Toques Musicais

Dicas de Julinho Bittencourt Por Julinho Bittencourt   RECENTE DISCO DE ADRIANA CALCANHOTTO, primeiro desde o infantil Adriana Partimpim e segundo de uma trilogia sobre o mar,...

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Dicas de Julinho Bittencourt

Por Julinho Bittencourt

 

RECENTE DISCO DE ADRIANA CALCANHOTTO, primeiro desde o infantil Adriana Partimpim e segundo de uma trilogia sobre o mar, que começou com o excelente Maritmo, de 1998. Ela parte de um núcleo básico com o trio de Moreno, Kassin e Domenico onde desenha molduras para composições, ora suas com vários parceiros, ora de compositores consagrados. As sutilezas permeiam todo o belo disco. De presente para si mesma e para o ouvinte, Adriana dispõe, por exemplo, da voz de Marisa Monte como a sereia da mitológica “Porto Alegre (Nos Braços de Calipso)”, de Péricles Cavalcanti.
As cerejas (ou pérolas) surgem aqui e ali, em forma de homenagens e conexões. Jards Macalé toca o violão para a composição dela sobre poema de Waly Salomão “Teu Nome Mais Secreto”. Na sala escura de um outro tempo, os vários parceiros/intérpretes se reencontram em momento memorável. Outro violão famoso que comparece é o de Gilberto Gil, em “Sargaço Mar”, de Dorival Caymmi. Mais transcendência.
A música fadada ao sucesso de Maré deve ser mesmo “Mulher sem Razão”, de Cazuza, Dé e Bebel Gilberto. Com o velho bom humor e irreverência do trio de compositores, a canção se esparrama entre o pop e o samba-canção. Na interpretação melancólica e irônica de Adriana Calcanhotto, a música, que havia passado despercebida no disco Burguesia, de Cazuza, ganha novas tintas, janelas e paredes.
A faixa que dá nome ao disco, letra sua com melodia de Moreno Veloso, é cheia de surpresas sutis. A quase bossa imita o movimento das marés que se alternam em movimentos densos, lentos e surpreendentes quando se configuram. Beleza que transborda na praia de Adriana e seus parceiros.
E por falar neles, Kassin é o responsável pelo momento mais delicioso e brejeiro do disco. Musicou os versos do poeta tropicalista Torquato Neto “Um Dia Desses” de uma forma corajosa e disparatada. O resultado é uma toada quase sertaneja, rancheira, linda, simples e derramada.

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