalha há 28 anos na capital gaúcha.

A servidora conta que se desentendeu com seguranças na saída do Posto de Atendimento Médico 3 (PAM 3) da rede municipal por causa de sua identificação. Na discussão, foi agredida e levada a uma sala vazia, onde foi chutada e esganada. “O que sinto mais não é a dor física e sim a dor psicológica. Minha auto-estima foi lá pra baixo”, declarou Marcelly Malta. Ela registrou queixa na delegacia e compareceu ao Instituto Médico Legal para fazer exame de corpo de delito, onde foi constatada luxação na faringe e em três costelas. A denúncia será levada ao Ministério Público.

O secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, Eliseu Santos, divulgou uma nota oficial para esclarecer a denúncia de Marcelly. De acordo com a nota, os agressores já foram identificados e “providências administrativas” estão sendo tomadas e diz que “é necessário afirmar que não existe qualquer tipo de argumento que justifique a violência sofrida pela senhora Marcelly Malta”. O secretário ressalta na nota que os seguranças agressores não são funcionários do município e fazem parte de uma empresa terceirizada, ironicamente chamada Grupo Reação.

“O nosso país é muito homofóbico e as pessoas se acham no direito até mesmo de assassinar”, afirma a deputada Cida Diogo, presidente da frente parlamentar GLBT da Câmara dos Deputados, que trabalha em prol da aprovação do PLC 122, que criminaliza a homofobia – atualmente em tramitação no Senado –, além de ser autora de um projeto de inclusão do nome social no RG das travestis. “Elas estão me procurando e estamos pesquisando as bases jurídicas para ver se conseguimos aprimorar este projeto. A proposta é substituir o nome no registro pelo nome social, mesmo sem a cirurgia (de mudança de sexo)”, explica a deputada.

A organização da luta

Hoje, existem diversas associações e grupos no Brasil organizados em torno da luta dos direitos de travestis e transexuais. Mas quase todos têm em comum a dificuldade em agregar apoios e chamar a atenção para a causa. “Muitas das trans já estão desacreditadas nessas lutas pela classe em busca de mais respeito e cidadania”, conta Aleika Barros, que participou da formação da Articulação e Movimento de Transgêneros de Pernambuco, estado que apresenta hoje o maior número de assassinatos de travestis no país.

“No mundo inteiro, o movimento GLBT surge do movimento da classe média alta”, analisa o psicólogo Marco Garcia, destacando uma outra dificuldade dos movimentos, que é alcançar as transgêneros de baixa renda. “No Rio de Janeiro e em Salvador, por exemplo, existem associações mais fortes. As ONGs GLBT também estão ajudando elas a se organizar, mas tenho a impressão que o forte ainda está nas travestis da classe média. As mais pobres estão longe”, comenta.

“Não podemos cair no lugar comum de vitimizar a travesti e esquecer de lhe proporcionar espaço de inserção nesta mesma sociedade que a exclui”, defende o documentarista Vagner de Almeida. “Sempre tem novas travestis entrando no mercado do sexo. Se elas não conseguem fazer a vida, ir para Europa, montar salão, o que acontece é o empobrecimento, podendo vir daí o envolvimento com as atividades ilícitas. Tudo fruto da discriminação”, pondera Garcia.

Mas, aos poucos, as barreiras começam a ser vencidas. Em janeiro deste ano, o ministro da Saúde José Gomes Temporão recebeu um grupo de representantes das travestis, que apresentou um documento com reivindicações do segmento no campo da saúde. O documento foi entregue no dia 29 de janeiro, o Dia da Visibilidade das Travestis. Hoje, no Sistema Único de Saúde, as transgêneros já podem ser atendidas pelo seu nome social.

Outra importante conquista é o projeto Damas, desenvolvido pela Secretaria de Assistência Social da prefeitura do Rio de Janeiro. Durante quatro meses, as participantes recebem uma bolsa-auxílio e são assessoradas por uma equipe técnica que garante o acesso à educação, à capacitação profissional e à participação em palestras de direitos humanos, saúde, entre outras. Ao final do curso, realizam estágio em empresas privadas, organizações não-governamentais ou órgãos públicos.

A travesti Majorie Marchi concluiu seu curso em 2006 e depois trabalhou na secretaria de Assistência Social, colaborando com a reformulação do projeto. “Hoje o programa se divide em dois momentos: no primeiro, elas aprendem técnicas relativas ao mercado de trabalho e, no segundo, discutem orientação sexual”, explica. “Antes de fortalecer elas mesmas ou as entidades, elas precisam saber sua história, por isso trabalhamos com um conteúdo pragmático próprio, trabalhando orientação sexual e identidade de gênero e a história do movimento social GLBT.”

Ativista, Majorie não desanima, mesmo quando encontra dificuldades na discussão do tema, como a que ela conta ter acontecido em um dos encontros do Rio Sem Homofobia, uma câmera técnica inter-setorial. “Uma vez, em uma das reuniões com as secretarias do governo, uma representante de uma secretaria falou que seria um privilégio desenvolver projetos para a comunidade GLBT. Eu respondi o seguinte: não é privilegio não. O privilégio existe quando nosso quadro social é igualitário, mas quando o cenário é de desvantagem e as medidas são para igualar ou diminuir as mazelas, não há privilégio.” Pessoas como ela e outras ouvidas nessa matéria, além de tantas que lutam pela causa, podem finalmente tirar as transgêneros do gueto que o preconceito as condenou.

