Congresso mobiliza jovens de todo o mundo na véspera da Rio+20

Na ação Juventudes na Rio+20, eles debateram o futuro do planeta e medidas para que os compromissos da conferência da ONU sejam efetivados

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Na ação Juventudes na Rio+20, eles debateram o futuro do planeta e medidas para que os compromissos da  conferência da ONU sejam efetivados

Por Maria Eduarda Carvalho

 Termina nesta terça, 12, o 6º Congresso Mundial das Juventudes (World YouthCongress – WYC), que teve início no Dia Internacional do Meio Ambiente, 5 de junho.  O encontro, que acontece a cada dois anos, debate o papel da juventude no desenvolvimento sustentável. “O evento tem seis edições e já foi realizado em vários países, 350 jovens de vários lugares do mundo estavam presentes, foi momento privilegiado que veio para abrir um ciclo que coloca o Rio de Janeiro como porta do Brasil para o mundo”, relata Felipe Altenfelder da Casa Fora do Eixo São Paulo, que está na capital carioca nas mobilizações da Rio+20.

O Congresso integra a programação Juventudes Rio +20, ação promovida em rede e realizada pela Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), o Conselho Nacional da Juventude (Conjuve) e a Escola de Comunicação da UFRJ. Além das entidades citadas, participam ainda movimentos sociais que debatem o tema da Juventude em diferentes linhas, como: Fora do Eixo, Viração, Viva Favela, Agência de Redes para a Juventude, Escola Popular de Comunicação Crítica da Maré, Agência Lupa e Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ, além das redes e movimentos que compõem o Conjuve.

Sobre a importância de manter espaços voltados aos jovens dentro da Conferência, Mateus Fiorentini, da União Nacional dos Estudantes (UNE), ressalta que “essa é a geração que tende a ser formadora de opinião do próximo período, [é a geração] que hoje está nas universidades produzindo conhecimento e que está cada vez mais ligada na questão do desenvolvimento sustentável e ambiental. Ter uma programação voltada para essa turma é muito importante, ainda mais diante do cenário que a gente vive hoje, em todo o mundo, de mobilizações estudantis em defesa de outras formas de desenvolvimento”.

A programação da Juventudes Rio+20 englobou encontros, debates e mobilizações que visam dar mais visibilidade ao protagonismo juvenil nas causas sociais. A grade contou ainda com a “Youth Blast – Conferência de Jovens para a Rio+20”, evento oficial do Grupo de Interesse de Crianças e Jovens (Major Group for Children and Youth) da Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que buscou explicar melhor a importância da Rio+20 e da Cúpula dos Povos. Na grade, oficinas, capacitações, palestras, atividades autogestionadas e treinamentos. Ao final do encontro será produzido um documento com o posicionamento de crianças e jovens sobre sustentabilidade, que será apresentado como posição oficial do Major Group for Children and Youth/Grupo de Crianças e Jovens durante a Rio+20.

Além da Youth Blast, os jovens participarão também das atividades do “Enlace da Juventude”, o acampamento da juventude que acontece no campus da Praia Vermelha da UFRJ, e em dezenas de atividades culturais pela cidade até a próxima semana.

Diante das dificuldades na implementação das deliberações de conferências anteriores, como a de 1992, a participação em massa da juventude em 2012 pode ser vista como decisiva para mudança nesse quadro. Para Fiorentini, “a conferência de 92 aconteceu no momento em que os setores da sociedade que defendem uma maior participação do Estado e um movimento mais harmonioso, não tinham o protagonismo que têm hoje”. Segundo ele, 20 anos atrás, as políticas neoliberais, com a redução do Estado e dos investimentos sociais avançava: “Vivíamos a implementação de um modelo de desenvolvimento predatório desenfreado, ou seja, de potencialização do setor financeiro na economia. Hoje, nós vivemos exatamente a crise desse modelo e a perspectiva de solução para esses problemas, esses setores que pressupõem o maior protagonismo do Estado estão em ascensão e cresce também no mundo as mobilizações em torno desse modelo de desenvolvimento. O cenário da disputa interna da conferência também é diferente de 92 e provavelmente os países em desenvolvimento exercerão uma pressão maior”, explica o estudante.

Foto: Fora do Eixo


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