Por que a democracia não deve ser para poucos

A capa desta edição traz o Occupy Wall Street, um movimento que atingiu o centro financeiro dos EUA e, consequentemente, um dos principais do planeta. Não é a primeira capa em que mostramos a juventude indo às ruas para contestar um sistema dito democrático,...

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A capa desta edição traz o Occupy Wall Street, um movimento que atingiu o centro financeiro dos EUA e, consequentemente, um dos principais do planeta. Não é a primeira capa em que mostramos a juventude indo às ruas para contestar um sistema dito democrático, que se mostra restritivo e excludente

Por Revista Fórum

A capa desta edição traz o Occupy Wall Street, um movimento que atingiu o centro financeiro dos EUA e, consequentemente, um dos principais do planeta. Não é a primeira capa em que mostramos a juventude indo às ruas para contestar um sistema dito democrático, que se mostra restritivo e excludente. Os indignados espanhóis já foram nosso tema principal, evidenciando o novo fazer político que surge das ruas, de uma multidão que não tem como referência mais os líderes de outrora, mas sim uma tentativa de tornar horizontais as decisões.

A voz que se ouve hoje não é de um ou de dois, mas de muitos. Aos poucos, na prática, aprendemos como experimentar a participação e o diálogo, não somente no âmbito político, mas em todos os espaços de nossa vida. Não se quer mais o exemplo daquela pessoa que grita por liberdade em praça pública e, dentro de casa ou do trabalho, invoca o autoritarismo. O que se entende por democracia é algo a ser vivido em tempo integral, 24 horas, da forma mais plena.

E esses jovens – e outros tantos não tão jovens – que vão às ruas querem resgatar esses ideais que se perderam em vias pragmáticas, nas quais se acreditou que não se podia fazer mais daquilo que se entendia como “o possível”. Até porque o 1%, contra o qual 99% da população começa a se rebelar deseja que todos entendam que o limite é bem menor do que é de fato. Como diz a jornalista Naomi Klein, essa parcela menor da sociedade espera por crises, já que é neste momento, quando as pessoas estão desesperadas, que é o momento ideal para impor a lista de políticas pró-corporações. Segundo ela, “privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo”.
Mas, desta vez, a história está sendo escrita de forma diferente. E aos críticos que pretendem desmoralizar o movimento por ele, em tese, não “apresentar soluções”, fica outra questão: que tipo de resposta ao cenário de crise, em todas as suas dimensões, foi oferecida até agora por aqueles que a causaram, ou seja, o 1% que resiste em não partilhar o poder?

A crise, finalmente, surge como oportunidade para que se conquiste algo além das fórmulas prontas, desgastadas, que já não servem a ninguém. E Fórum está acompanhando esse e todos os movimentos que estão surgindo.



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