Debate na Al Jazeera sobre o racismo brasileiro e as cotas para negros na universidade

O programa The Stream, da Al Jazeera, me convidou nesta quinta-feira para um debate sobre as cotas para negros na universidade brasileira. Participaram também Demétrio Magnoli, geógrafo e presença constante na mídia brasileira...

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O programa The Stream, da Al Jazeera, me convidou nesta quinta-feira para um debate sobre as cotas para negros na universidade brasileira. Participaram também Demétrio Magnoli, geógrafo e presença constante na mídia brasileira quando o assunto é cotas, e Athayde Motta, do Fundo Baobá para a Igualdade Racial. Aí vai o vídeo que, infelizmente, ainda não está legendado em português, o que ocorrerá em breve:

 



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32 comments

  1. André Responder

    Meu inglês é meio ruim. Mas o Demétrio não sabe xingar em inglês ou ele estava meio inibido? Porque eu não consegui pescar os gentis ajetivos que normalmente embasam a argumentação dele.

    1. José Henrique Meireles Responder

      Nem se o que me deixou mais constrangido, se o inglês tatibitate ou a desonestidade do Demétrio Magnoli.

      1. Bruno Galvao Responder

        Não acho que seja vergonhoso para um brasileiro ter um inglês ruim. A nossa língua é o português e não o inglês.

        1. André Responder

          O inglês dele é bom o suficiente para conseguir usar os xingamentos usuais que ele aplica a quem discorda dele. Por que não usou? Medo de queimar o filme no estrangeiro (único ambiente que gente da laia dele considera civilizado)? Medo de ser limado pela moderadora, que não tem o rabo preso com o PIG?

    2. Tiago Mesquita Responder

      Pelo que vi, ele fala muito mal. Pior que isso, no entanto, ele pensa muito mal. O fato da auto identificação ser baixa é uma consequência do racismo, não o contrário. Além disso, a ideia é que o preconceito racial seja reconhecido como um problema, não escamoteado. Como ele pretende combater o racismo? Fingindo que não é conosco? Ainda bem que as instituições começam a pensar diferente

  2. Marcelo Job Responder

    Idelber, olá!
    A minha primeira impressão, é de que Demetrio Magnoli vive em um paraiso tropical, e o paraíso é uma utopia, um sonho.
    abraços

  3. Marcelo Job Responder

    Dá prá dizer que o inglês do Magnoli é macarrônico, né

  4. Cristina Blanco Responder

    Eu não posso entender quem e o porque alguém pode ser contra as cotas raciais, qual é o medo do branco, da elite, da classe média?
    O debate é muito mais do que necessário, eu percebo quando encontro dentro da academia e o Magnoli é só um representante do classismo impregnado nas universidades públicas e nas privadas também. Existe um sub-entendimento velado de que o negro e o índio não tem direito e nem capacidade para estar na universidade. Outro argumento muito comum dos que são contra o uso de cotas é de que a cota deve ser social, ou seja considerar brancos e negros pobres, oras, quem diz isso deveria procurar saber que isso já é feito através do Enem, dos critérios de alunos vindo de escolas públicas. Logo eu concluo que a sociedade tem um racismo tão impregnado e um pavor de que o negro entre nos espaços comuns que é muito mais do que necessário um debate franco desde o ensino fundamental até o nível acadêmico envolvendo sobretudo as partes interessadas, o negro, o índio, aquele que tem o direito de estudar, e cabe ao intelectual (de alma branca) brasileiro rever em que país quer viver, o mesmo, desigual em cor e distribuição de renda, ou outro.

    1. Maldoror Responder

      Não é que sejamos contra as cotas, mas contra essa política de cotas praticada isoladamente. Não existe desigualdade no acesso ao ensino público superior por falta de cota. Os motivos são outros. Ao adotar APENAS uma política de cotas, não se mexe na estrutura social que promove a desigualdade no acesso, no problema público construído social e historicamente. A política de cotas, quer queiramos ou não, diz claramente para o cotista que ele não tem mérito para passar no vestibular e que, por isso, precisa de uma cota. O que está longe de ser verdade porque cotistas saem da Universidade com muito mérito. Então o mérito sempre esteve com ele, só não foi estimulado adequadamente. Assim, me parece se tratar de uma política redistributiva de reconhecimento errôneo, e que pode sim agravar o quadro de racismo existente no país. É comum vermos comentários lamentavelmente pejorativos e racistas de pessoas dizendo, por exemplo, que não usariam serviços profissionais prestados por um cotista. De qualquer modo, é melhor ter uma política de cotas do que não ter nenhuma, mas acho que podemos fazer melhor…

      1. aiaiai Responder

        Maldoror,

        Leia esse texto aqui http://alexcastro.com.br/o-peso-da-historia-a-escravidao-e-as-cotas/

        é curtinho e bem explicativo. Se vc não entender, ñ sei como ajudar. Sou péssima desenhista.

