Nova Orleans, tomara que se recupere

Crônicas de Mouzar Benedito Por Mouzar Benedito   Vi uma lista das dez cidades com maior número de homicídios por 100 mil habitantes em todo o mundo...

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Crônicas de Mouzar Benedito

Por Mouzar Benedito

 

Vi uma lista das dez cidades com maior número de homicídios por 100 mil habitantes em todo o mundo e me surpreendi: Nova Orleans é hoje uma delas. Fiquei com pena. Sempre ameaçada por furacões no fim do ano, ela acabou sendo arrasada pelo Katrina – tragédia piorada com o abandono das vítimas pelo governo Bush –, virou meio terra de ninguém por uns tempos e continua temendo furacões, agora com uma neurose justificada. Este ano já teve fuga em massa da cidade, por causa de outro furacão. E as conseqüên­cias estão aí: violência crescente.
Felizmente, conheci a cidade antes do Katrina. E carrego desde os tempos do tal furacão uma maldade: achar que em vez de Nova Orleans ser destruída, o destino deveria desviar o Katrina para outra cidade daquelas muito bestas, típicas dos Estados Unidos. Por que Nova Orleans, um lugar diferente, musical, boêmio, onde a comida típica não é hambúrguer nem espaguete, e com muitas outras qualidades?
Eu tinha uma certa expectativa positiva ao decidir ir a Nova Orleans, e foi correspondida e até superada. Não era uma expectativa só minha, mas também da Célia, minha mulher, e de uns amigos que viajaram conosco. O bairro francês, com umas 15 quadras beirando o rio e umas oito para dentro, era mesmo uma maravilha, funcionando 24 horas por dia, tendo em cada esquina grupos tocando jazz, com um chapéu no chão para receber gorjetas. Eram compostos na maioria por negros, cada grupo aparentemente da mesma família, com o velho veterano da música, seus filhos e seus netos. Desde crianças iam se incorporando às bandas de jazz.
À noite, a Bourbon Street, cheia de bares com jazzistas tocando ao vivo, era fechada para carros e ocupadas por pedestres bebendo chope em copos descartáveis (na mesa, a bebida era mais cara). Além dos bares, casas de strip-teases atraíam turistas.

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