Eles não querem que nada mude

Editorial da revista Fórum de outubro Por   Na edição de setembro, o economista Ladislau Dowbor foi capa da Fórum. Essa foi a forma que encontramos para...

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Editorial da revista Fórum de outubro

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Na edição de setembro, o economista Ladislau Dowbor foi capa da Fórum. Essa foi a forma que encontramos para discutir o contexto da crise econômica gestada nos EUA e que abala os dogmas neoliberais recitados como mantras pelos defensores do Estado mínimo. O entrevistado já falava das mudanças nem sempre perceptíveis e tampouco devidamente estudadas que a economia mundial vive, como também as oportunidades que se abrem diante desse cenário.
Mas Dowbor também falava dos obstáculos que impedem a tendência à cooperação, algo que cresce cada vez mais. As grandes corporações, que têm na restrição ao conhecimento e na defesa de patentes seus principais ativos, não parecem muito à vontade para abrir mão dos seus privilégios.
No mesmo sentido, o entrevistado principal desta edição, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, alerta para os riscos que uma crise deste porte traz. Para ele, não vai existir uma saída mais progressista do estilo New Deal, mas o que pode ocorrer é justamente uma saída ainda mais reacionária. “O individualismo, a incapacidade de perceber as conexões entre os fenômenos, a idéia do sucesso individual e a atribuição da responsabilidade do fracasso exclusivamente ao indivíduo, do winner e do loser, tudo isso avançou muito, destruiu o que restava do comunitarismo que o [Alexis de] Tocqueville via como força de re-equilíbrio”, explica.
É até engraçado ver os Estados Unidos estatizarem ou darem ajudas generosas a instituições ligadas ao manicômio financeiro que está no topo da economia. Mas também não é possível ignorar que, longe de qualquer aspiração “socialista”, esse tipo de auxílio só é possível porque tem como principal objetivo manter o status quo e, de certa forma, sustentar e manter o aparato ideológico que os estadunidenses aprenderam a venerar e no qual, de fato, acreditam.
A reação conservadora, ainda que por meios tortos, já começou a responder à crise. Está mais do que na hora das forças progressistas começarem a discutir e desenhar as linhas de um novo modelo econômico, calcado no contexto atual e que possa fazer frente às resistências de quem não deseja que nada mude.
Ou então restará lamentar por mais uma oportunidade perdida. F



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