      2. ana maria santeiro Responder

        “É comum vermos comentários lamentavelmente pejorativos e racistas de pessoas dizendo, por exemplo, que não usariam serviços profissionais prestados por um cotista. De qualquer modo, é melhor ter uma política de cotas do que não ter nenhuma, mas acho que podemos fazer melhor…”

        Este último parágrafo de seu comentário é uma confirmação do que há racismo, que, neste caso, vem reforçado por um revanchismo.

        Também não gosto de usar a terminologia raça, pois entendo que ela não existe, mas infelizmente ainda precisamos deste critério para expor a existência real da questão e apenas com a discussão que se levante já caminhamos para uma superação, porque, os brasileiros gostam de ser ver como brasileiros.

  5. Paulo Rogerio Responder

    Professor Avelar,

    Parabéns pela coragem de assumir uma postura tão contudente em defesa das ações afirmativas. É preciso desmascarar essa elite brasileira que se beneficia do mito da “democracia racial” para perpetuar seu poder e subjulgar milhões de afrodescendentes aos piores lugares da sociedade. Engraçado que o tal Dr. Magnoli não respondeu ao seu questionamento sobre o número de negros professores da USP. Ele como um conservador da pior categoria finge que esse problema não existe por clara conveniência.

  6. Athayde Motta Responder

    Prezado Prof. Avelar,

    Gostaria de agradece-lo pela participaçao no debate e lamento que não tenhamos tido a oportunidade de nos apresentarmos, mas confesso que a animação com o convite transmitido pelo Paulo Rogério murchou quando soube que Magnoli seria um dos debatedores. Levei algum tempo pra me recompor depois que ele argumentou de que o último país a acabar com a escravidao havia sido a Mauritânia na década de 1980…não é desta universidade que o Brasil precisa…

    Abraços,
    Athayde

    1. Idelber Responder

      Prezado Athayde,

      Que prazer tê-lo aqui. Entendo perfeitamente que a notícia da presença de Magnoli tenha causado desânimo. Tê-lo como contraponto é a garantia de que se terá que argumentar no nível mais rasteiro do negacionismo brasileiro. Mas, por outro lado, achei que foi uma boa oportunidade porque, a julgar pela repercussão nas redes sociais, ficou bem claro quem fala em nome de que princípios, quem está disposto a encarar o quê, e quem quer esconder o quê. Sendo ele presença constante na mídia (que não costuma convidar, por exemplo, a você, que mostrou estar muitíssimo mais qualificado para falar da questão racial brasileira), achei que o saldo foi positivo.

      Também lamentei muito que não tenhamos podido bater um papo depois do programa. Eu tinha um tempinho antes do aeroporto, provavelmente você também, mas eles precisavam desmontar a aparelhagem e quando vi já tinham desligado tudo. Mas foi um grande prazer conhecê-lo. Mantenhamos o contato.

      Um abração,

      Idelber

    2. Eduino Vaz Ferreira Neto Responder

      Resta saber , a serviço de quem está o Demétrio Magnoli, do povo brasileiro seguramente não…

  7. Jacques Chaban Responder

    Uma das principais características da ideologia da classe média é o medo da proletarização. Daí oriunda todo o seu conservadorismo, que Serra sabe explorar tão bem.
    O mesmo vale para os Brancos preguiçosos, que tem medo de competir em igualdade de condição. Quem é contra o Sistema de Cotas para Negros nas Universidades Públicas, é a favor do pelourinho, não diz porque tem vergonha ou medo, acho que é mais medo, porque não tem vergonha na cara.

  8. Marcelo Job Responder

    Olá Idelber,
    Aparentemente a fonte usada para citar a Mauritânia como o último país à abolir a escravidão, em 1981, por parte do Sr. Demetrio Magnoli foi a wikipédia. Embora na entrevista ele tenha negligênciado o fato de que o Informativo anual para os Direitos Humanos de 2010 do Departamento de Estado Dos EUA tenha incluído a Mauritânia como um país em que ainda existe escravidão.

