Um importante passo rumo à democratização da comunicação

Editorial de julho Por Redação   Desde a redemocratização, o Brasil vem experimentando, ainda que vagarosamente, avanços significativos em muitas áreas. Hoje, as instituições são mais sólidas...

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Editorial de julho

Por Redação

 

Desde a redemocratização, o Brasil vem experimentando, ainda que vagarosamente, avanços significativos em muitas áreas. Hoje, as instituições são mais sólidas do que há vinte anos, embora ainda falte muito para elaborarmos e consolidarmos mecanismos de participação direta, por exemplo; a preocupação com o social e com a gritante desigualdade de renda passaram a ocupar um lugar de destaque nos debates sobre o rumo do país, afastando o dogma neoliberal e a crença na inevitabilidade dos ditames do mercado. O Fórum Social Mundial trouxe novos ares para o campo político progressista, contestando o fim da História e o pretenso pensamento único.
Mas houve um setor que estagnou durante todo esse período: a comunicação. Se à época em que ACM era ministro das Comunicações no governo Sarney, concessões públicas de televisão e radiodifusão eram moeda de troca política, hoje tais mecanismos continuam nada transparentes. Como naquele tempo, a concentração dos meios de comunicação ainda é uma realidade, alimentada pelos próprios governos que destinam suas verbas publicitárias de forma a perpetuar o poder das famílias que há décadas dominam as principais mídias no Brasil.
Por conta disso, a realização do Fórum de Mídia Livre no Rio de Janeiro pode significar o primeiro passo rumo a uma ampla articulação de veículos e comunicadores independentes. Uma integração responsável não apenas por construir redes de troca de informação, mas também com a missão de discutir e elaborar propostas, pressionando o poder público a assumir um papel efetivo na democratização da comunicação no país.
Idéias, e algumas muito boas, surgiram dos Grupos de Trabalho do Fórum. Agora, o fundamental é aprimorá-las e trazer estas questões à luz para todos os segmentos da sociedade, que precisa conhecer os pontos principais desse debate. Justamente por ser uma questão que pouco interessa àqueles que se pretendem os monopolistas da informação, durante muito tempo a democratização da comunicação foi tratada como tema marginal ou sem importância, que não merecia prioridade por parte da sociedade. Felizmente, isso está mudando.
As novas tecnologias abriram uma série de possibilidades na área do conhecimento e hoje muitos fazedores de mídia conseguem furar o bloqueio imposto pelos grandes. Mas é preciso mais. É necessário que lhe sejam dadas as condições para se estruturarem e qualificarem o seu trabalho. Preservar a pluralidade e a diversidade informativa é fundamental para um país que almeja aprimorar seus mecanismos democráticos. F



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