Josué de Castro, Emir Sader e Jornalismo e Política Democrática no Brasil

A seleção Fórum das novas publicações Por Redação   Josué de Castro, o gênio silenciado Vandeck Santiago Fliporto R$ 25 Publicado como reportagem em 2004, no Diário...

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A seleção Fórum das novas publicações

Por Redação

 

Josué de Castro, o gênio silenciado
Vandeck Santiago
Fliporto
R$ 25

Publicado como reportagem em 2004, no Diário de Pernambuco, a obra Josué de Castro, o gênio silenciado, do jornalista Vandeck Santiago, ganha novas entrevistas e apurações e é lançada como parte das comemorações do centenário de nascimento de Castro, que marcaram o final do ano de 2008.
O médico, escritor, cientista, sociólogo, político, geógrafo e intelectual ou simplesmente “cidadão do mundo” tem seus passos revistos em entrevistas, reportagens e textos que, de maneira simples e direta, abordam o homem que falou da fome, dos meninos que possuíam “o bucho estofado de lama”, dos adultos que se assemelhavam a “bonecos de pano mal costurados”.
Resgatar e garantir que as vozes dos que denunciam as injustiças sociais não sejam silenciadas e esquecidas é o grande mérito do livro. Entre várias passagens, ou autor lembra que este pernambucano, por dois mandatos, presidiu o conselho executivo da FAO, organismo da ONU para Agricultura e Alimentação. Neste mesmo período, o assunto era proibido em seu próprio país, já que em 1964 Josué estava incluído na primeira lista de cassações políticas, junto com Paulo Freire, Celso Furtado, Miguel Arraes e Francisco Julião. “É um exemplo de vida para todos os militantes sociais do país. Para todos os que querem mudar nosso país, que queremos uma sociedade mais justa e fraterna”, sustenta João Pedro Stédile, membro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em entrevista que consta no livro. Ninguém há de duvidar.

A nova toupeira
Emir Sader
Boitempo
R$ 39

Poucos duvidam que a América Latina esteja despontando como o continente que constrói alternativas. E o sociólogo Emir Sader dá nome para essa região emergente: “A nova toupeira”.
Lançado durante o Fórum Social Mundial, em Belém (PA), o livro relembra os caminhos subterrâneos que a toupeira fez até chegar à superfície e os refaz até o momento em que explodiram as contradições, trazendo à tona os “gritos contra o neoliberalismo”, representados pelos zapatistas, pelos movimentos indígenas, pelas eleições de governos progressistas e pela articulação dos movimentos sociais. Mas quais são os desafios, os dilemas e o potencial da esquerda local daqui para frente?
Como avançar e ao mesmo tempo resistir à nova rearticulação da direita no continente? Como não sucumbir ao poderio da mídia, que cada vez mais ocupa uma posição estratégica na sociedade?
São questões que Emir, logicamente, não responde, mas deixa nas páginas de seu livro a certeza de que é preciso compreender os caminhos para estarmos preparados diante das questões políticas de nosso tempo.

Jornalismo e Política Democrática
no Brasil
Carolina Matos
Publifolha
R$ 52

Para discutir a relação entre a mídia e a política no Brasil, a pesquisadora Carolina Matos estudou quatro momentos: as Diretas Já, as eleições de 1989, o Plano Real e o governo FHC e a eleição de Lula em 2002. A cada período, a amostra de textos analisados varia de 870 a 1.200 em cada caso, além de 38 entrevistas com jornalistas em diferentes cargos e pesquisadores.
Com isso, a jornalista e doutora na Universidade de Londres buscou traçar as mudanças do universo da política – e da mídia – a partir de meados dos anos 80 até 2002. Matos defende que o jornalismo teve um papel positivo no avanço de questões como ética e transparência na política.
Ela percebe uma evolução no grau de independência da cobertura, mas conclui: “os preconceitos da mídia brasileira são menos o resultado das rotinas do jornalismo organizacional (…), e são mais o reflexo das preferências dos donos da mídia, das influências culturais, das atitudes individuais e das restrições econômicas e políticas”.
Mesmo reconhecendo que preconceitos e procedimentos enviesados continuam a ocorrer, é interessante refletir sobre a avaliação de que houve qualificação no período. A análise não alcançou a eleição de 2006, reconhecida pela própria autora como “rica em disputas partidárias travadas na arena midiática”.



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