  9. Alex Batista Responder

    Pessoal…

    De boa. Acho que a elite branca terá que eleger outro representante quando o debate for em inglês.

  10. Marcos Romao Responder

    O inglês do paladino do status quo nas relaçôes raciais no Brasil não é o problema. O problema é simplesmente a sua falta de argumentos na defesa contra cotas e do retrato do Brasil que só ele vê. Ao falar em uma outra língua nós somos obrigados a pensar duas vezes. Aí está a lacuna de Demétrio Mignoli, como traduzir um assunto, um pensamento, que não existe?
    Demétrio Mignoli e sua turma de pensamento rural pré-abolição, ajudou a atrasar por 10 anos a busca de soluções para superação do fosso que separa os brancos e negros do Brasil.
    Enquanto negros e brancos antiracistas se esforçavam em criar mecanismos sociais, institucionais e políticos para superar no Brasil a gritante separação entre negros e indígenas de um lado e os Brancos lá nas montanhas, com iniciativas como a Educafro e várias organizações sociais, que partiram para a formação básica de negros, indios e pobres para concorrerem com os brancos com menos desvantagem;
    Enquanto os negros batalhavam para se criar um estatuto da igualdade racial;
    Enquanto que os negros, índios e antiracistas brigavam em milhares de municípios do Brasil, para diminuirem a segregação racial nas escolas, academias de polícia, universidades, associações de moradores, clubes, bares, locais de trabalho e tudo mais;
    Enquanto milhares de pessoas trabalhavam para a reconstrução do país sem as aberrantes segregações raciais, evidenciadas de forma cruel no genocídio institucional e policial perpetrado contra os jovens negros Brasileiros;
    Demétrio, e comparsas, com apoio dos dois maiores meios de comunicação brasileira passaram estes mesmos dez anos na contra-mão, a repetir argumentos de palanque, pura propaganda apocalíptica, criando fantasmas e assustando as classes conservadoras as apavorando com o advento de uma possível guerra racial que incendiaria o Brasil.
    A desonestidade intelectual de Mignoli e turminha, que cabe numa Van, provocou muitos estragos na sociedade brasileira e atrasaram um debate para resolver finalmente a questão racial brasileira, debate felizmente resgatado de forma positiva pelos juízes do STF, perante milhões de telespectadores que tiverem finalmente depois de 124 de abolição da escravatura, a oportunidade em ouvirem oficialmente, que o Brasil é um país racista.
    A desonestidade intelectual desta turma de incapazes, com seus argumentos “científicos”, em verem a realidade crua e nua do racismo à brasileira, os fez criarem o xingamento “racialista” para os antiracistas a favor de ações afirmativas e de reparação para os negros e índios brasileiros.
    O que o Mignoli expressou em inglês, não se preocupe quem não entende inglês, foi o mesmo que ele fala em português. Nada, absolutamente nada. Um nada que infelizmente, com o apoio financeiro de fundações racistas nacionais e internacionais alimentou o ódio deste cara e provavelmente sus bolsos, enquando que desgraçadamente milhares de professoras e alunos pelo país afora, sofreram e sofrem na luta contra o racismo e a segregação contidiana.
    Morto intectualmente em “Pretuguês” nacional, como diria Lélia Gonzalez, e agora morto epistemologicamente em “Ingrês” internacional, digo eu. El Jazeera cobre a Primavera Negra Brasileira!
    O Brasil já está pegando fogo, os helicópteros que passam por cima de nossas cabeças nos prédios de classe média se dirigem para as favelas…
    O movimento negro e os antiracistas estão na estrada a muitos anos para apagar este fogo que sangra a juventude e o Brasil. O miolo da questão social brasileira é a questão racial. Estamos aí para enfrentá-la com carinho e coragem.

    1. Idelber Responder

      Marcos, o seu comentário foi das coisas mais extraordinárias, fortes, pungentes e verdadeiras que eu já li desde entrei na Internet. Muito, muito obrigado.

    2. Jair Fonseca Responder

      Muito boa, Marcos! Além de não saber “pretoguês”, o cara não manja nada de “negrês”, porque o negócio dele é o “neguês”.
      Ibelber, parabéns pelo papo firme, como sempre!

  11. Januario Garcia Responder

    Em uma sociedade desigual só com aplicação de politicas desiguais poderemos chegar a igualdade.
    Januario

  12. Pedro Mandagará Responder

    Olha, deste um laço no Magnoli. No entanto, acho que se o debate tivesse sido em português – ou se ele tivesse um intérprete – seria ainda melhor, pois seria afastado desde já o argumento de que M. foi prejudicado por não falar bem a língua ou algo assim. Mesmo assim, foi um ponto alto. Espero ansioso a versão legendada para divulgar a todos os amigos.