Os riscos na busca do corpo perfeito

“Queria me levantar da cama porque não conseguia suportar toda aquela dor, mas sabia que era a dor da beleza e não me mexi”, o depoimento é da travesti Fernanda, e faz parte do livro Princesa, um depoimento de uma travesti a um líder das Brigadas Vermelhas, e exemplifica a busca da travesti pela feminilizacão do seu corpo e a afirmação de sua identidade. No entanto, muitas delas possuem baixa renda e, desprovidas do acesso a meios e técnicas de custo elevado, recorrem a técnicas extremamente perigosas. São aplicações de silicone líquido, em uma combinação muitas vezes fatal de cola Superbonder e agulhas veterinárias.

O processo é rápido, ao contrário do tratamento com hormônios. Em horas, a travesti tem seu corpo modificado. Mas também é um processo doloroso. A sessão conta com a bombadeira, chamada assim por ser a responsável por “bombar” o corpo, isto é, injetar o silicone líquido na região. Também está presente uma assistente, em geral responsável pelo enchimento das seringas e pelo fechamento dos furos, realizado com pedaços de papelão e Superbonder. “O silicone injetável é um produto de uso industrial e migra no corpo. Migra para as virilhas, pernas, joelhos e pés. Nestes casos as travestis convivem com ele, e ocasionalmente têm problemas circulatórios”, explica a assistente social Eliana Chagas, que trabalha em uma organização de travestis em Aracaju (SE), a Associação das Travestis na Luta pela Cidadania (Unidas). O silicone já causou a morte de diversas travestis, principalmente quando a aplicação é nas mamas, pois pode migrar para os pulmões e outros órgãos vizinhos.

Em Aracaju, a Unidas, realizou uma pesquisa com as travestis do estado e constatou que 92% das entrevistadas conheciam amigas que tiveram complicações na aplicação. Mesmo assim, 80% fariam a aplicação do conteúdo. Para conscientizar as bombadeiras e as travestis, a Unidas produziu o livro Silicone – Redução de danos e organiza oficinas sobre o tema. “Fizemos as cartilhas com fotos, algumas até chocantes. Insistimos sempre nas discussões sobre o assunto, no cuidado com a higiene e assepsia do espaço físico onde as aplicações são feitas”, relata a assistente social. “Temos percebido que pelo menos aqui em nosso estado as aplicações nas mamas não têm mais acontecido. Conversamos por diversas vezes com as bombadeiras sobre estes riscos e as travestis têm buscado colocar próteses mamárias”, informou Eliana Chagas.

“Amo travestis mesmo”

Sim , amo travestis mesmo, já namorei uma durante quatro anos e fiquei casado com outra durante um ano, morei na mesma casa. Estou iniciando uma nova relação, espero que dê certo.” O depoimento é de Paulinho Cazé, 30 anos, que, ao contrário de outros t-lovers, não tem medo de demonstrar sua afeição publicamente. “Digo que sou um amante de travestis, assumo elas em qualquer lugar, isso na minha vida superou fronteiras, a ponto de minha família e amigos de infância aceitarem minha condição.”

Cazé tem um blogue, o SampaTrans, onde divulga as entrevistas que faz com travestis. “As meninas só querem ser respeitadas, nada mais, já os ‘amantes de travestis’ querem saber sobre como é a primeira experiência, pedem pra indicar uma transa… Perguntam se são gays ou não por que saem com travestis, essas coisas de quem está iniciando uma etapa na vida”, conta.

A pesquisadora Larissa Pelucio formou na rede de relacionamentos Orkut a comunidade “Homens que gostam de Travestis” (hoje com 5.056 membros), o que facilitou o seu contato com os t-lovers para realizar sua tese de doutorado. Vários dos perfis na comunidade não têm fotos de rostos, mas apenas de partes do corpo. Segundo ela, grande parte pertence à classe média, e são profissionais liberais, na maioria com idade entre 25 e 40 anos. São casados com mulheres, que costumam chamar de genetic girls.

Na internet, as travestis reivindicam que seus parceiros façam como Paulinho Cazé e assumam sua orientação sexual, o que ajudaria a diminuir o preconceito. No mesmo Orkut, uma das travestis explica que “todos os namorados que tive eram homens heterossexuais que se apaixonaram por mim, e depois que nosso namoro acabou eles voltaram a namorar ou casar com mulheres. Mas enquanto estivemos juntos, eles me assumiram totalmente diante de suas famílias e amigos. Já com os t-lovers, eu tive casos fortuitos e às escondidas. Hoje, que tenho mais consciência política, me nego a ter um namorado que não me assuma. Para mim, isso passou a ser um defeito grave, por mais belo que seja o cara”. E prossegue, repudiando o comportamento dos parceiros que procuram relações, mas que as enxergam “simplesmente como um o obeto sexual. Um tipo de cafajeste que transa com as trans, mas diante da sociedade fala mal das travestis, enfim, o comportamento típico de quem vive no armário. Um verdadeiro t-lover é um homem que se realiza não só sexualmente, mas afetivamente, com uma trans, além de assumi-la diante de todos.” F



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1 comment

  1. Rafael climaco Responder

    muito boa a iniciativa de voces sou casado uma travesti a um ano quatro meses tenho 29anos e ela 22 hoje assumido na familia ja aprendi comol lidar com o preconceito espero que mais homens assumam as travestis e transex pois so a uniam faz forca –


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