Espaço Solidário – O potencial solidário no Complexo do Alemão

Economia solidária no Complexo do Alemão e Mostra Nacional de Economia Solidária Por Moriti Neto     O Complexo do Alemão, comunidade com aproximadamente 400 mil moradores, na...

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Economia solidária no Complexo do Alemão e Mostra Nacional de Economia Solidária

Por Moriti Neto

 

 

O Complexo do Alemão, comunidade com aproximadamente 400 mil moradores, na Penha, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, foi notícia na mídia no final de 2010 por conta da mega-operação policial-militar ocorrida no local. Na ocasião, os olhares se voltavam para a questão da segurança, e pouco se falava do cotidiano da comunidade, muito menos do potencial de comércio ali existente.

No entanto, há aproximadamente um ano e meio, a prefeitura do Rio de Janeiro e as lideranças comunitárias realizaram um levantamento no complexo e identificaram cooperativas de transportes, de salgadinhos, de reciclagem de garrafas pet e outros grupos considerados informais. O estudo aponta que cerca de 7.000 pequenos empreendimentos movimentam o Complexo do Alemão.

Em dezembro passado, iniciou-se um programa para ensinar como os empreendedores podem ampliar a geração de emprego e renda, vender mais e compartilhar o lucro com base nos princípios da economia solidária. Além de abordar práticas comerciais sustentáveis, o projeto Rio Ecosol vai ensinar os empreendedores a calcular custos e preços, controlar a produção, o marketing e a logística compartilhada. “Como na comunidade já existem pequenos empresários que fazem essas atividades, os educadores são recrutados lá mesmo”, comenta Adriana Bezerra, organizadora do projeto.

O objetivo do programa é desenvolver uma série de negócios e, assim, incentivar a cadeia produtiva, da comercialização à venda, em feiras e até pela internet. E, para garantir que todas as atividades econômicas do Complexo do Alemão participem do Rio Ecosol, os empreendimentos são identificados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para facilitar o reconhecimento da área, são treinados moradores da localidade, que receberão mensalmente um salário mínimo e trabalharão nove meses realizando levantamentos de campo.

Também fazem parte do projeto Rio Ecosol o Complexo de Manguinhos, na Zona Norte, o morro Santa Marta, na Zona Sul, e a Cidade de Deus, na Zona Oeste.

Mostra Nacional de Economia Solidária: foco na integração

De 8 a 12 de dezembro, na cidade de Salvador (BA) ocorreu o maior encontro do movimento de economia solidária já realizado no Brasil: a II Mostra Nacional de Economia Solidária. Além da mostra, aconteceram, paralelamente, a VI Feira Baiana de Economia Solidária e Agricultura Familiar e o I Seminário Regional de Comercialização Solidária.

A realização conjunta dos três eventos reuniu 600 expositores de todas as regiões brasileiras, mostrando o crescimento e a consolidação da economia solidária no país. As experiências mostraram como é possível produzir e comercializar, tendo por base relações justas e sustentáveis, visando o desenvolvimento socioeconômico das comunidades, com produtos e serviços dos mais variados, de artesanato a pontos de cultura, passando por alimentos, remédios fitoterápicos, bijuterias, confecção e linhas de crédito.

O foco da mostra foi a afirmação da atividade dos empreendimentos de economia solidária e a integração entre os produtores, sendo as feiras os principais espaços de expressão. “A economia solidária não tem espaço para disputas entre o pequeno e o grande, aqui todo mundo é igual. Estamos juntos para viver a solidariedade”, diz Lurdes Dill, idealizadora e organizadora da Feira Latinoamericana de Economia Solidária, realizada há 16 anos no município de Santa Maria (RS) e que reúne empreendimentos do Brasil, Argentina, Bolívia e Uruguai.

Um dos aspectos mais discutidos na ocasião foi o decreto assinado pelo então presidente Lula, no último dia 17 de novembro, regulamentando o Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário (SNCJS). O Brasil é o primeiro país do mundo a adotar tal medida. No total, 150 empreendimentos econômicos solidários vêm sendo preparados para se adequarem ao SNCJS e todos eles tiveram a oportunidade de debater o tema na Mostra Nacional.

A II Mostra Nacional de Economia Solidária, a VI Feira Baiana e o I Seminário Regional foram fruto de uma parceria entre a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes/MTE), o Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), o Instituto Marista de Solidariedade (IMS), o Fórum Baiano de Economia Solidária e o Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte e da Prefeitura de Salvador.



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