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Por Moriti Neto   Campanha contra agrotóxicos leva filme e debate até Pernambuco O documentário O veneno está na mesa, do cineasta carioca Silvio Tendler (autor de...

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Por Moriti Neto

 

Campanha contra agrotóxicos leva filme e debate até Pernambuco

O documentário O veneno está na mesa, do cineasta carioca Silvio Tendler (autor de filmes como Os anos JK, uma trajetória política e Jango)  faz uma chamada para a luta contra o agronegócio e destaca a importância do estímulo à agricultura familiar. A importância do cultivo da produção agrícola saudável, livre de uso dos agrotóxicos – para um país onde 70% dos alimentos que compõem a dieta dos brasileiros são da agricultura familiar – torna o filme um forte  instrumento para o  debate sobre os meios do trabalho no meio rural.

Com a ideia de fomentar ainda mais a discussão, Tendler esteve em Pernambuco, na região nordeste, no último mês de outubro. Na visita, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape) proporcionou o encontro do cineasta com famílias agricultoras da zona da mata pernambucana. O momento serviu para a coleta de informações sobre a realidade de trabalhadores rurais do estado e subsidiará um novo documentário que dará continuidade ao debate sobre os agrotóxicos e os riscos causados por eles.

No dia 20 de outubro, a exibição de O veneno está na mesa  reuniu cerca de 240 pessoas no salão nobre da Universidade Federal Rural de Pernambuco (Ufrpe). Estudantes, professores e agricultores acompanharam todo o percurso e os estragos causados pelo uso de agrotóxicos e a relação deles ao sistema do agronegócio.  Após a apresentação, houve debate sobre o assunto. Em linhas gerais, o documentário alerta sobre o uso indiscriminado de agrotóxicos na agricultura brasileira que atualmente é a recordista na utilização de agentes químicos, com a aplicação de 5,2 litros/ano por habitante.

O documentário – com 50 minutos – foi lançado em julho deste ano e destaca a urgência do tema. Nele, são apontados riscos ambientais e de saúde pública causados pelos agrotóxicos, além dos históricos interesses econômicos das iniciativas pública e privada no setor agrícola.  O filme circula em diversos estados do Brasil, geralmente acompanhado da presença do cineasta.

A campanha 

A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida foi lançada em 7 de abril deste ano e reúne mais de 30 entidades da sociedade civil brasileira: movimentos sociais, entidades ambientalistas, estudantes, organizações ligadas à área da saúde e grupos de pesquisadores.

O  presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Francisco Roberto Caporal, que faz parte do conjunto de ações da campanha, esteve na apresentação do filme e destaca a facilidade propiciada no Brasil para a regularização dos agrotóxicos como um dos pontos críticos da expansão desses produtos. “Enquanto nos Estados Unidos são necessários em torno de 250 mil dólares para registrar um principio ativo, no Brasil, esse valor gira em torno de 33 a 100 dólares. A importância da intervenção do governo e da atuação constante da sociedade aparece como cerne para a continuidade do debate”, comenta.

Sancionado, Bolsa Verde alia combate à pobreza com preservação ambiental        

No dia 17 de outubro, data que marca o Dia Mundial de Combate à Pobreza, a edição do Diário Oficial da União (DOU) publicou sanção da presidenta Dilma Rousseff para a lei que cria o Programa de Apoio à Conservação Ambiental (Bolsa Verde), parte do Plano Brasil sem Miséria, projeto do Governo Federal lançado neste ano para erradicar a pobreza extrema do país.

O Programa de Apoio à Conservação Ambiental prevê o pagamento de R$ 300 por trimestre a famílias em situação de extrema pobreza que estejam em unidades de conservação e desenvolvam ações para preservá-las. O objetivo é aliar a preservação ambiental à evolução da qualidade da vida e a elevação da condição socioeconômica.

Como receber 

Para receber o Bolsa Verde é preciso estar em situação de extrema pobreza, fazer parte do cadastro único para programas sociais do governo federal e desenvolver atividades de conservação nas áreas previstas.

A família também deverá estar inscrita em cadastro a ser mantido pelo Ministério do Meio Ambiente e aderir ao Programa de Apoio à Conservação Ambiental por meio da assinatura de termo de adesão. A transferência dos recursos será feita por até dois anos, podendo ser prorrogada.

Conservação

Entre as áreas de conservação abrangidas pela lei estão florestas nacionais, reservas extrativistas e de desenvolvimento sustentável federais; projetos de assentamento florestal, agroextrativista e projetos instituídos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Estão incluídos também territórios ocupados por ribeirinhos, extrativistas, populações indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais.

A lei define que, para cumprir os objetivos do programa, a União fica autorizada a disponibilizar serviços de assistência técnica a famílias em situação de extrema pobreza que desenvolvam as atividades de conservação de recursos naturais no meio rural.



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