O caráter democrático do FSM

Editorial Por   A cada edição do FSM renova-se o debate a respeito de qual deve ser seu caráter. Ao menos duas posições relativamente distintas se opõem....

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A cada edição do FSM renova-se o debate a respeito de qual deve ser seu caráter. Ao menos duas posições relativamente distintas se opõem. Uma,
a dos que defendem que o Fórum deve passar a ter determinadas posturas em relação a algumas questões e que, ao mesmo tempo, precisa ser mais centralizado. Outra entende que a natureza do evento é de grande diversidade e que as posições podem ser assumidas por alguns ou muitos participantes, mas
que não devem ser consagradas entre todos os altermundistas.
Fórum considera esse debate extremamente complexo e enxerga virtudes e problemas em ambos os lados.

Muito do que se construiu nesse processo deve-se ao seu caráter amplo.

Por outro lado, alguns momentos talvez exigissem uma manifestação mais clara, ao menos do Conselho Internacional. Um exemplo recente, a bárbara chacina promovida pelo Estado de Israel em território palestino. Contra os massacres e guerras o FSM deveria ter posicionamento sempre, mesmo que suas posições fossem as mais cuidadosas possíveis para que não parecessem partidistas ou partidárias. É possível, ao menos, se tentar buscar esse consenso.
Não se pode imaginar o FSM como uma frente, um partido ou uma nova Internacional. Ele não se construiu nesse caminho. E forçar a barra para que venha a se tornar algo parecido é apostar na sua desagregação.

O Fórum de Belém foi mais um exemplo de que há muitas energias e muita gente disposta a amadurecer suas construções e compreensões em eventos internacionalistas. Por isso é preciso ter paciência histórica para construir o caminho futuro. Às vezes, ele parece tortuoso ou longo, mas quando se aposta num processo amplo e democrático é preciso também saber esperar o momento de avançar.

Por isso, Fórum não considera construtivo que, em decorrência de desacordos em relação aos caminhos que o movimento deve tomar, adote-se a postura de antagonizar setores ou fomentar divergências que na verdade não se manifestam na ampla solidariedade dos diferentes grupos que constroem esse processo.

Isso não quer dizer que não se deva lutar para que as coisas que acreditamos e defendemos aconteçam.



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