  13. Jorge da Silva Responder

    Car@s,
    Já debati com o Sr. Magnoli. Chamou-me publicamente de mentiroso, além de outras grosserias. Ele é especialista em monólogos, sempre falando para platéias que pensam como ele. Foi escolhido pelos racistas reacionários como seu porta-voz, função que desempenha com denodo. O que recebe em troco é a notoriedade. Na falta de argumentos, apela para a truculência verbal, no que é craque. Não estranhem, ele só sabe xingar em Português.Seus argumentos são derrubados com um peteleco.

  14. Alan Oliveira Responder

    Por não saber inglês aguardo a legenda, a única coisa que entendi é que o magnoli aprendeu ingl~es na mesma escola que o professor Joel Santana.

  15. Brenda Ligia Miguel Responder

    Idelber RULES!

  16. Ronaldo Soares Responder

    Maravilhoso o debate, Prof. Idelber. O Prof. Magnoli, da USP, afimrou na entrevista que “as cotas dividirão a sociedade brasileira porque esta não pensa em termos de raça”. E o sr. arrematou ao dizer que nossa polícia, sim, com a sua brutalidade, pensa em termos de raça. Que as prisões estão cheias de afro-brasileiros e que 70% da população indigente do Brasil é afro-brasileira. Que um afro-brasileiro ganha em média menos da metade da renda do branco brasileiro. “A população hoje já está dividida [em termos de raças]. Você não vê negros na USP, por exemplo.” Sensacional. Expôs ao mundo uma parte da realidade brasileira, que já vivenciou a escravidão.
    P. S.: Sou afro-brasileiro e graduando em Letras da USP, onde na FFLCH (do próprio Prof. Magnoli) concentra-se a grande maioria de seus estudantes afro-brasileiros. Em toda a USP, não chegamos em número a 5% do total.

  17. Archimedes Responder

    Só pude ver hoje o vídeo e adorei! Muito bom!

    Mas fiquei assustadíssimo com a fala do Magnoli dizendo que os 10 ministros do STF votaram CONTRA a Constituição ao aprovarem as cotas!!! E usou isso como exemplo da pressão de poderosos movimentos negros…
    Os ministros estavam, na verdade, constatando a constitucionalidade das cotas e para isso expressaram seus conhecimentos jurídicos e específicos sobre o assunto!
    Mas claro, o Demétrio deve mesmo ser um jurista especialista em direito constitucional para dizer uma barbaridade dessas…meu deus!

    Outra coisa, não entendo como que o STF estaria, segundo Magnoli, institucionalizando o conceito “raça” ao decidir que as cotas raciais sejam constitucionais… Há uma confusão de domínios aqui… as cotas raciais são justamente para derrubar as diferenças impostas ao longo dos tempos pelo uso do conceito de raça, que, mesmo não sendo reconhecido legalmente no Brasil, causou toda esta segregação racial que vemos… Ou seja, mesmo sem ser “institucionalizado” o conceito de raça sobrevive no Brasil muito bem obrigado, durante séculos…
    A existência de cotas não depende de instituir um conceito que não existia (e que biologicamente não existe mesmo) mas sim de reconhecer que o racismo (que sempre existiu, independente de aulas de biologia) é segregador sim e precisa ser combatido.

  18. Anizio Silva Responder

    Hoje é dia 24/05 e o vídeo ainda não tem legenda :(

  19. Carlos Responder

    Idelber, deixei para dizer isso quando vc já tivesse publicado o post seguinte. Sou grande admirador dos seus textos, e cotejando as duas linhas de argumentacao acredito que voce ganha facilmente o debate.

    Mas, vendo o vídeo, nao é isso o que fica parecendo. Acredito que estamos todos influenciados pelo fato de que sabemos que sua argumentacao é mais consistente, e que o que o Sr Magnoli diz sao, na maior parte, falácias e sofismas. Mas, do ponto de vista do convencimento de alguem pouco familiarizado com o debate, acho que voce poderia ter estruturado melhor a sua argumentacao. Em particular, acho que é preciso tomar cuidado para nao falar contra uma coisa que a pessoa nao disse no debate. Ali no fim, fica muito fácil te caracterizar como um militante raivoso querendo ganhar no grito, enquanto o Magnoli repete calmamente, como um professor experimentado diante do jovem impetuoso, os argumentos que sabe serem finalmente os melhores (argumentos que nesses caso ja conhecemos, e que, na superfície, parecem mesmo bastante lógicos e razoáveis).

