Nossa palavra: Início de novos tempos

Editorial de janeiro. Por   O governo Bush não poderia ter encontrado forma mais melancólica e estapafúrdia para se despedir. Só isso já nos dá razões para...

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Editorial de janeiro.

Por

 

O governo Bush não poderia ter encontrado forma mais melancólica e estapafúrdia para se despedir. Só isso já nos dá razões para comemorar os acontecimentos políticos de 2008.

Em primeiro lugar, o Partido Republicano sofreu uma dura derrota nas últimas eleições presidenciais. E Bush não conseguiu sequer ter no seu próprio partido um candidato que defendesse o seu governo, já que John McCain era um pré-candidato republicano outsider. E venceu as prévias exatamente por isso.

Quem o derrotou nas eleições foi um candidato democrata que surgiu para a política internacional enfrentando sua política belicista e sanguinária.

Por fim, quando ele efetivava seu último ato no Iraque, tentando dar a entender que sua guerra insana havia construído um Estado democrático, um jornalista independente alvejou-o com uma sapatada e redimiu com seu gesto milhões de cidadãos mundo afora.

Bush é passado. Ideias e práticas como as suas infelizmente ressurgem de tempos em tempos embaladas por um ou outro assassino. Alguns com talento. Outros nem tanto. Aliás, Bush passará para a história como um presidente da segunda opção. E isso nos interessa.

Os erros cometidos por ele não foram poucos e colocaram novas possibilidades para o movimento altermundista. Nos tempos atuais, não há mais espaço para Estados imperiais. Mas como criar uma nova ordem mundial? Os conservadores do Fórum Econômico Mundial já têm seu modelo. Numa edição da Newsweek do final do ano passado, eles pedem um multilateralismo de veneta, que incluiria, além do G8, China, Índia e Brasil. Trata-se de mais do mesmo.

É hora de avançar para uma outra construção, em que os movimentos sociais internacionais sejam atores centrais. Como isso se dará? Esta talvez seja a grande reflexão que o FSM deve fazer nas mesas que debaterão o tema em Belém.

Precisamos avançar na construção de um novo contrato de relações entre a sociedade e o Estado. E entre os Estados. A crise econômica e o rearranjo do tabuleiro global conspiram para isso. É chegada a hora.



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