Espaço Solidário

Por Moriti Neto   Marcha das Margaridas 2011: pauta entregue no Planalto Uma das principais mobilizações do movimento das mulheres e do sindicalismo rural brasileiro estará...

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Por Moriti Neto

 

Marcha das Margaridas 2011: pauta entregue no Planalto

Uma das principais mobilizações do movimento das mulheres e do sindicalismo rural brasileiro estará nas ruas de Brasília nos dias 16 e 17 de agosto: a Marcha das Margaridas 2011. Nos trabalhos de articulação do movimento, no último dia 13 de julho, a comissão organizadora entregou a pauta de proposições e reivindicações a ministros, num ato político realizado no Palácio do Planalto, embalado pelo hino da marcha, entoado por mais de 60 mulheres, entre dirigentes sindicais e parceiras.

Contando com 158 pontos, a pauta foi entregue a seis ministérios. Receberam o documento: Afonso Forense, ministro do Desenvolvimento Agrário; Isabela Teixeira, ministra do Meio Ambiente; Iriny Lopes, ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres; Luiza Barros, secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial; Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, e a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, que enviou um representante.

Temas

O encontro foi aberto pelo secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que confirmou a presença da presidenta da República, Dilma Rousseff, na Marcha das Margaridas. “Isso demonstra a vontade política da presidenta, que deseja dar respostas objetivas às mulheres”, afirmou Carvalho. Segundo o secretário, já foram designados nomes para trabalharem na pauta, que envolve uma ação interministerial.

Em seguida, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) Alberto Broch, ressaltou o caráter aberto e democrático da construção da pauta de reivindicações por mulheres de vários lugares do Brasil. “Elas não lutam somente por direitos corporativos. Elas estão integradas num projeto de desenvolvimento de sustentabilidade econômica, social e ambiental”, ressaltou.

A secretária nacional das mulheres trabalhadoras rurais da Contag e coordenadora geral da Marcha, Carmem Foro, apresentou a pauta aos ministros, destacando o modelo agroecológico, a educação não sexista e o combate ao modelo de desenvolvimento atual. “Queremos ajudar a pensar os rumos do desenvolvimento e plantar, no Planalto, uma agenda política que seja capaz de combater as desigualdades deste País”, destacou.

Creches no campo

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, falou a respeito do total interesse do governo em dar atenção às demandas do movimento. Segundo ela, as reivindicações já fazem parte das políticas públicas da gestão de Dilma Rousseff. “O governo está aguardando o momento de diálogo, já que a política para as mulheres é política para o País”, disse. Ela apontou, ainda, uma novidade no atendimento à pauta das Margaridas para 2011: a criação de creches no campo.

Os eixos da pauta

O ato marca o início das negociações com o governo federal em torno de sete eixos temáticos: biodiversidade e democratização de recursos naturais; terra, água e agroecologia; segurança alimentar e nutricional; autonomia econômica, trabalho e renda; saúde pública e direitos reprodutivos; educação não sexista, violência e sexualidade; democracia, poder e participação política.

Questionada sobre a importância do momento histórico que tem à frente a primeira mulher presidindo o Brasil e dos vínculos disso com uma maior sensibilidade pela causa, a coordenadora geral da Marcha das Margaridas, Carmem Foro, enfatizou: “não se trata de uma questão de sensibilidade, mas de assumir compromissos. O governo pode ser de um homem ou uma mulher. O nosso papel é fazer críticas e pressão para mudar a realidade das mulheres no campo”.

No Rio de Janeiro, mais um impulso à economia solidária       

Na cidade de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, entre os dias 14 e 16 de julho, ocorreu mais um evento que contribui para a articulação da economia solidária no Brasil. O Circuito Goitacá de Economia Solidária, promovido pela Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares (ITEP) – programa desenvolvido pela Universidade Federal do Norte Fluminense (Uenf) – e Casa de Cultura Villa Maria, foi idealizado como um espaço de comercialização e trocas solidárias realizados de forma direta entre produtores e consumidores organizados e inseridos no Fórum Local de Economia Solidária.

Os jardins do bairro Villa Maria foram o palco do estímulo às práticas de comércio justo, trocas solidárias e espaço de promoção das artes e valorização de artistas locais ligados à dança, teatro, música e outras expressões que se aproximam do movimento de economia solidária local. Artesãos, estilistas, artistas, ativistas culturais, fotógrafos e produtores formaram o conjunto de atores do evento.

O foco do trabalho da ITEP é promover e incentivar o consumo de bens e serviços produzidos pelos empreendimentos de economia solidária, dada a grande capacidade que possuem de gerar trabalho e renda e, ao mesmo tempo, distribuir, de forma justa, a riqueza que geram, além de serem personagens ativos na construção de uma nova dinâmica para o desenvolvimento do território local.

Durante toda a realização do circuito, houve um palco livre para a apresentação dos artistas nos três dias, onde era possível fazer a divulgação dos trabalhos inscritos. Outro destaque do evento foi a moeda social Motirõ, que circulou durante toda a programação e pôde ser trocada por óleo de cozinha usado e materiais reciclados, como embalagens pet, tetra pak e latas de alumínio.



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