USP-Ariel: os detalhes de uma afronta ao direito internacional

A USP mantém desde 2010 um acordo de cooperação com uma universidade de colonos israelenses em território palestino ocupado militarmente de forma ilegal. A Fórum publica em primeira mão as minutas do convênio.

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A USP mantém desde 2010 um acordo de cooperação com uma universidade de colonos israelenses em território palestino ocupado militarmente de forma ilegal. A Fórum publica em primeira mão as minutas do convênio.

Por Idelber Avelar

Através da pesquisa pioneira de Indra Seixas Neiva, que escreveu um Trabalho de Conclusão de Curso sobre a história das relações da Universidade de São Paulo com Israel, a Revista Fórum chegou a um documento grave e preocupante: as minutas do convênio de cooperação acadêmica entre a USP e a Universidade de Ariel. O pdf está disponível aqui. O cabeçalho designa o acordo como Convênio que celebram a ARIEL UNIVERSITY CENTER OF SAMARIA (Israel), no interesse da Faculty of Natural Sciences, e a UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (Brasil), no interesse do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação….

Já em seu preâmbulo, a linguagem usada no acordo está em patente contradição com a lei internacional: o Ariel University Center of “Samaria” não fica em Israel. Ele está localizado na colônia de Ariel, na Cisjordânia, parte do território reconhecido pela legislação internacional como palestino e ilegalmente ocupado por Israel desde 1967. Esta colônia, especificamente, começou a ser construída em 1978, numa invasão militar que confiscou terras cultivadas e terrenos rochosos que os aldeões palestinos usavam para as pastagens de seus rebanhos. Como explica Indra Seixas Neiva em seu TCC: a área municipal da colônia de Ariel possui vários enclaves de propriedades privadas palestinas, cujos acesso é proibido aos proprietários impedidos pelo Muro que separa sete aldeias do norte de Salfit (Hares, Kifl lebres, Qira, Marda, Jamma’in, Zeita-Jamma’in e Deir Istiya) de acessar suas terras e rebanhos, com cerca de 25.000 palestinos prejudicados uma vez que dependem de uma variedade de serviços da cidade centro da região de Salfit (p.34).

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