Espaço Solidário – museu comunitário e Mostra Luta

Experiências de economia solidária que trasnformam as realidades locais. Por Camila Souza Ramos   Moradores da periferia de Belém criam museu comunitário O bairro mais pobre...

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Experiências de economia solidária que trasnformam as realidades locais.

Por Camila Souza Ramos

 

Moradores da periferia de Belém criam museu comunitário
O bairro mais pobre de Belém (PA), Terra Firme, terá, a partir deste mês de junho, um centro de cultura e memória gerido pela própria comunidade. No fim de maio foi eleito um conselho gestor para administrar o museu comunitário de Terra Firme, uma iniciativa de um grupo de mulheres que se organizaram e resolveram realizar oficinas e trabalhos ligados à gastronomia e ao artesanato local, estimulando assim manifestações culturais locais. A iniciativa vem sendo apoiada pelo governo federal após ter sido reconhecida como um Ponto de Memória – espaço onde se promove a preservação do patrimônio cultural de uma determinada comunidade.

Iniciativa semelhante também existe na Favela da Maré, que abrigou a primeira experiência do gênero, inaugurada em 2006. Na favela do Pavão-Pavãozinho, ao invés de um espaço físico para concentrar o acervo e as atividades, os moradores envolvidos com o projeto resolveram fazer de toda a favela um grande museu a céu aberto, como explica Mário Chagas, museólogo e diretor do Departamento de Processos Museais do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). “Estão fazendo sinalizações na favela indicando o que eles consideram patrimônio cultural, desde manifestações até lugares específicos”. Para se conhecer o museu, é preciso fazer um roteiro na comunidade.

Cada museu comunitário tem sua própria forma de organização e funcionamento. O de Belém está assentado em iniciativas que já existiam, principalmente em torno de festivais de gastronomia local, considerada pelos moradores como patrimônio cultural da comunidade. Além de Belém e Rio de Janeiro, outras 10 cidades já abrigam museus comunitários apoiados pelo Programa Ponto de Memória: Recife, Maceió, Salvador, Vitória, Belo Horizonte, Brasília, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Fortaleza.

“Durante muito tempo os museus foram vistos como equipamentos culturais ligados à aristocracia. Agora as comunidades populares começam a perceber que eles podem ser um bom instrumento utilizado para o desenvolvimento local e comunitário”, conta Chagas. A experiência de museus comunitários já existia em outros países no século passado, como no México e Chile nos anos 1970, e em Portugal após a Revolução dos Cravos.

O programa é financiado com verbas do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Defesa, e do Ministério da Cultura.

Mostra Luta reúne produções sobre lutas sociais

Não é em qualquer mídia que podem ser vistas produções audiovisuais, fotográficas ou poéticas sobre as lutas sociais pela garantia e conquista de direitos e contra as opressões. Para abrir mais oportunidades para essas produções, o Coletivo de Comunicadores Populares, grupo que atua pelo direito à comunicação, organiza neste ano a terceira edição da Mostra Luta, com produções artísticas e de comunicação que abordam temáticas sociais.

A primeira edição ocorreu em Campinas, onde surgiu o coletivo, e reuniu 21 produções audiovisuais, em sua maioria documentários de curta-metragem que abordaram lutas, como as dos sem teto, sem terra, a luta pela diversidade sexual, antimanicomial e a operária. Já a segunda mostra abre espaço para exposições fotográficas e para mesas de debates sobre movimentos sociais.

Esta edição ocorrerá no Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas, entre os dias 18 e 26 de setembro e, além de vídeos e fotografias, a organização também aceitará a inscrição de poesias, quadrinhos e charges. Os interessados em divulgar alguma produção que se enquadre nas exigências da mostra devem se inscrever no site http://mostraluta.org/ e enviar seus trabalhos até o dia 15 de julho.



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