O método de ação política do FSM

Fórum Social Mundial em processo Por Moacir Gadotti   Como ficou claro no Dia de Mobilização Global, 26 de janeiro deste ano, o FSM está se transformando...

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Fórum Social Mundial em processo

Por Moacir Gadotti

 

Como ficou claro no Dia de Mobilização Global, 26 de janeiro deste ano, o FSM está se transformando em um grande movimento de educação popular, necessária para mudar a ordem das coisas. Não há mudança sem transformação de consciência, sem organização e sem ação. E a educação é um elemento essencial do processo de transformação. É assim que o FSM está criando as necessárias condições para as imprescindíveis ações globais de confronto com o capitalismo neoliberal, não como um partido de delegados e representantes, mas como um processo histórico-social, onde todos participam com o mesmo peso político.
Não sendo uma organização ou um movimento, mas um espaço original, aberto e autoorganizado, o FSM está sendo apropriado de diversas maneiras, em muitas partes do mundo. Isso é bom, mas resta saber se todos esses eventos programados pelo FSM em nível local, nacional ou regional, mantêm coerência com a sua Carta de Princípios.
Diante desta expansão, o FSM está estabelecendo algumas diretrizes que devem orientar os organizadores de tais eventos. Não se trata de fazer uma discussão abstrata do formato desses eventos, mas ir aprendendo ao fazer cada um deles, edição após edição, seja em nível local, regional ou global. O seu formato está se modificando de acordo com as aprendizagens dos que estão fazendo o Fórum, a partir de suas bases, e não dos que apenas estão pensando o Fórum. Como disse Chico Whitaker, no texto escrito no dia 9 de janeiro de 2008 (disponível no site do FSM), em resposta ao artigo de Jai Sen, diretor do Indian Institute for Critical Action: Centre in Movement, “muitas coisas estamos vendo agora mais claramente, absolutamente não definidas em nossas mentes no início do processo. Eram, de fato, apenas intuições. Nós aprendemos e estamos aprendendo até agora, Fórum após Fórum”.
O enraizamento do FSM no âmbito local foi demonstrado pela enorme quantidade de atividades desenvolvidas no Dia de Mobilização Global. Uma verdadeira rede planetária de cidadania foi criada graças a essa nova metodologia, radicalmente democrática, e reproduzida em todos os níveis de suas ações, sejam eles globais ou locais, garantindo a pluralidade de visões, de perspectivas e de diferentes análises. E como o FSM não é um movimento com uma plataforma geral, as suas propostas concretas são aquelas que seus participantes e os movimentos e organizações que dele participam estabelecem e apóiam. O Fórum tem uma atuação política concreta a partir do método novo que o constituiu.
Cândido Grzybowski, um dos criadores do Fórum, vem afirmando que o FSM está passando por uma “nova etapa sem deixar de ser um espaço aberto” (Le monde diplomatique Brasil, fevereiro de 2008, p.28). O que é mais promissor no FSM é justamente o seu modo de proporcionar articulações e coalizões, estratégias, plataformas e planos de ação, se multiplicando com o seu desenvolvimento, “através de diálogos e controvérsias”, aprofundando temáticas e conhecimentos. Conclui Cândido Grzybowski que “os grandes eventos do FSM, que continuam muito importantes por seu impacto político e para a recarga coletiva de baterias, poderão dar visibilidade maior aos consenso e dissensos, aos acúmulos e aos déficits, estimulando o poder instituinte e constituinte da cidadania diante do Estado e das economias”. O método de ação política do FSM continua se construindo no processo, aperfeiçoando as condições para a construção de um outro mundo possível. Mas pode ainda evoluir no que se refere à preparação e realização dos seus eventos, na medida em que estabelece “princípios organizativos” para as edições dos Fóruns.
Nesse processo poderia ainda incorporar outras lições aprendidas e ainda pouco aproveitadas. Refiro-me, por exemplo, às questões organizativas e que podem aperfeiçoar o formato da programação dos eventos. Cito dois exemplos: o Mural de Propostas, importante iniciativa da edição de 2005 do FSM, realizada em Porto Alegre, e o dia de Planejamento de Ações realizado na edição de Nairóbi, em 2007. O Dia Mundial de Mobilização Global, iniciado dia 26 de janeiro de 2008, deverá ser mantido, independentemente da realização da edição central do FSM. Seria uma forma de incorporar ao formato atual mais um elemento mobilizador. Novos elementos são acrescentados à metodologia, transformando o FSM num processo permanente de sua própria recriação, de baixo para cima.
No próximo número falaremos do Fórum Mundial de Educação. F
NOTAS Fórum Social de Saguenay-Lac-St-Jean – 2 a 4 de maio – Quebec, Canadá. www.forumsocial02.org.
Fórum Mundial de Educação Santa Maria. Tema geral: “Educação, economia solidária e ética planetária” – 28 a 31 de maio – Santa Maria (RS). www.forummundialeducacao.org
III Fórum Social da Tríplice Fronteira – 5 a 7 de junho – Foz do Iguaçu. comitelocaltriplicefronteira@hotmail.com
Fórum Social Regional de London – 12 a 15 de junho – Ontário, Canadá. www.rsflondon.ca
Leia mais: www.forumsocialmundial.org.br



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