    Entendo que sua atitude seja causada, em parte, pelo fato de sentir seus próprios argumentos represados na mídia brasileira, e toda aquela cascata de mentiras ser apresentada como a fina flor do pensamento. Precisa de uma emissora de uma ditadura pra abrir um espaco que as emissoras nacionais nao abrem para um brasileiro inteligente poder se posicionar a favor das cotas. Mas essa sua argumentacao represada deve ser liberada em gotas, e nao numa explosao, que corre o risco de colocar a audiencia contra voce.

    Voce parece querer dizer de uma vez tudo o que está errado com a posicao da mídia e de seus especialistas do tudo e do nada. Mas acaba – na minha humilde opiniao – enfraquecendo sua própria posicao diante dos nao-convertidos. Se eu fosse contrario as cotas por só ouvir o que a mídia diz, ou mesmo se fosse uma pessoa pouco tocada pelo tema, acharia que sua atitude corresponde exatamente a caricatura que fazem de nós, os “racialistas”, na grande imprensa. Uma gente que quer conflito contra a tradicao de diálogo e evolucao lenta do Brasil, uma gente que odeia o sucesso dos empreendedores e a tradicao conciliadora nacional e para quem as cotas sao só mais um passo em direcao aos Gulags.

    Minha humilde recomendacao seria, da próxima vez, e em especial se for debater no Brasil, adotar um discurso mais contido e, paradoxalmente, mais auto-confiante. Eu mesmo, debatendo, paulista que sou, as vezes acabo querendo mostrar como estou certo e como tenho dados e como a pessoa está falando besteira. Mas acabo sempre achando, ex post, que a forma mineira de fazer a coisa é mais eficaz por estas bandas. Chegar lá e apresentar seu próprio argumento como algo que contribui, mas nao anula nem esmaga, o pensamento contrário. O grande segredo do PT foi abrandar o discurso e adotar um discurso positivo, de contribuicao para o Brasil, quando sempre que usava aquele discurso negativo da década de 90, contra tudo o que aí está, perdeu todas as vezes. A gente gosta de quem quer ajudar, e convence-se mais facilmente por alguem que esta tentando resolver um problema do que por alguem que fica simplesmente vociferando contra o problema. Achei, ainda humildemente, que sua fala ficou parecendo mais do segundo tipo que do primeiro.

    Por que nao, em vez de contar quantos negros morrem por arma de fogo e atacar todos os argumentos que o adversário (ainda) nao usou, partir do pressuposto de que existe racismo no Brasil, e os negros tem menos oportunidades? Como voce mostra no seu proximo post, quase todos concordam com isso – os que sao contra as quotas nao negam a existencia de racismo. O ponto principal que precisa ser evidenciado, portanto, nao é esse. É, acredito, que (i) as cotas nao vao provocar a tal divisao racial, porque ja existem ha dez anos, e nao se conhece um só incidente a respeito; e (ii) qualquer alternativa a elas nao vai resolver o problema que precisa ser resolvido, na velocidade que queremos que ele seja resolvido.

    Enfim, acho que voce se dara melhor tracando o seu próprio argumento em vez de se debater contra uma argumentacao que nem mesmo foi colocada ali. A impressao é um pouco a daquele Lula dos anos 1990, vociferando contra o consenso de Washington que ninguém nem sabia muito bem o que era. Pode ser que voce prefira o Lula 1990s ao Lula 2000s. Mas nao da pra negar que, em termos de convencimento da populacao, o segundo foi muito mais eficiente. Grande abraco!

  20. Lu Responder

    O problema é a naturalização do preconceito racial, dizendo que não existe um grande racismo no Brasil, embora, sabemos que fatores de ordem social e politico/educacional ajudem a manter a situação como está. Um dos casos mais escandalosos foi o dos irmãos evangélicos assassinados por policiais, enquanto dormiam em um morro, se não me engano no Sul do Brasil. Eles foram confundidos com assaltantes procurados, os assaltantes eram negros, e os dois inocentes também. Vencer o racismo é difícil, mas devemos começar a caminhada com as crianças.

  21. Cristian Dutra Responder

    Eu nunca achei que iria dizer isso um dia, mas fiquei com vergonha pelo Demétrio


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